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19 julho, 2018

Férias = Leitura- de Sartre a Akapoeta.



@entrelinhas_eafins


Julho é aquele mês que, se você é professor-que é o meu caso, estudante ou tem sorte na vida, sabe que terá um respiro do trabalho para organizar sua vida e recarregar as baterias para chegar até o fim do ano com sucesso. Nada melhor, então, que aproveitar o tempo livre para fazer o que mais gosta. Eu embarquei em leituras muito boas que dividirei aqui com vocês.
Durante esta semana de férias, coloquei em dia algumas leituras que estavam há tempos na minha extensa fila de espera das leituras. Em conversas com amigos ou mesmo no trabalho, sempre anoto dicas sobre leituras, em alguns bate-papos, percebi que sabia muito pouco sobre filosofia. Sou formada em Letras, e é claro que para analisar textos literários tive que estudar filosofia, todavia meus estudos não foram tão profundos e, percebi que se me aprofundasse mais nesta questão, poderia analisar com mais intensidade a literatura que tanto amo.

@entrelinhas_eafins
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Resolvi começar minha saga de estudos pela filosofia por Sartre. Uma amiga, em uma conversa, disse a seguinte frase: “O homem está condenado a ser livre.”, ela nem tinha me dito que era de Sartre, contudo, fiquei curiosíssima e fui em busca de maiores informações sobre o autor. Não sabia por onde começar, fui pesquisando aqui e ali, e encontrei o livro SARTRE em 90 minutos, de Paul Strathern para começar.

@entrelinhas_eafins
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      Strathern dá um resumo de quem foi Sartre, o desenvolvimento da filosofia defendida por ele, o existencialismo, a relação com a escrita e alguns fatos relevantes sobre o autor. Traz também citações chaves, cronologia do autor e indicações de obras. Para conhecer, é uma excelente leitura; o livro é bem objetivo e com informações relevantes, mas deixa a ânsia de procurar por mais- foi isso que fiz e já procurei alguns títulos principais de Sartre para ler. Para quem quer se aventurar na filosofia, e não sabe por onde começar recomendo a leitura desta coleção de Paul Strathern, que traz diversos filósofos com uma proposta de leitura rápida e fácil, encontrei em pdf e baixei quase todos para meu kindle.

@entrelinhas_eafins
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Escolhi também para fazer parte das minhas leituras de férias um livro de poesias, amo poesia e o meu critério de escolha foi outra indicação de amigos: Ana Cristina Cesar. Sempre equilibro minhas leituras entre prosas e poesias, o título A teus pés, de Ana Cristina Cesar chamou minha atenção por vários motivos: Literatura feminina, características de sua escrita-coloquialidade e poesia marginal. Uma poeta que fez parte de conturbados momentos político brasileiro e com uma estética arrasadora.

@entrelinhas_eafins
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Seguindo minha linha de estudos filosóficos, Baumam também foi o escolhido para estrelar as leituras deste recesso. Em Identidade, Zygmunt Bauman permite que nós possamos refletir sobre os processos da formação da identidade no mundo contemporâneo. Filosofo que analisa o apreço pelo instantâneo em detrimento das questões sólidas, o futuro em incerteza e os conceitos de modernidade líquida. Ainda estou na metade, mas me deliciando com a leitura. Segue um trecho que me chamou atenção:
“Em nossa época líquido-moderna, o mundo em nossa volta está repartido em fragmentos mal coordenados, enquanto as nossas existências individuais são fatiadas numa sucessão de episódios fragilmente conectados”.

@entrelinhas_eafins
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E para finalizar, o livro dos ressignificados, de João Doederlein-ou @akapoeta, sou apaixonada pelos verbetes que são veiculados no próprio instagram do autor. Desde que soube que estes verbetes estariam reunidos em um livro, resolvi comprar. É uma leitura fluida e rápida, mas o que não deixa de ter significado e literatura. Doederlein dá um tom a mais a palavras que já conhecemos, que se tornam poéticas ao serem observadas por outro ponto de vista. O livro também é um exercício a ressignificarmos coisas enfadonhas e clichês em nossas vidas.

@entrelinhas_eafins
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Espero que tenham curtido a lista, se quiserem informações sobre onde baixo meus livros, deixe aqui nos comentários ou mande um direct no instagram @entrelinhas_eafins !

17 julho, 2018

GENTE COMO A GENTE com Daniela Tabelini


  Mãe, blogueira, ícone fashion, mulher empoderada, baladeira, geminiana, good vibes e ainda por cima prima da Daniela Cicarelli, rs. Dani é a entrevistada da vez, porque se você quer uma pessoa em Cachu City, que é muitooo influenciadora digital, é ela mesmo. Dani Tabelini é blogueira no “Simbora meu bem”, e também causa no instagram. Além disso, assina a coluna VIAJAR na lacradíssima Revista Leia


Confesso (real), eu amo assistir os stories dela tanto nos locais chiquérrimos, tanto nos vídeos bem caseiros que ela faz. Conheci a Dani, no dia do meu aniversário – eu e uma turma fomos parar num motoclube bem atípico de nossos gostos, ( fora de contexto, mas fazer o que ) e daí no meio da multidão conheci a Dani MARAVILHOSA, eu nem imaginava que ela era instabloguer. Só sei que foi um achado maravilhoso!



1) Como é o seu feed back com esses seguidores? Você tem alguma história incrível ou diferente para nos contar?!

Eu respondo TODAS as mensagens que recebo. Muitas mensagens de seguidoras que dizem gostar de me seguir por eu ser “gente como a gente”. As vezes recebo mensagens do tipo: “Te vi no supermercado, mas fiquei com vergonha de te cumprimentar”. Meio louco né!


Certa vez eu anunciei uma festa que ia rolar que aconteceria durante dia e noite. Recebi muitas fotos de seguidoras postando do local da festa e me marcando dizendo: “Vim aqui para te ver mas você não está”. Porém eu só cheguei ao local da festa a noite e acabei não encontrando com essas meninas. Uma pena. Perdi a oportunidade de conhece-las.


2) É só assistir seus stories que ganhamos várias dicas de possíveis locais para passear e conhecer aqui no ES.  Sério, tem cada lugar lindo, Dani. Imagina que você é uma guia turística, e LISTE 3 lugares, aqui no Espírito Santo, para nós conhecermos, qual seria? Lembre-se que a questão valor é essencial, rs.

·         Pedra Menina eu acabei de conhecer. Fica em Dores do Rio Preto, coladinho no Parque Nacional do Caparaó. Lugar lindo e super charmoso.

                   

·         Festival de Forró de Itaúnas: Já conheço a região mas nunca fui ao Festival.

·         Santa Teresa: A cidade tem desde a parte cultural ao lado boêmio.

3) As pessoas acham que muitas vezes “blogar” é apenas sair postando temas aleatórios ou temas por encomendas. Aff, tem muita gente que pensa assim. Como você seleciona seus posts/stories?


Como uma boa geminiana odeio mesmices. Por isso meus stories não seguem regras. Porém tenho algumas maneiras de agir:

- Agradeço, através dos stories, todos os presentes que recebo.

- Meu termômetro é o stories e os números que ele me traz. Não ligo para quantidade de seguidores, até por que hoje em dia é muito fácil comprar seguidores e curtidas;

- Um outro termômetro é com relação ao empresário que me contrata: Se ele teve retorno com a postagem que fiz, ele vai me chamar para trabalhar novamente;

- Eu odeio seguir pessoas que só postam um determinado tema. Acho chato assistir. Por isso procuro postar do que eu gostaria de assistir.

4)  Sei que você também é muito estudiosa, e que também utiliza a leitura como passaporte do conhecimento. Sei que você lê muito sobre o universo da moda, inclusive me emprestou aquele maravilho , bem babadeiro. Você é uma pessoa leitora? Tem alguma leitura que você indica pros seus seguidores?

Gosto do universo da moda, porém prefiro biografias, como foi o caso do Livro da blogueira Camila Coutinho que te emprestei.



5) Quais os blogueiros ou isntabloguers que você indicaria para seguir?

São vários:
Gosto muito da elegância de Silvia Braz e Luiza Sobral.
Gosto do Feed de Thassia Naves e Julia Tiberio.
Gosto dos stories de Barbara Brunca. Meio viciante mesmo! É minha novela da vida real favorita.

6) Vamos fazer essa lista rápida sobre coisinhas de Cachu. Fique à vontade e siga seu coração! Preparada?

Uma cidade do Espírito Santo: Vitória
Uma viagem inesquecível: Itália para uma viagem a dois e Londres com as amigas.
verão ou inverno? Inverno. Amo frio e ver as pessoas arrumadas por conta desse clima.
dia ou noite? Os dois
um restaurante em Cachu: Katatas
uma música: Learn to fly , Foo Fighters.


um cantor/cantora: Marisa Monte. Porém aprendi a admirar muito o trabalho de Freddie Mercury no Queen.
um filme: Uma prova de amor, com Cameron Diaz. Choro todas as vezes que assisto. Uma lição de vida!
um livro: Leite Derramado, de Chico Buarque.
Uma cor: Preto porque emagrece!
Doce ou salgado? Salgado
Uma curiosidade: Vivo imaginando histórias com pessoas do meu redor ou inventadas. Sempre com um tom de drama. Às vezes até choro com a história que inventei (louco né).
Um cheiro: De café.



29 junho, 2018

Resenha Crítica: Fragmentos e Avessos, de Lina Fregonassi


            Com uma escrita bem autêntica, Lina Fregonassi estreia no mercado literário com “Fragmentos e Avessos”, numa mistura de estrofes poéticas epifânicas e prosas concretas. O livro, que foi publicado em 2017, teve o seu lançamento oficial, na 7ª Bienal Rubem Braga, de Cachoeiro de Itapemirim, que ocorreu neste ano, numa área seleta para lançamentos de obras de autores capixabas.



            Conhecida por seu humor fregonassiano, Lina captura todas as relações afetivas e também sentimentos numa linha tênue poética, como uma espécie de satélite de emoções, que inclusive intitula um de seus textos, o “Sobre ser satélite”.


            A autora elabora com maestria imagens poéticas, muitas vezes com profundidade literária, que são escassas no mercado literário capixaba atual.  Sob essa perspectiva poética da escritora cachoeirense, nota-se um envolvimento com vários “eu amados”, que representam perfis antagônicos de situações amorosas, sendo assim versar sobre parcerias amorosas, se destaque em inúmeros de seus textos.


            Quando se trata de amor, “ Fragmentos e Avessos” mergulha nesses mistos de sentimentos, comprovamos isto lendo “Pra quem me deu amor”; “Seu amor me é certeza”;“Amar. Ainda e sempre”; e “Amor sem filtro” – que embasam a veia dorsal dos textos de Fregonassi. De uma densidade poética única, regada à doses homeopáticas de epifanias, Lina consegue renovar o mercado literário cachoeirense, principalmente, quando se trata de poesia – essa bem rara de publicação. Por fim, é necessário que você se deleite com os fragmentos de Lina, afinal sentimentos/emoções são assuntos universais, que cativam a todos numa só leitura. 



16 junho, 2018

Gente como a gente com Tamara Moureth


           Tamara Moureth,  capixaba, de vinte e poucos anos, com alma de velha e jeito de menina ( ela mesmo se rotula assim). Apaixonada por Deus, pessoas, abraços, livros e poesia -  se mistura entre suas funções administrativas como servidora publica e suas postagens no seu blog. Tamara,que é formada em Direito, é apaixonado por cor-de-rosa, além de ser parceira nesse universo bloguerário, pois Tamara posta de tudo no seu mundo " Tamaravilhosamente". Ou seja, no quadro de hoje estamos bem à vontade porque estamos em casa, rs. 



1) ( bem clichê, mas necessária) Como nasceu o blog? Conte-nos tudoooo!

            Oii eleanáticos! :) Imagina! Amo falar sobre isso! O blog surgiu da necessidade de ter um cantinho para “guardar” meus textos. Sempre gostei de escrever, embora tivesse vergonha de compartilhar, mas chegou uma época que decidi postar no Facebook o que escrevia.
            Para minha surpresa, muitos amigos gostavam de ler e uma amiga em especial (a escritora Ludmila Clio) me sugeriu criar um blog. Eu já tive um blog antes que não dei atenção e morreu rs. Mas, em 2016, seguindo a dica da Lud, decidir criar o Tamaravilhosamente. Agora, o que antes era só um espaço pros meus textos, se tornou uma paixão e hoje me traz muitas alegrias. Amo blogar!

2) Eu sei que você tem uma ótima interação com outros blogueiros e , principalmente, com seus leitores. Sei também que você é bem assídua nos grupos de blogs e afins. Apesar de ter um público muito externo ( fora de Cachu), como é “blogar” em Cachoeiro de Itapemirim? As pessoas do seus círculos sociais conhecem sobre seu trabalho no blog?

            Confesso que no início eu viva um dilema, queria que as pessoas acessassem meu blog, mas tinha vergonha de compartilhar com os conhecidos. Hoje já quebrei isso. No meu trabalho, muitos me chamam de Tamaravilhosamente até. Em outros ambientes, isso também acontece, meus amigos me chamam de blogueira, dizem que leem os posts e tudo mais (embora poucos comentam nas postagens, fica aqui o desabafo rs). 
            Eu tenho consciência que ainda não sou muito conhecida aqui, realmente meu público é mais externo mesmo. Mas sei que, aos poucos, a gente pode incentivar mais os cachoeirenses a lerem blogs.

3) O que motiva a postar? E o que é mais difícil na vida de um blogueiro?

            Com certeza minha maior motivação são as pessoas. Receber um comentário dizendo que se identificou com o que escrevi ou que minha dica foi útil, não tem preço. Sinto como se eu tivesse dado um presente para a pessoa e eu amo presentear. Aprendo muito com essas conexões também, tenho amizades virtuais sólidas e isso é maravilhoso. 
         A maior dificuldade que tenho atualmente é organização do tempo. Tenho meu trabalho fixo como servidora, comecei a fazer encomendas de letterings e, claro, tenho vida social, então preciso me organizar muito para conseguir dar conta de tudo e não deixar o blog abandonado, ainda mais agora que venho firmando parcerias com empresas e é necessário muito compromisso com as datas das postagens.

4) Recentemente, saiu uma matéria com você no Jornal Gazeta né? Sobre esse seu talento de criar letras, que se chama hand lettering, né? Conta pra gente como surgiu essa habilidade na sua vida e como foi a repercussão da matéria, afinal não é todo dia que aparecemos no jornal, rs.

           Pois é, fiquei famosa haha. Na verdade, essa foi outra paixão que surgiu despretensiosamente. Assim como amo ler e escrever, também sempre amei desenhar e colorir. Há uns três anos, vi fotos de desenhos juntando as duas artes (escrita e desenho), achei lindo e comecei a tentar fazer algo parecido, sem nem saber o nome da técnica (na verdade, nem sabia que tinha técnica).
            Em 2016, que descobri o lettering. Vi que não era só pegar uma caneta e sair escrevendo, aprendi que cada letra é vista como uma forma e que elas são desenhadas uma por uma. Entendi que primeiro é preciso planejar o espaço do desenho com linhas guias, fazer rascunho a lápis. Enfim, tem todo um processo. Eu comecei o aprendizado com vídeos no youtube (sempre estou assistindo vários).


         
         Hoje, faço um curso online, da Aline Albino.  De fato, ganhei mais visibilidade após a notícia no Jornal A Gazeta. A maioria dos meus amigos/conhecidos nem sabiam que eu praticava o lettering. Então, aproveitei a oportunidade e comecei a atrair clientes. Amei descobrir esse mundo e agora, já recebo encomendas. É muito bom ver mais uma paixão minha se tornando algo mais sério e alcançando mais gente.

5) Você consegue categorizar o seu blog numa coisa só? Por exemplo, o ELEA é um blog literário, já o Tamaravilhosamente tem um assunto pertinente? Como você lida com essas múltiplas possibilidades de assuntos?

            Muito difícil definir em uma categoria apenas. Eu até tento. Coloco como nicho “Comportamento e vida cristã” que é basicamente o tema dos meus textos e o resto fica incluso no “comportamento” rs. Mas gosto de ter um espaço para tratar sobre todos assuntos que em cercam. Literatura, lettering, DIY, recursos digitais, um pouco de beleza e agora até dica de look. Admiro muito quem consegue focar em apenas um tema no blog, mas eu não consigo e como gosto dessa liberdade, sigo nela.


6) O que você acha de um encontro de blogueiros em Cachoeiro? Tipo um E.D.B KKKK Você conhece outros blogueiros de regiões próximas?

            Seria maravilhoso! Embora meus amigos sempre dizem que eu sou aquela pessoa que marca o rolé, anima todo mundo, chega na hora e não vai! Rsrs mas se marcar, eu prometo que me esforçarei para ir. Eu não conheço muitos blogueiros daqui. Só vocês do ELEA, a Simone Lacerda que vocês conhecem e uma outra amiga minha a Gisele Ramos do Blog Criativando. Infelizmente, ainda não consegui descobrir e me aproximar de mais blogueiros da Capital Secreta. Acredito que um encontro ajudaria muito!


08 junho, 2018

Resenhas do Abou: Por parte de pai, de Bartolomeu Campos de Queirós



Olá, queridos eleanáticos. Tudo certo com vocês? Eu, Vitor Abou, estou de volta hoje com mais uma resenha desse quadro que eu adoro escrever. O livro a ser resenhado dessa vez é Por parte de pai, de Bartolomeu Campos de Queirós, autor falecido em 2012 e muito famoso na literatura infantojuvenil. O meu contato com ele foi devido à faculdade. Tive que lê-lo para uma aula e gostei bastante. Por isso, resolvi comentar um pouco sobre essa obra, que é uma das menos conhecidas do autor e até um pouco difícil de se achar à venda. Vamos lá!

Título: Por parte de pai
Autor: Bartolomeu Campos de Queirós
Editora: RHJ Livros
Número de páginas: 73
Ano: 1995



Sinopse da editora:
‘‘Da recriação de cenários da infância no interior, emerge a cumplicidade avô/neto, num poético exorcismo de saudade. As paredes da casa do avô tornam-se o primeiro livro do menino, mas sua primeira leitura é o olhar do pai. Um mútuo amor calado, imenso, perpassa pelas páginas deste livro em que o avô reina e o neto é o seu súdito encantado.’’

Como disse, li esse pequeno romance para uma aula da faculdade faço Letras, para quem não sabe —, mas tive alguns probleminhas em encontrar o livro. Ele não é tão atual e não teve novas tiragens recentemente. Porém, não é difícil achá-lo em sebos, sobretudo virtuais, como a Estante Virtual. Algumas livrarias ainda possuem ele, mas é necessário encomendar ou comprar online. Em lojas físicas é bem mais complicado de achar.

Resumidamente, o livro é narrado em primeira pessoa por um menino, que conto o seu convívio com seu avô, numa região no interior de Minas Gerais. Mas a narrativa não se restringe a isso. O menino conta como é o seu cotidiano, o que costuma fazer quando vai para a casa dos avós, etc. Esse avô é muito especial por ser um escritor um pouco diferente. Ele não usa papel ou qualquer material parecido para escrever. Usa as paredes de sua casa. Isso mesmo! As paredes são o local de sua escrita.


Um elemento muito importante para dar o tom sensível e poético do livro é a linguagem. Ela é extremamente simples, até porque se trata de uma obra destinada ao público infantojuvenil. Mas essa leveza da linguagem também é fundamental para um ar mais metafórico, optando por descrever todas as minúcias desse ambiente rural, o que aproxima o leitor. Provavelmente, todo mundo já foi em algum lugar no interior e a forma única de narrar, escolhida por Bartolomeu Campos de Queirós, reúne elementos comuns em todos esses ambientes rurais, principalmente a simplicidade e o acolhimento, características muito marcantes do avô do narrador também.

O motivo para esse convívio tão intenso entre o menino e o avô é uma doença da mãe, que está no hospital, já o pai vê o filho de vez em quando. Essa questão mexe muito com o menino, que também possui outras indagações típicas da infância. Ele é extremamente curioso, inquieto e, sobretudo, um admirador de seu avô, que registra tudo o que vê ou ouve pela região.

A passagem do tempo é outro aspecto a ser observado nessa obra. Não há marcações tão específicas dessa passagem, apesar de sabermos que o tempo está mudando, devido à ocorrência de diversos fatos, como a morte de um galo, que mexe muito com o narrador. Campos de Queirós deixa isso bem presente nesse trecho:

‘‘O tempo tem uma boca imensa. Com sua boca do tamanho da eternidade ele vai devorando tudo, sem piedade. O tempo não tem pena. Mastiga rios, árvores, crepúsculos. Tritura os dias, as noites, o sol, a lua, as estrelas. Ele é o dono de tudo. (...) Ele consome as histórias e saboreia os amores.’’ (p. 71)

Esse trecho é falado pelo avô. Um avô durão, que praticamente não chora, mas também um avô sensível, uma espécie de professor para esse neto, conversando e aconselhando-o sempre que possível. Por esse motivo, a leitura desse livro é extremamente nostálgica, pois reacende, em nós, leitores, memórias e lembranças dos nossos avós ou outros parentes queridos.

Em relação à diagramação e ao trabalho artístico dele, gostei bastante também. Como já falei, é um livro bem curtinho. Eu mesmo li bastante rápido. A letra também é grande, mais um artifício bom para atrair o público infantil. A capa é muito bonita. Não sei se essas pessoas são parentes do autor ou de algum membro da editora, mas achei super essas fotografias muito interessantes e relacionadas à proposta do livro, que é trazer memórias sobre o avô.


Finalizando: ‘‘Por parte de pai’’, apesar de ser considerado como infantojuvenil, agrada vários outros públicos, por ser uma narrativa simples e bem próxima da nossa vivência, ainda mais por se passar no interior de um estado brasileiro. Recomendo que você, querido leitor do ELEA, procure esse livro no sebo ou até em alguma biblioteca em sua cidade.

Espero que leiam essa preciosidade da nossa literatura nacional infantojuvenil e que curtam muito, assim como eu curti. Até a próxima, eleanáticos!