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14 abril, 2018

Domingo é dia de “Aloka”.


   Muito melhor que Alok, “A loka” está de volta aos palcos de Cachoeiro de Itapemirim. A peça teatral narra a saga das drags Noxema, Vida e Tee Tee, dessa vez com novas confusões e também novos atores. Isso mesmo, o elenco está totalmente repaginado.


            A Personalidade Cia. de Teatro apresenta a sétima edição da divertidíssima "Aloka", no teatro Rubem Braga, a partir das 20h deste domingo (15). Juntamente com Tonny , o Tainal Gratival também retorna aos palcos com os atores Jeff Vieira, Nill Ramos, Koala Motta, Renaldo Hora, Jean Carlos, Everaldo Fernandes,  Renan Schayder e Klédison Ramos, que também é diretor da peça.




            Particularmente, eu gosto muito do texto do Tonny Campbell. Acho um texto deliciosamente divertido; sem ser algo pastelão, ácido; quando precisa criticar ou alertar o público para assuntos pertinentes como a homofobia e também um texto verossímil, pois Tonny faz questão de citar características de Cachoeiro, sendo por nomes de bairros, locais ou figuras conhecidas – isso torna aproxima o público da história. Pelo que acompanho em Cachoeiro, o grupo é referência quando se trata de fazer comédia, visto que já se soma um publico aproximadamente de 20 mil pessoas.


( Aloka na 6ª edição)

    Sobre o fato de encenar o mesmo personagem por tanto tempo Tonny comenta “ Cara é uma loucura. Porque a Noxeema é oposta a mim. Mas, vendo vídeos de apresentações antigas eu já consigo imaginar como se ela fosse uma amiga minha. Uma vizinha. Que ela existe. Então acho que quando subo no palco eu penso e tenho a sensibilidade dela. Isso, eu adquiri com esse tempo todo”.

    Ainda sobre o desafio de cada apresentação o ator e também diretor abre o jogo “Me sinto privilegiado por conseguir chegar a sétima edição e com tudo que a peça conquistou e ver aonde ela chegou.  Fazer teatro é difícil. É caro e muito pouco valorizado. Mas a gente ama e vai pra oitava, nona, décima edição”. Fico muito feliz e torço para que o grupo sempre lote o teatro, afinal sabemos que são raríssimas as apresentações culturais em Cachoeiro.

   Espero que “Aloka 7” tenha muita música para que nós possamos dançar juntos, afinal fora o texto cômico de Campbell, a marca carimbada das apresentações do grupo são os musicais. Um momento Rouge seria maravilhoso, visto que a banda retornou com tudo e está no auge novamente, mas é lógico que sucessos como Anitta, Ludmilla e Pablo Vittar não podem faltar. Além daquelas músicas nostálgicas que fazem a gente voltar no tempo e balançar bastante na cadeira, rs. Bora pro teatro, gente!

   Só pra lembrar os ingressos estão R$30,00, já a MEIA é R$15,00, estará sendo vendida até as 18h de amanhã (15/04).

Abraceijos!

12 abril, 2018

Café literário: Da capital secreta pro mundo.




Saudações, Eleanáticos!

Voltei oficialmente com minhas postagens no blog e nas redes sociais adjacentes, e já chego trazendo para vocês o convite de uma noite carregada de literatura e poesia, que acontecerá aqui em Cachoeiro de Itapemirim, nossa terra tão amada.
Os alunos do Ensino Médio, do Colégio Equipe, farão a apresentação de um sarau na Casa dos Braga, no espaço intitulado Praça da poesia. O evento será às 19h30mim, nesta sexta-feira, dia 13 de abril.
A apresentação traz como proposta a valorização da literatura capixaba, mostrando que a nossa grama sabe ser tão verdinha quanto as dos vizinhos. Segundo os organizadores do evento, teremos leitura dos textos de Newton e Rubem Braga, Paula Garruth, Simone Lacerda, Felipe Bezerra, Higner Mansur, entre outros autores que mostram que fazemos literatura de qualidade.
A diretora educacional do Equipe, Gracianne Saloum, explica: “A nossa escola tem como filosofia educacional levar os nossos alunos a almejar algo mais do que se aprende dentro de sala de aula. A noite literária fica sob a responsabilidade da área de linguagem e, no decorrer dos 10 anos de escola, já foi trabalhado diferentes aspectos da literatura e de tudo que envolve esse universo. Esse ano, em especial, os professores apresentaram os escritores de nossa cidade, fazendo com que os alunos fossem além de Ruben Braga”. Além disso, a diretor chama atenção: “Levar para o adolescente o gosto pela leitura em uma era tão digital deixa de ser somente um desafio, mas também uma realização, visto que vivemos numa era tecnológica. ”
Confiram algumas imagens dos bastidores:



É claro que sob o pé de fruta pão e toda magia literária que a Casa dos Braga nos traz o evento não deixará de ser um sucesso. Além disso, dentre os organizadores está o nosso blogueiro querido Ronald Onhas, que faz parte aqui do ELEA também, mais um motivo para não deixar de conferir, pois Ronald eixa marcas do seu talento por onde quer que vá. Não deixe de prestigiar um evento que enaltece nossa cultura, só para relembrar: Acontece dia 13 de abril, sexta-feira, ás 19h30mim, na Casa dos Braga. É claro que estarei lá registrando tudo no Instagram do blog (@entrelinhas_eafins) e conto com a presença de vocês!

15 março, 2018

O menino ensolarado


      Todo dia era o mesmo percurso. Acordava sorrindo para as margaridas, que enfeitavam o canteiro de sua janela, ia para escola, ensolarando por onde passava. Dava um “oi” pra vizinha adoentada; que sempre ficava na janela esperando ele passar, cumprimentava a menina da rua de cima, que levava todo (santo) dia seu vira lata para passear. Entrava na padaria, acenava para o padeiro, ria para a balconista e saia feliz para escola; mesmo passando o olho nas manchetes jornalísticas do dia.


            No meio do caminho, dava “bom dia” para as crianças que iam para escola, para os colegas que lhe acompanhavam a atravessar a ponte e até sorria para os “insorrivéis”, num gesto de carinho, mas também corajoso, de demonstrar simpatia para aqueles, que muitos entortam a cara. Tudo naturalmente.

            Num dia desses cinzentos e sem graça acordou de modo diferente: não queria sorrir. Ele tinha medo, preferia não se expor naquele dia. Mas, precisava ir à escola. Fechou a cara, guardou o sorriso e partiu para o colégio.

A vizinha adoentada esperou o seu sorriso, mas ele passou de cabeça baixa e seguiu adiante, quando viu a dona do cachorro também fugiu dela, não abrira seu sorriso para ninguém. Passou pela padaria, quis comprar um sonho, mas apenas passou de longe, sem falar com o padeiro e com a balconista. Até os “insorrivéis”, que já esperavam o sorriso de “bom dia” do menino ensolarado, estraram a cena, e por mais que evitassem qualquer expressão de sentimentalismo barato, sentiram falta do sorriso. E assim os dias foram ficando acinzentados ...

Foi quando a vizinha do garoto ensolarado piorou, foi levada às pressas para o hospital; parecia que o quadro clínico da senhorinha tinha agravado. A menina, que já não mais passeava com seu cachorro, por coincidência, era esposa do padeiro, que numa dessas rotineiras discussões, acabaram desfazendo os laços matrimoniais. O padeiro, que fazia os melhores sonhos da região, acabou por “incoincidência” de um dia acinzentado perdendo sua vida ...

Foi quando um dos “insorrivéis”, já carente de um sorriso, invadiu a padaria, num ato rápido e trágico, atirou contra o padeiro, que havia defendido a balconista. Enquanto, o ladrão, carente de sorriso, atravessava a rua, fora atropelado por uma ambulância. A mesma ambulância que trazia de volta a senhora adoentada para a casa; a vizinha do garoto ensolarado. Com o impacto, a senhorinha não aguentou. O “inssorivel”  clamou por perdão, mas ninguém o ouviu, assim como ninguém ligava para ele, ninguém o cumprimentava. Ninguém o acudiu. Prenderam-no e jogaram-no num camburão.


Ficaram sabendo depois, que aquele mesmo homem ficava ali todas as manhãs esperando o menino ensolarado, apenas para ganhar um “bom dia” e evitar que ele mesmo cometesse uma atrocidade. Ficaram sabendo, que o padeiro e sua esposa brigavam todo dia, mas por causa da simpatia do menino; o padeiro se acalmava e usava sua energia confeitando os doces mais incríveis da região. Ficaram sabendo também, que a senhorinha adoentada, tinha câncer e que os médicos diziam que a “hora” dela já tinha chegado, mas por um mistério divino ela ainda vivia.



O menino ensolarado também ficou sabendo de todas essas histórias, muito triste já não tinha mais forças para sorrir. Mas, lembrou-se daqueles que não riem, daqueles que não são abraçados, daqueles que não são amados e resolveu deixar o ego inflamado de escanteio. Voltou a sorrir, resolveu que todos tinham direito a um “bom dia” ou até mesmo um sorriso amarelo e prometeu que daquele dia em diante ninguém, jamais, ficaria sem um sorriso. Saiu pelo bairro ensorrisando por aí, ensolarando a vida de muitas pessoas.


11 março, 2018

Resenhas do Abou: Eu sei onde você está, de Claire Kendal



          Olá, queridos eleanáticos. Tudo bem com vocês? Estou de volta com mais uma resenha do Abou, esse quadro que eu adoro. O livro a ser resenhado hoje é o eletrizante ‘‘Eu sei onde você está’’, escrito por Claire Kendal, e publicado pela editora Intrínseca. Escolhi esse livro na livraria, principalmente, pela sua estética. Achei a capa lindíssima e, após ler a orelha, fiquei ainda mais instigado a ler. Essa é uma obra bem profunda e que traz à tona um tema muito importante a ser discutido. Vamos lá!

Título: Eu sei onde você está
Autora: Claire Kendal
Editora: Intrínseca
Número de páginas: 303
Ano de publicação: 2017


Sinopse da editora:
‘‘Rafe está em todos os lugares. E Clarissa vai encontrá-lo, mesmo sendo a última coisa que gostaria que acontecesse. Vai encontrá-lo na universidade onde ambos trabalham, na estação de trem, no portão do prédio onde mora. As mensagens do homem lotam a secretária eletrônica de Clarissa, os presentes dele abarrotam sua caixa de correio. Desde a noite traumática que passaram juntos alguns meses antes, ela se vê em uma armadilha da qual não consegue escapar. E ele se recusa a aceitar um não como resposta.
A única saída de Clarissa para esse pesadelo angustiante são as sete semanas que passará em um tribunal, onde foi escalada para compor um júri popular. A vítima em questão viveu experiências que revelam uma similaridade macabra com a vida da jurada. Conforme o julgamento se desenrola, Clarissa percebe que, para sobreviver às investidas obcecadas de Rafe, será necessário se arriscar. Começa então a reunir evidências da insanidade do perseguidor para usá-las contra ele e relata todo o terror psicológico e físico a que é submetida, o que a obriga a reviver cada momento doloroso que vem tentando desesperadamente esquecer.’’
         
          Resumidamente, o livro conta a história de uma mulher perseguida por um homem obsessivo, que vai atrás dela em diversos momentos, até mesmo em seus pesadelos. Todo esse caos na vida de Clarissa acontece ao mesmo tempo em que ela participa como júri de um julgamento por um caso que também envolve perseguição e violência à mulher.

          Confesso que escolhi esse livro, na livraria Saraiva, sobretudo, pela capa. Estava procurando um livro que me atraísse e minha atenção logo foi capturada por ‘‘Eu sei onde você está’’. Sua capa, enigmática, macabra, obscura e instigante, me fez ler o seu resumo, o mesmo que reproduzi acima. Fiquei muito interessado e curioso. Apesar de não ter costume de ler tramas que abordam essa temática de abuso sexual, resolvi dar uma chance a esse livro que parecia ser tão bom. Nunca tinha ouvido falar dele, não sabia muita coisa a seu respeito. De primeira, me lembrei do livro ‘‘Caixa de pássaros’’, já resenhado nesse mesmo quadro e que também era um thriller psicológico relacionado à perseguição, só que, no livro de Malerman, o motivo da perseguição era uma criatura que ninguém conseguia, numa época pós-apocalíptica, enquanto o de Claire Kendal se passa nos dias atuais, retratando um assunto muito presente, que é o assédio e a violência à mulher.


          Não se trata de um livro que busca exaltar a mulher a todo momento. É um livro no qual a abordagem desse tema social é um pano de fundo muito marcante e fundamental para o desenvolvimento de suas ações e situações. Outra temática abordada, mesmo que sutilmente, é a forma como a polícia trata de casos de abuso. Clarissa, em diversos momentos, narrou seu medo de ser ridicularizada ou ter suas provas não aceitas na delegacia. Esse é também o pensamento de muitas mulheres e isso, infelizmente, as leva a não denunciar.

Por meio do recurso de narrador-personagem, nós, leitores, acompanhamos as confissões dessa protagonista, como se ela estivesse escrevendo-as para Rafe (o homem que a persegue). Porém, ela não é a única narradora. A narração se alterna e é feita em 3ª pessoa, por um narrador que sabe muito além do que pode ser visto, ou seja, um narrador onisciente. Essa alternância pode ser percebida pela mudança de fonte do texto.

          A construção da narrativa é muito bem feita por Claire Kendal, que utiliza diversos artifícios narrativos para atrair o leitor, como a linguagem simples, que facilita a leitura e aproxima também os leitores dos personagens. Todo esse relacionamento obsessivo, esse amor tóxico é muito bem explorado pela autora. Por isso, em vários momentos, fui surpreendido pelo livro. Quando pensava que aconteceria uma situação, na verdade, acontecia outra. É um livro recheado de reviravoltas. Apesar de ser situado fora do Brasil, esse thriller tem vários elementos que poderiam permitir que ele fosse passado no nosso país, infelizmente, devido à existência, ainda hoje, de costumes e práticas machistas e violentas em nossa sociedade.

          Como disse, foi surpreendido. Mas também fui envolvido. Em vários momentos, principalmente, nos surtos de Rafe, que resolvia perseguir Clarissa, meu coração de leitor já acelerava e minha vontade era de entrar naquele momento e salvar Clarissa, que é uma mocinha muito encantadora e amável, enquanto que Rafe é um vilão que eu amei detestar. Senti nojo, senti raiva, senti ódio... Todos esses sentimentos ruins.


          Finalizando: ‘‘Eu sei onde você está’’ é um livro perfeito para os fãs de suspense. Leitura indispensável para eles. Vai ficar marcado para sempre por mim devido à sua mensagem forte, mas também objetiva, sem enrolações. Aviso também que a obra possui algumas cenas bem fortes, como descrições sobre estupro. Logo, se você não curte muito isso, já deixo meu recado. Mas, na minha opinião, esses relatos só trouxeram mais verdade à obra.

          Encerrando, não tem como eu não dar menos de 5 estrelas para esse livro fantástico, maravilhoso, forte e reflexivo.


    ✮   


          Espero que leiam o livro e que se apaixonem por ele igual aconteceu comigo. Até a próxima!

28 fevereiro, 2018

Resenhas do Abou: O Ateneu, de Raul Pompeia


Olá, queridos eleanáticos. Tudo bom com vocês? Hoje, eu, Vitor Abou, estou de volta com mais uma resenha. Essa resenha de hoje marca o retorno desse quadro que eu adoro tanto, o Resenhas do Abou, que inicia sua temporada 2018 com um clássico da literatura brasileira. Estou falando do famoso ‘‘O Ateneu’’, de Raul Pompeia, conhecido escritor que transitou entre Realismo e Naturalismo. Li esse livro na escola há uns anos e só agora resolvi fazer essa resenha, em meio a tantas mudanças em nosso sistema educacional. Bora lá!


Título: O Ateneu
Autor: Raul Pompeia
Editora: Zahar
Número de páginas: 264
Ano de publicação: 2015
        
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Sinopse da editora:
"'Vais encontrar o mundo', disse-me meu pai, à porta do Ateneu. 'Coragem para a luta.'"
A luta foi grande para Sérgio, o narrador que revive a traumática experiência do internato e o sofrido rito de passagem da infância para a adolescência. E grande também foi a empreitada de Raul Pompeia, que com esse romance rompeu barreiras temáticas - criticava abertamente a elite brasileira e deu papel central à homossexualidade - e estilísticas, transitando livremente entre a ficção, a poesia e o ensaio. O resultado é um livro surpreendente, um dos primeiros romances modernos da literatura brasileira, repleto de inovações e ousadias.
O Ateneu: edição comentada e ilustrada traz o texto integral e as 44 ilustrações originais de Raul Pompeia, notas explicativas e uma apresentação que recupera as principais linhas interpretativas do romance, desde a época de sua publicação até nossos dias, escrita especialmente para essa edição. A versão impressa apresenta ainda capa dura e acabamento de luxo.

         Esse grande clássico da nossa literatura, resumidamente, conta a história de Sérgio, que entra na adolescência e tem uma grande mudança em sua vida: é mandado para estudar no colégio interno só de homem, o Ateneu, conhecido por seus costumes tradicionais e elitistas. O próprio protagonista é quem narra todas as suas aflições, alegrias, tristezas, fugas, etc. Porém, ele narra tudo isso anos após esse período no internato, onde surgiram muitas reflexões típicas da adolescência, como em relação à sexualidade.

         Publicado originalmente no final do século XIX, a obra, como comum na estética literária do Realismo, tece diversas críticas à sociedade da época, sobretudo, em relação à elite e à educação passada aos jovens dessa classe social, apresentando como esse ensino era crucial na formação dos indivíduos, alguns de forma positiva e outros de forma negativa. Todo o universo criado por Pompeia dentro daquele internato representava a sociedade da época, seja por meio da desigualdade e das injustiças, ou por meio do autoritarismo, com o diretor Aristarco, um homem severo e cruel com os alunos, chegando a humilhar alguns deles.

         ‘‘A primeira impressão é a que fica’’. No caso do personagem Sérgio, essa frase não se aplica tanto. Ele muda completamente a sua opinião a respeito do internato. De início, Sérgio encontrava-se deslumbrado com aquele universo tão diferente do que ele vivia. Adolescente, ele sentia-se mais maduro e independente ao sair da casa dos seus pais. Para quem até então tinha estudado em uma ‘‘escola familiar’’, como é narrado logo no 1° capítulo, o internato era um ambiente desafiador, que, na percepção de Sérgio, consagrava-o como adulto. Entretanto, ele passou a perceber que, na verdade, tudo era bem diferente do que ele tinha imaginado.

         O subtítulo do livro, geralmente esquecido nas resenhas e estudos, é ‘‘crônicas de saudade’’, ou seja, mais uma prova das saudades sentidas pelo narrador daquela rotina que era levada por ele antes do internato. Uma rotina que permitia que ele brincasse, que ele tivesse mais liberdade do que no ambiente ao qual foi levado.

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Imagem do site Vida Literária

         Em relação à linguagem, como é de se imaginar, trata-se de formalidade e rebuscamento. Por esses motivos, muitos leitores acabam tendo dificuldade em entender palavras e até as situações narradas. Há diversas relações de intertextualidade com o Classicismo, a filosofia, a história, as artes, como sobre Robinson Crusoé, Epicuro, Alexandre Dumas. Mas tudo isso é muito bem explicado pelas notas de rodapé, pelo menos na edição da Zahar, que ajuda bastante seus leitores na interpretação.

         Alguns pesquisadores e até leitores acreditam que a obra foi pioneira ao retratar a questão da homossexualidade. Entretanto, essa abordagem, no livro, não é aprofundada.  Isso parte mais da imaginação e da interpretação que cada leitor dá à obra, afinal, um livro pode ter diversas interpretações de acordo com quem o lê.

         Uma história densa e crítica. Assim é possível definir esse grande sucesso de Raul Pompeia. O final da obra não deixa a desejar, muito pelo contrário, é extremamente inesperado e só comprova a vontade de Pompeia de levar seus leitores à reflexão.

         Também não poderia deixar de comentar a respeito da edição da Zahar. Essa editora tão competente tem feito ótimas edições de clássicos da literatura brasileira e mundial, envolvendo desde obras de Jane Austen a clássicos portugueses, como ‘‘Os maias’’. A capa dura da Zahar também é um charme que muito me atrai. As ótimas notas de rodapé, como já citei, também são muito importantes para tornar a leitura mais fácil e prazerosa.

         Encerro agora com uma novidade no Resenhas do Abou de 2018. Em todo final de resenha, avaliarei a obra usando as estrelas, de 1 a 5. As estrelas pintadas correspondem à minha avaliação.


           

         E essa foi a primeira resenha do Abou da temporada 2018. Semana que vem tem mais. Até lá!