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23 janeiro, 2018

The Mystery Blogger Award


Oi, queridos leitores do Entrelinhas e Afins. Aos poucos nossa equipe está voltando de um período merecidíssimo de férias e descanso. Hoje, eu, Vitor Abou, trago, com um pouco de atraso, mas, muito feliz, o meu agradecimento em nome do ELEA à querida Tamara do Tamaravilhosamente  , um blog muito legal dessa cachoeirense, que nos indicou no prêmio The Mystery Blogger Award. Agradecemos muito à Tamara por essa bela surpresa e reconhecimento.
Para quem não sabe, farei agora uma apresentação do prêmio e os indicados pelo ELEA.


''O Mystery Blogger Award é um prêmio para blogueiros incríveis com postagens engenhosas. Seu blog não só cativa: ele inspira e motiva. Eles são um dos melhores e eles merecem todo o reconhecimento que eles conseguem. Este prêmio também é para blogueiros que acham diversão e inspiração em blogs e fazem isso com tanto amor e paixão.'' 

(Okoto Enigma)

As regras para participar da tag são essas:

Colocar a imagem do prêmio no seu blog
Listar as regras;
 Agradecer a quem nomeou e fornecer link para o seu blog;
 Mencionar o criador do prêmio;
 Contar a seus leitores três coisas sobre você;
 Nomear até dez pessoas;
 Notificar os seus indicados, comentando no seu blog;
☺ Pedir a seus leitores que respondam cinco questões de sua escolhaperguntas estranhas ou engraçadas;
 Compartilhar um link com a sua melhor postagem.












Três coisas sobre nossa equipe:


Como nossa equipe é formada por três pessoas, — eu, Vitor; Nath Dias e Ronald Onhas — cada um terá direito a uma curiosidade:


#1: Nathalia DiasGuarda livros ainda no plástico na estante. Cozinha é seu 2º lugar favorito, o 1º é qualquer lugar onde ela possa deitar para ler/assistir alguma coisa. Viciada em séries, apaixonada pelo seu trabalho e pela arte de ensinar.

#2: Ronald Onhas - Sou fã de reality show, já morri afogado (e ressuscitei), fiz teatro durante parte minha infância. Ah, eu amo batata palha com leite condesado, rs. (não é nojento, tá).

#3: Vitor Abou - Sou o mais novo do blog, tenho 17 anos e começarei esse ano a cursar faculdade de Letras - Língua Portuguesa, minha paixão. Já lancei um livro, participei da Bienal ano passado, escrevo webnovelas e amo doce, principalmente, mousse, churros e gelatina. 


Nomear 10 pessoas:



5 perguntas feitas pra nós:

#1: Por que você criou um blog? 
Criamos o blog com intuito de criar um mundinho nosso, no qual misturassémos um pouco de literatura de peso e um pouco de literatura por fruição. Tínhamos o desejo de, principalmente, enaltecer as obras, autores e literatura local. Valorizar nossa região, sabe ?!

#2: Onde você quer chegar com seu blog?
Ah, os sonhos são bastantes. Acho que uma parceria com editora de peso seria interessante e acentuaria nosso trabalho como blog literário. Apesar, que andamos colhendo bastante coisa boa.

#3: O que você tem a dizer sobre 2017? 
2017 foi um ano muito especial para o Entrelinhas e Afins. Ronald e Nathalia participaram de diversos eventos pelo blog, inclusive recebendo premiações regionais. Além disso, a minha chegada ao blog foi muito importante para mim e para os nossos leitores, creio eu, trazendo novidades e também tivemos a cobertura da Bienal do Livro do Rio, da qual participei como espectador e como autor.
#4: E 2018, o que esperar dele?
Esperamos de 2018 muitas surpresas, parcerias com autores e editoras para continuarmos trazendo boas dicas literárias e resenhas também. Queremos também ampliar nosso público para além do Espírito Santo, algo que aos poucos estamos conseguindo já.
#5: Conte uma piada! 
O que é um pontinho verde na selva? Um greenrila. 

5 perguntas para nossos indicados e leitores:

#1: Qual sua comida favorita?
#2: O que você gosta de fazer nas férias?

#3: O que esperar do blog nos próximos meses?

#4: Qual seu livro favorito?

#5: Assiste a alguma série? Conte-nos.

Link com nossa melhor postagem:


Foi uma série chamada " Contos Nossos". Falar que é a melhor eu não posso, mas posso dizer que foi a que marcou todos. Pois, naquela época escrevíamos contos, que tinha duração de uma semana, no qual cada dia da semana; ou seja capítulo, era escrito por um blogueiro. Isso nos unia bastante e fazia com que nós tivéssemos inspirações infinitas. Época de faculdade as ideias pipocavam!!! Um desses contos se chamou Pryscilla. Abaixo o primeiro capítulo:




Quem quiser responder também, sinta-se à vontade! 
Abraços, pessoal do ELEA, e até a próxima!

01 dezembro, 2017

Resenhas do Abou: Extraordinário, de R. J. Palacio

           
           Olá, queridos eleanáticos. Tudo bom com vocês? Hoje é dia de mais uma resenha do Abou. Dessa vez, o livro a ser comentado é Extraordinário, da norte-americana R. J. Palacio, que terá sua versão cinematográfica lançada no Brasil no dia 07 de dezembro. Com certeza, as salas de cinema do país lotarão por causa desse filme, já que o livro fez e ainda faz muito sucesso por aqui, desde 2012, quando foi lançada a sua primeira edição. Mas enquanto o filme não estreia, confira AQUI o último trailer.


         O romance conta a história de August Pullman, conhecido por Auggie, que tem uma doença genética, responsável por uma deformação facial. Ele é extremamente maduro, apesar de muito pequeno, e já passou por diversas cirurgias e por vários dias no hospital. A obra se inicia com a entrada de Auggie na escola, um universo até então muito estranho para ele, que não costumava interagir com outras crianças de sua idade. No início, o menino sofre muito com o preconceito dos colegas de classe, que o discriminam pela sua condição física. Embora todo esse preconceito, Auggie resolve não tratar os demais com grosseria e falta de educação, mas sim com amor e gentileza, mais uma prova de sua maturidade.

         A narração do livro é feita por Auggie e por outros personagens da obra, de forma intercalada. Assim, é possível perceber ainda melhor as características dos personagens, como a doçura de Via, irmã do protagonista. Com esse estilo tão peculiar, a autora acertou e muito, já que são mantidos também os traços de escrita de cada um, como o modelo de Justin, que não utiliza letras maiúsculas, adotando uma escrita única e muito ligada ao cotidiano.


         Auggie consegue comover a maioria de seus leitores. Eu, quando ganhei esse livro de presente, já sabia de sua boa repercussão, mas não imaginava ser envolvido e ser encantado de tal forma por um simples livro infantojuvenil. Porém, a questão é exatamente essa: ‘‘Extraordinário’’ é muito mais do que um livro infantojuvenil qualquer, é um livro muito mais humano, emocionante, comovente e sensível. O jeito de Auggie ser, com certeza, é um dos mais importantes fatores responsáveis por toda essa emoção. Esse jeito amoroso, consciente, compreensivo, engraçado, na medida do possível.


         Além disso, a linguagem é sempre muito importante em um texto, já que, em alguns casos, o seu rebuscamento afasta os leitores. Nesse caso, temos uma linguagem bem simples, informal, devido ao fato de os narradores serem crianças e adolescentes, coincidindo com a idade da maioria das pessoas que leem a obra. A alternância de narradores só contribui para o aumento da aproximação entre eles e o leitor. Via, a irmã de Auggie, em especial, conseguiu me encantar, por toda a sua sensibilidade com o irmão diferente. Logo no primeiro capítulo narrado por ela, há uma mensagem linda:

‘‘August é o Sol. Eu, a mamãe e o papai giramos em volta dele. O restante de nossa família e de nossos amigos são asteroides e cometas flutuando ao redor dos planetas que orbitam o do Sol. ’’

         Dessa maneira tão única e sensível, Via inicia a sua narração após a chegada do irmão, deixando claro o quanto positiva foi essa chegada, surpreendendo aqueles que achavam que ela teria raiva e ciúmes excessivos do irmão, que recebe maior atenção dos pais e dos familiares.
         A partir do livro, foi possível também perceber a evolução de August enquanto pessoal. Enquanto no início ele tinha muito medo de ir à escola, no final, ele mostra-se mais forte para enfrentar qualquer obstáculo, passando a se aceitar, um passo fundamental.
         Comentando brevemente a respeito da edição e da diagramação, só tenho o que elogiar, começando pela belíssima capa. Não sei se serão lançadas outras capas baseando-se no filme, mas faço questão de aguardar a atual, azul, comigo para sempre. De forma bem especial, a separação entre os narradores também foi muito bem organizada pela Intrínseca. Belíssimo trabalho da editora!


         Portanto, chego ao fim de mais uma resenha elogiando muito e aplaudindo de pé R. J. Palacio por esse livro INCRÍVEL, EXTRAORDINÁRIO, que ocupa um lugar especial na minha prateleira e, principalmente, no meu coração e na minha memória. Recomendo que todos leiam e que divulguem para mais pessoas. Também acho que seria maravilhoso se as escolas adotassem esse livro incrível, que tem mensagens belíssimas. Entretanto, isso não quer dizer que a obra não é ideal para adultos. Muito pelo contrário, ela é para TODOS, até para adultos, já que a reflexão sobre a nossa vida e como os nossos problemas podem parecer tão pequenos diante dos problemas do outro. Outra mensagem importante levantada pela obra é a de que não devemos nos deixar abater pelo que falam, pois devemos nos importar com a nossa essência.





05 novembro, 2017

O melhor remédio ainda é o respeito

Já pensou, se o governo distribuísse vacinas anti-gays nos postinhos de saúde? Ou, nas escolas os professores ao invés de ensinarem o português e a matemática ensinassem a gramática heteronormativa, juntamente, com os cálculos para ser um hétero machista e medíocre. Ou, quem sabe, as igrejas reservassem cultos e missas especiais com teor de censura homossexual.

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Sem homossexuais, com certeza Beyoncé, Madona e Anitta – e todas as divas pops perderiam seus exércitos de fãs, os “heteros” não teriam mais como frequentar as baladas gays com suas desculpinhas. Vai querer me dizer que eles vão também acabar com as gírias gays? A partir de agora “lacrou”, “arrasou” e “miga, sua louca” serão automaticamente banidas do nosso idioma? Qualquer ser falante – gay ou simpatizante – que ousar reproduzir qualquer tipo de palavra transviada será punido severamente obrigado a repetir centenas de vezes “top”, “breja” e “ berrô”?

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Minha dúvida suprema: porque se preocupar tanto com a vida alheia dos outros?  O que a tal bancada evangélica tem a ver com a vida sexual dos gays? Por que eles não fiscalizam os políticos corruptos ao invés de criarem uma cura gay? Eles poderiam aproveitar o gancho e criarem a cura da corrupção, da canalhice, da hipocrisia, do preconceito ... Na verdade, eles poderiam curar a alma deles, pois os verdadeiros doentes estão por trás disso.

Chega ser cômico, pensar numa cura gay sob o contexto do nosso país. É só olhar o caos da saúde pública no Brasil: poucos médicos, falta de medicamentos, estruturas de hospitais arcaicas e perigosas, filas de esperas e milhares de pessoas morrendo – diariamente - por causa um atendimento de péssima qualidade, em qualquer desses hospitais públicos, que parecem até matadouros. E, mesmo assim eles inventam a patética e enojável cura gay.

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Já não chega o preconceito que um homossexual sofre todos os dias? As dificuldades de aceitação em casa, na escola, na faculdade e até mesmo no serviço. Não basta o preconceito no shopping, no restaurante, na praia, no ônibus? Não bastam os olhares julgadores das crentes fervorosas da igreja da esquina? Não basta as pessoas lhe rotularem por promíscuo apenas por você amar uma pessoa do mesmo sexo? Ninguém escolhe a orientação sexual!

 É revoltante, após anos de conquistas pelos direitos chegarmos a esse retrocesso! Não foi fácil conseguir o direito de adoção por casais homoafetivos, o direito dos trans usarem os nomes sociais, o reconhecimento da união estável e muitos menos da inclusão do companheiro na declaração de imposto de renda. Foi tudo árduo e penoso.

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O melhor remédio ainda é o respeito. Não é porque eu sou Flamengo, que preciso odiar quem é Fluminense. Não é porque eu sou fã de Claudia Leitte, que preciso enojar Ivete Sangalo. A sua preferência não deve invadir a do outro. Cure sua alma, antes de relinchar qualquer gota de preconceito! 

31 outubro, 2017

115 anos de Drummond: Como não se encantar por esse itabirano?

''No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.

Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra.''

            Provavelmente, você já conhecia esse poema, não é mesmo? Ele é de Carlos Drummond de Andrade, que, há exatos 115 anos, no dia 31 de outubro de 1902, nascia na cidade de Itabira, em Minas Gerais. Naquela época, ninguém fazia a mínima ideia de que esse nome se tornaria um dos mais importantes da Literatura brasileira. Drummond destacou-se na segunda fase do movimento Modernista brasileiro, ao lado de outros escritores como Cecília Meireles e Vinicius de Moraes. Dentre suas principais obras, estão ''A Flor e a Náusea'', ''Poema de Sete Faces'', ''Quadrilha'', etc.



            Sem dúvidas um de seus textos mais conhecidos, ''No meio do caminho'' (apresentado acima) expressa os obstáculos encontrados nas vidas do eu lírico, que os comparava a pedras. Cansado desses problemas, o eu lírico também revela que eles podem significar algo importante e marcante. Por esse e outros motivos, essa obra é tão conhecida e parodiada, muitas vezes por pessoas que não compreendem bem seu significado, já que acreditam que Drummond retratou uma rocha real em seu caminho.



            Apesar de ser bastante conhecido pela sua vertente poética, esse ilustre escritor também apresentou obras em prosa, sobretudo crônicas. Algumas deles estão reunidas no livro ''Boca de Luar'', publicado originalmente em 1984. Utilizando uma linguagem simples, de fácil compreensão, e abordagem de diversas temáticas, desde o existencialismo até questões sociais e amorosas. Todas as crônicas reunidas nesse livro conseguem envolver seu leitor. Umas alcançam um determinado tipo de público, outras, outro público. Como de costume, a obra também possui textos que evocam as memórias, característica típica de Drummond, com ''Milho cozido'' e ''Coisas lembradas'', por exemplo. Porém, em comum, todas as crônicas utilizam da linguagem e do vocabulário como elementos tão importantes quanto os personagens, aproximando ainda mais os leitores das situações apresentadas.


            Para representar esse livro que reúne crônicas tão primorosas, escolhi um fragmento retirado de ''A estranha (e eficiente) linguagem dos namorados'', que se inicia com um casal trocando apelidos inusitados:

''Diálogo aparentemente louco, mas que dois namorados de imaginação mantêm todos os dias, com estas ou outras palavras igualmente mágicas. Não inventei nada. Apenas colecionei expansões ouvidas aqui e ali, e que me pareceram espontâneas, isto é, ninguém deve ter preparado antes o que iria dizer, de tal modo as palavras saíam entrecortadas de risos, interrompidas por afagos, brotando da situação. O amor é inventivo e anula os postulados da lógica. Ele tem sua lógica própria, tão válida quanto a outra. E os amantes se entendem sob o signo do absurdo – não tão absurdo assim, como parece aos não-amorosos. Já ouvi no interior de Minas alguém chamar seu amor de “meu bicho-do-pé” e receber em troca o mais cálido beijo de agradecimento.''

            Nesse pequeno trecho, podemos perceber mais uma vez a capacidade incrível de Drummond de criar um diálogo ainda que sutil com o leitor, criando uma noção de proximidade com ele.

            Embora tenha publicado uma grande quantidade de obras em prosa, Drummond teve maior destaque na poesia, abordando temáticas sociais e até metafísicas. No poema ''Confidência do Itabirano'', ele traz lembranças de sua cidade natal, a mineira Itabira, localizada no Quadrilátero Ferrífero. Nele, o eu poético expressa a maneira como a sociedade e a sua cidade influenciaram para a sua formação enquanto indivíduo, tornando-o mais sério, mais sofrido, como nesse excerto:

''Tive ouro, tive gado, tive fazendas.
Hoje sou funcionário público.
Itabira é apenas uma fotografia na parede.
Mas como dói!''

            Outro livro que reúne grandes obras desse escritor é ''Simplesmente Drummond''. Esse livro foi publicado em 2002, declarado pelo então presidente como ''Ano Nacional Carlos Drummond de Andrade'', celebrando seu centenário. Quinze anos depois, algumas cidades e instituições homenageiam o poeta. No livro, estão reunidos conhecidos poemas seus.



            Existem muitos outros poemas preciosos de Drummond. Por isso, não é válido colocar  todos esses aqui. Caso queira conhecer mais alguns poemas, clique AQUI para conferir textos como ''José'' e ''Poema de Sete Faces'', que deveriam ser lidos por todos os amantes da poesia e até por aqueles que não gostam tanto do gênero. Como não se encantar por Drummond?



Ninguém é igual a ninguém. Todo o ser humano é um estranho ímpar.

(Carlos Drummond de Andrade)






22 outubro, 2017

Resenhas do Abou: Detroit em rebelião (filme)

            


           Olá, eleanáticos. Como vocês estão? Tudo certo? Estou sumido há um tempo do blog por causa dos meus estudos, mas vou voltando aos poucos. Hoje, é a vez de mais uma resenha do Abou e a obra a ser comentada é o filme ‘‘Detroit em rebelião’’, em cartaz em vários cinemas do país. Com uma vertente histórica bastante forte, o filme traz uma mensagem de necessidade de tolerância e respeito, nesse caso, aos negros.


            A história do longa se passa na segunda metade da década de 1960, na cidade norte-americana Detroit, e retrata a violência policial contra os negros. Diversos protestos da população negra são retratados no filme. E sempre com a presença dos policiais que utilizavam extrema força física para tentar conter os possíveis ‘‘rebeldes’’. Algumas cenas são extremamente impressionantes, como as frequentes prisões e a brutalidade policial. Utilizando imagens e vídeos verdadeiros da época, o filme ganha ainda mais credibilidade e veracidade, mostrando o abuso do poder por parte de certos policiais que acreditavam que eram os melhores indivíduos existentes.


            Em certos momentos, senti a necessidade de uma contextualização histórica um pouco mais aprofundada, principalmente, a fim de enriquecer mais a obra, porém nada de tão importante. No início, confesso que fiquei um tanto quanto perdido com a obra, já que não foram apresentados personagens principais nem nada do tipo. Tive a impressão de que estava assistindo um documentário. Acrescento também que tiveram pessoas no cinema ao meu lado que se levantaram e não voltaram mais. Creio que devido ao ritmo lento e um pouco diferente do seu início. Entretanto, essas pessoas perderam cenas eletrizantes. Finalmente, o filme foca em sua trama central, narrando um acontecimento do dia 25 de julho, quando policiais entraram no Motel Algiers após terem ouvido barulho de tiro vindo de lá. Na verdade, um homem que lá estava havia disparado com uma arma falsa, sem bala, porém ele acabou morto sem antes revelar que a arma não era verdadeira. Com extrema violência, os policiais interrogavam as pessoas, chegando até a matar.


            Em relação aos personagens, destacam-se os jovens de uma banda que enfrenta os desafios de seu início, indo atrás de uma chance. Os meninos até conseguem um excelente espaço para se apresentarem, mas os protestos nas ruas acabam atrapalhando seus planos e alterando bruscamente suas vidas em menos de 12 horas. O filme tem muitos personagens. É até difícil lembrar os nomes. Alguns grandes atores acabam fazendo, infelizmente, papéis pequenos, como Tyler James Williams, o eterno Chris de ‘‘Todo mundo odeia o Chris’’. Os principais destaques foram Algee Smith, como Larry, um dos jovens da banda. O ator, além de atuar muito bem nas cenas de tensão e drama, encantou a todos quando cantava, conseguindo passar totalmente a emoção daquele momento tão difícil para seu personagem. John Boyega, como o humilde segurança particular Dismukes, também encanta ao tentar defender os outros negros que sofriam nas mãos dos policiais. Um policial também ganha notoriedade. Estou falando do policial Krauss, vivido por Will Poulter, que conseguiu transmitir muito bem a imagem de um policial violento, autoritário e inconsequente.



            O final do filme não foge muito das expectativas, mostrando o julgamento dos policiais envolvidos no caso de morte, violência e abuso aos negros no motel. Ainda são apresentadas imagens reais das pessoas que inspiraram os personagens, contando o que aconteceu com elas após os acontecimentos narrados no filme. Com uma fotografia LINDÍSSIMA, de dar inveja, e uma direção praticamente INCRÍVEL, o longa consegue surpreender depois de sua metade.
            Apesar de um início decepcionante, ‘‘Detroit em rebelião’’ consegue cativar seu público com uma trama simples, forte e muito densa que nos faz refletir sobre tolerância e a relação entre a polícia e a população marginalizada.