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22 julho, 2014

Entrevista com :Célia Ferreira


Célia Ferreira  -  Jornalista e Escritora





1.    Quais são suas referencias culturais aqui no Espírito Santo/ Cachoeiro ?

O primeiro capixaba que me conquistou foi o cronista Carlinhos Oliveira, quando eu ainda era quase uma menina, em Minas. Depois, Rubem Braga. Mais tarde um pouco, quando eu já morava no Rio, Sérgio Sampaio. E, por fim, Roberto Carlos, que todo brasileiro ouvia desde sempre, mas de quem somente passei a gostar mesmo depois de adulta. Quando cheguei a Cachoeiro, encontrei um universo cultural muito rico, conheci os artistas e intelectuais que fazem fervilhar a cultura local. Lamento muito que a gente não tenha um centro cultural, uma espécie de “espaço do artista cachoeirense”, onde poderíamos reunir a memória de muitos que já se foram, como o inesquecível Waldir de Oliveira, o Pingão, um músico de primeira linha, que tocou com grandes nomes brasileiros e reunia craques do samba e da MPB no bar dele, no bairro Santo Antônio.

2.    O que faz você ler um blog/ post / na rede?

Acho que todo mundo acaba lento um pouco os jornalões, o que hoje se chama de “mídia tradicional”. Quanto aos demais, aqueles sites que a gente descobre e acaba seguindo, acho que é a afinidade, uma visão de mundo semelhante. E é preciso que seja bem escrito e tenhaconsistência, credibilidade. Eu gosto de saber quem está fazendo aquilo, qual é a intenção de quem está por trás das notícias ou postagens. E até nos blogs culturais e de humor sempre há um posicionamento crítico, e isso precisa estar claro.


3.    Qual foi a sensação de ser homenageada com a “Comenda Rubem Braga”? E o que essa homenagem significa para um escritor capixaba?

Gostei muito, claro. Mas fica sempre a dúvida sobre o merecimento, tem muita gente por aí produzindo mais e melhor. Mas qualquer homenagem é importante, porque demonstra reconhecimento e ao mesmo tempo estímulo a uma atividade. No caso da cultura, é fundamental, principalmente quando vemos que este ainda é um setor que recebe pouco cuidado do poder público em todo o Brasil, e onde a iniciativa privada também não investe muito. O deputado Glauber Coelho foi muito feliz ao criar esta comenda.

4.    Você acha que o as obras de ficção e a fantasia têm espaço na literatura capixaba?

Sem dúvida, e há muitos escritores capixabas produzindo ficção, no mesmo nível do restante do país.Tanto que hoje se discutese existe uma “literatura capixaba”, como gênero, ou se o que há é apenas uma literatura brasileira produzida no Espírito Santo – o que, particularmente, me parece uma definição mais adequada. Mas, quando falamos em ficção no Espírito Santo, o que mais me chama atenção é a área de cinema e vídeo. Acho impressionante a quantidade de gente envolvida com essa área aqui no estado e o alto nível das produções. Em Cachoeiro mesmo temos uma galera bem jovem produzindo muito bem. Temos o festival de Muqui, cada vez mais vigoroso. Há um tempo atrás, a tecnologia era muito cara, o que afastava um pouco os jovens. Hoje, uma criança com um celular sai por aí gravando vídeos, e isso vai produzindo talentos, atraindo gente para a área. O que é muito bom!


5.    Qual sua fonte de inspiração para escrever “A Mulher sem Memória”? (Particularmente amei a capa). Como foi o processo para a publicação do livro com o apoio da lei Rubem Braga?

Também adorei a capa, todo mundo adorou (rsrs). É um dos muitos excelentes trabalhos do Diego Scarparo, que, além de ilustrador, também é um dos expoentes da área de cinema e vídeo aqui do estado. Mas o livro é uma pequena coletânea de crônicas que publiquei nos últimos 16 anos nos jornais locais. São quarenta histórias, apenas, escolhidas entre as minhas preferidas. O livro só existe devido ao convite da Editora Cachoeiro Cult e justamente à existência da Lei Rubem Braga. Eu não o teria publicado se não fosse a lei. O processo é simples, sem muita burocracia. Impossível deixar de parabenizar a atual administração municipal por ter feito a lei funcionar de fato. É uma ação cultural importante, que tem o poder de fomentar a cultura local, estimular a produção. Tomara que os sucessores do atual prefeito tenham a mesma sensibilidade.

6.    Você assiste séries? Quais?

Sou das antigas. Gosto de House,Cold Case, Modern Family e acho que ainda não apareceu ninguém para superar Seinfeld (rsrs). Das atuais, vejo Big BangTheory e achei BreakingBad fantástica. Mas o que mais gosto na TV hoje são os programasinacreditáveis, tipo O Incrível Dr. Pol, Renovators Austrália e Jéssica, a Hipopótama. E o melhor de todos: Buying Alaska (rsrs). Aliás, adoro tudo sobre o Alasca. Enfim, gosto de coisas sem nenhum sentido, sem nenhuma utilidade prática pra mim. Quanto pior, melhor.

7.    RAPIDINHAS

Livro favorito - Orlando, de Virginia Woolf
Autor favorito - Um poeta: Carlos Drummond de Andrade
Gênero musical favorito - MPB e derivados
Filme favorito -Muuuuito difícil escolher, então vou citar um clássico: Amarcord, de Fellini.
Série ou novela favorita – Já fui bem noveleira, mas hoje ando meio desanimada. Vou ficar com oSeinfeld.


EQUIPE “ELEA”

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