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24 agosto, 2014

Amnésia - Episódio 1


Ele abriu os olhos devagar, tentando absorver as informações que chegavam ao seu consciente. A luz forte do céu azul o cegou por alguns instantes. Pra se acostumar à claridade, ele piscava na esperança de não perder nenhum detalhe do que estava sendo apresentado a ele naquele momento. Ele tentou se mexer, seu corpo doía da ponta da unha do dedão até o fio de cabelo mais comprido em sua cabeça. Com dificuldade, ele se ergueu e permaneceu sentado. Daí percebeu onde estava.

Uma clareira grande no meio de uma floresta, uma mata não tão fechada. Ao longe avistou prédios e altas construções. Ao ficar de pé, notou como estava vestido – uma camisa branca já surrada com alguns rasgados, suja de lama, uma calça brim cinza nas mesmas condições da camisa, uma gravata mostarda amassada e imunda e os pés no chão frio e úmido. Observou, com olhos mais atentos, a clareira em que se encontrava. Pelos rastros no chão, ele havia sido arrastado para cá, enquanto ainda estava inconsciente. Notou algumas pegadas, diferentes das dele. Tentou se lembrar de como viera parar ali. Mas nada vinha em sua mente. Nem de onde viera, nem pra onde devia ir, nem sequer quem ele era.

Com muito esforço, ele caminhou rumo à cidade, se apoiando nas árvores e se contorcendo de dor, caindo muitas vezes, sem suportar o próprio peso. Demorou cerca de três horas até chegar à saída da reserva florestal e enfrentar a cidade. Os olhares das pessoas para ele eram de medo. Pais pegavam seus filhos no colo e desviavam dele. Por que faziam isso? Havia tantas perguntas mais primordiais a serem respondidas, mas ambas sem resposta. Ele era como uma criança recém-nascida, carente de informações.

Conseguiu atravessar aquela parte da cidade e rumou para uma área menos povoada. A dor aos poucos ia diminuindo, mas os arranhões em seu corpo continuavam incomodando. Se meteu em vielas e becos. O dia começava a cair. A noite se aproximava violenta e gelada. Ele não sabia pra onde ir e só percebeu que não tinha o que comer quando a fome urrou em seu estômago. Se escondeu nos becos procurando nos latões de lixo algo que pudesse comer e não encontrou nada.
A sede o condenava também. Ao passar por uma viela, viu uma poça de água. Se ajoelhou e, com as mãos em concha, pegou um punhado. O líquido era quente e meio espesso. Pôs nos lábios. Apesar de ser xixi de algum animal, o líquido saciou sua sede. O gosto ele nem notou.
Passadas algumas horas, um grupo formado por alguns meninos entrou no beco onde ele estava sentado encostado em uma parede, em meio a risadas.

- Ihh, ó o cara. – falou um dos meninos a frente do grupo. – Qual é tio, perdeu alguma coisa?
Um dos outros meninos se abaixou e o segurou pelo cabelo para olhar para seu rosto.

- Ele é novo, deve ser um pouco mais velho que a gente. Tá todo arranhado, deve ter apanhado bastante.

- E vai apanhar mais se não sair da minha área, levanta ele, Caius.

- Fica calmo, Jake. – Disse outro garoto atrás de Jake.

- Não se mete, Andrew, anda Caius.

Caius soltou o cabelo do rapaz. Jake puxou Caius para trás e o levantou empurrando-o contra a parede. Um soco acertou a camisa rasgada do rapaz e foi como se uma faca perfurasse seu estômago já torturado pela fome. Ele tossiu e olhou para Jake com um olhar furioso. Jake se preparou para lhe dar outro golpe. Ele, com um ligeira esperteza, desviou e fez Jake tropeçar nas próprias pernas.

- É assim? Segurem ele. – Os garotos ficaram parados com medo. – Seus bando de bosta. Ok, eu cuido de você sozinho. – Dito isso tirou do bolso um canivete e pôs-se em posição de ataque.

Quando Jake atacou, o rapaz num gesto rápido e imperceptível, prendeu o braço de Jake nas costas dele, arrancou-lhe o canivete, e o ameaçou pondo a parte afiada no seu pescoço.
- Você mexeu com o cara errado, moleque.

O medo tomou conta dos olhos de Jake. Caius, Andrew e os outros tentavam negociar com o homem.

- Vai com calma, cara.

- Não precisa disso.

- Sabe o que vocês vão fazer? – Argumentou ele. – Vão dar meia-volta e nunca mais voltar a este beco. Se não, a próxima coisa que verão é o sangue precioso do seu amiguinho aqui.
Jake sentiu um líquido quente rolar por suas pernas, mas nem percebeu que havia se mijado todo. Eles hesitaram. Jake sentiu o canivete rasgar bem devagar a sua garganta. Um filete de sangue percorreu a arma.


- Eu vou matar você, Jakezinho. 

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