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13 outubro, 2014

ENTREVISTA COM BERNADETTE LYRA

Entrevista Entrelinhas & Afins com Bernadette Lyra:

             Bernadette Lyra nasceu em Conceição da Barra, Espirito Santo. Formada em Letras pela UFES, doutora em cinema pela ECA/USP, pós-doutorada pela Université René Descartes, Paris V Sorbonne, França, e mestre em comunicação pela ECO/UFRJ, atualmente leciona no curso de mestrado em Comunicação Audiovisual da Universidade Anhembi Morumbi e é cronista do jornal A Gazeta de Vitória-ES.

1-    Bernadette você é escritora e formada em Letras, quando sentiu que faria da  escrita o seu sentido de vida?

R.     Desde criança eu me apaixonei pelas histórias contadas por meu avô, à luz do lampião, naquelas noites sem luz elétrica, em Conceição da Barra. Logo que aprendi a ler, descobri essas mesmas histórias e muitas outras nos livros. Ficava horas lendo, enquanto meus irmãos e meus coleguinhas de grupo escolar brincavam. Por isso, todos me achavam uma menina muito esquisita. Mas o prazer de descobrir que as histórias podiam ser escritas e impressas com tinta e papel foi decisivo para que eu quisesse também escrever tudo aquilo que as lendas narradas por meu avô  faziam brotar em minha imaginação. Mais tarde, já aluna do segundo grau no Colégio do Carmo, tive um professor de Português que, ao ler uma pequena redação minha feita em sala de aula, disse que eu era uma escritora. Era tudo de que eu precisava para tomar coragem e começar a publicar. Daí à frente, a literatura tomou conta de vez de minha vida!

2-     No livro a Capitoa é retratada a história da primeira mulher que conseguiu governar um pedaço de terra no Brasil depois da morte de seu marido Capitão Mor, ao escrever este livro qual foi o seu principal objetivo? E qual o público alvo que a senhora pretendia atingir?

R.        Eu quis resgatar um pedaço do passado muito distante da História do Espírito Santo e, ao mesmo tempo, resgatar a memória de uma mulher que foi parte integrante dessa História, Dona Luiza, a terceira donatária da capitania. Ela ficou esquecida no passado pois a  História costuma relegar as mulheres a um papel secundário. Assim foi que o passado caiu sobre a dama Luiza como um pesado manto de sal. Nos anais quinhentistas, quase nada sobrou sobre ela. As duas ou três linhas que a mencionam estão sempre metidas nos feitos dos homens como apêndices ornamentais.

 3-       Porque o título A CAPITOA?


R.       Era uma vez uma dama que se chamava Luiza. Até hoje, ninguém se arriscou a afirmar qual era seu sobrenome: Grinalda, Grinaldi ou Grimaldi. Um dia, um dia do qual nada se sabe, nem mesmo se fazia sol ou chuva, a dama Luiza embarcou em uma caravela, saiu de Portugal e veio para o Brasil com o marido, Vasco Fernandes Coutinho Filho, que era herdeiro da capitania do Espírito Santo e governou como Capitão-Mor. Isso foi em abril, 1573 Passaram-se os anos. O marido da dama Luiza morreu e ela assumiu o governo.       Então, dizem que os fidalgos, os padres, os noviços, os aventureiros, os ouvidores, os meirinhos, os juízes de vara, os escrivães, os oficiais da fazenda, os burocratas dos campos e todos os moradores das vilas, dos povoados e das terras no entorno a chamavam de “a Capitoa”. Dizem que também desse modo a denominava a ralé dos escravos, os colonos, os peões, os indígenas das aldeias fincadas nas praias e os selvagens emplumados que habitavam muito além das montanhas, em pleno sertão. 


4-       A senhora é capixaba, então o que tem a nos dizer sobre a Literatura do nosso estado?

R.        Existe uma vida literária fervilhante em nosso estado. Muita gente escreve, há muitos textos excelentes, porém o problema é a publicação e, sobretudo, a distribuição dos livros. Não há muitas editoras e não há distribuição no Espírito Santo. Alguns escritores procuram editoras fora do estado, mas nem sempre são aceitos, pois falta um investimento no capital cultural que tornem os capixabas conhecidos e divulgados. No entanto, um movimento organizado de valorização da literatura produzida por escritores que aqui nasceram ou que aqui residem poderia ter resultados positivos. 

5-      O que te leva a escrever? E quais são suas inspirações?

R.       O simples fato de estar viva me faz escrever. A literatura é o sal de minha vida! Todas as coisas que me rodeiam me inspiram, mas aquelas que atingem minha fantasia e minha imaginação são primordiais.

6-    Qual é a sua opinião sobre a grande influência que a literatura estrangeira, principalmente os Best- Sellers, sobre a literatura e a leitura de hoje?


R. –    Os best-sellers são feitos para atingir o mercado e vender muito. Desse modo, a literatura, que é um campo vasto e livre, também é um campo  minado. Cabe a cada leitor ter a sabedoria de separar o joio do trigo quando escolhe o que lê. Nesse sentido, o incentivo e o trabalho dos professores nas escolas e nas faculdades é fundamental.

*Foto tirada na Semana Acadêmica de Letras- Língua Portuguesa, no Centro Universitário São Camilo-ES. Entrevistadora: Lorraine Dobrovosk/ Entrevistada: Bernadette Lyra




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