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24 dezembro, 2014

Amigo oculto, amigo x, ou amigo da onça

Pisca pisca, panetone, árvores, rabanada, iluminação. Gente na rua, gente comprando, gente comprando, liquidação. Tirar papelzinho, comprar presente, embrulhar presente, começar amigo oculto. Amigo oculto, amigo x, ou amigo da onça?  Natal é época de presentear, e o amigo oculto é sempre a melhor maneira de fazer com que todos sejam presenteados.
Tem amigo oculto na família em que sempre tem aquela sua tia que lhe dá um pé de meia e não percebe que você já tem barba na cara e não precisa ganhar os mesmo presentes dos anos anteriores.  Tem o amigo oculto do trabalho em que na maioria das vezes você tira um de seus desafetos ou na maioria dos casos não sabe o que comprar. Pior ainda: é quando você tira o seu chefe e fica piradinho por conta de escolher o melhor presente. Ou você escolhe um bom presente e acerta o gosto OU está demitido. Acho que a primeira escolha é melhor. Tem o amigo oculto do grupo de amigo, aquele que vira uma gozação e tem sempre gente perguntando : “ Ué, mas não era de 10 reais?, quando na verdade é de 30 reais. Mas isso não importa TANTO, perto de tanto alegria que é reunir um grupo.
Daí você começam “ É uma pessoa legal, especial e muito querida”, ta bom percebemos que ou a pessoa detestou quem tirou ou não conhece nadinha da pessoa. Ou aquelas pessoas que começam falando ao contrário é “um menino, magro, bonito” é na verdade é uma menina, fofinha e com o rosto cheio de espinhas – por conta da adolescência, situações típicas dessas brincadeiras. Tem sempre uns criativos que presenteiam com um par de brincos e fazem um embrulho do tamanho de uma geladeira, tem aqueles embrulhos super chamativos com papel celofone laranja/rosa/ vermelho e rodeado com fitilhos, também tem aqueles engraçadinhos que fazem uma sacanagem fazendo o amigo abrir uma caixa pura cheia de jornal.

         Dizem que deveria ser chamado de Amigo da Onça porque sempre há mais pessoas que não gostaram do presente do que pessoas que amaram o presente,  sempre há um tom de falsidade nas falas pré anúncio do amigo retirado, mas é natal. Essas brincadeiras movimentam, surpreendem e deixam o clima de final de ano mais divertido. Qual graça seria “ Eu tirei uma pessoa que não suporto, ela é chata, ridícula e eu não queria tirar essa pessoa” – putz – acabaria a graça da brincadeira, cada um pegaria seu prato de natal e voltaria para sua humilde residência. 

por: Ronald Onhas 


NEM TODO MUNDO É FELIZ NO NATAL - Por: Ludmila Clio

NEM TODO MUNDO É FELIZ NO NATAL

 No descaso de quem amamos residem nossas maiores decepções. Tristeza nos deixa de cama, feito gripe das brabas. Mas tristeza acomete a alma, e alma de cama não pode ser tratada como uma simples gripe.
Queria entender _porque não me lembro_ do que é feito o vírus maldito e tão poderoso que paralisa e imbeciliza os adolescentes que, há bem pouco tempo, ainda eram crianças amáveis, felizes com o que tinham e adoradores de seus pais _ou mães, nesses tempos modernos de “pães”.
 A poucas semanas do Natal, a alma daquela mãe estava doente, agravando-se cada dia mais. Moravam juntas: mãe e filha. A menina, agora adolescente, naqueles rompantes estapafúrdios típicos da idade, já não tinha brilho nos olhos pela sua mãe que, como quase todas as mães, fazia de tudo pela filha. Ao contrário, a cada exortação da mãe, Íris, a filha, revirava os olhos, bufava, expressando profundo cansaço e descaso, como se sua mãe fosse da Idade Média e completamente inadequada aos seus dias.
  À medida que o ano passou e o vírus diabólico da adolescência se desenvolveu no corpo e nos olhos de Íris, um abismo se abriu entre as duas. A situação piorou quando a menina, uma ainda pífia criança, autointitulou-se madura e arrumou um namorado. Coisa triste é dividir a casa com quem mais se ama e continuar sozinho. Aquele ano _e devo dizer que nos seguintes também_ foi assim. Íris respondia a qualquer expressão de sua mãe com atos silenciosos, com olhos fumegando despeito, deboche e até certa raiva. Numa tarde de novembro, bloqueou a mãe no whatsapp, canal que mais usava para namorar. Algumas vezes chegou a fazer planos de fugir com o grande, único e verdadeiro amor de sua vida, o namorado, de 13 anos.
 Íris queria protestar. Não tocava na comida que sua mãe deixava pronta para ela. Deixava furtivamente as correspondências sobre a cômoda da sala, sem qualquer aviso. Uma vez ela chegou a tirar do varal apenas as suas roupas, deixando todas as de sua mãe lá, penduradas.
(Imagino que ingratidão de filho deve doer mais que a dor do câncer, aquela que nem morfina dá conta. Mas só imagino, não tenho filhos. E não sei se quero tê-los.)
  Em 13 anos, aquela era a primeira vez que não havia espaço para a sua mãe no Natal de Íris. Ela iria para a casa do namorado, passar o Natal com a família dele, abandonando a própria família naquele pequeno apartamento adoecido há alguns meses. “Que boba! Taca-lhe uma surra!” Diriam alguns à mãe de Íris, mas ela não suportaria ter a presença da filha à contragosto. Há vezes na vida que não há nada que podemos fazer senão esperar voltar quem amamos para cuidar de suas feridas. Deixa a menina pensar que sabe da vida, deixa ela pensar que é madura, deixa ela acreditar que é dona da verdade. Cair faz parte do processo de crescimento e essa menina optou pela dor, vai aprender e a primeira lição que a vida há de lhe ensinar é que mães nunca são desnecessárias.
   Na tarde daquele Natal, a mãe de Íris ficou muda, como há muito já estava, apenas observando de soslaio a filha, que desfilava saltitante do quarto pro banheiro, cantarolando e dando gritinhos de ansiedade. Naquela tarde sua mãe fez que não viu a filha tirando a graça das ondas de seus cabelos com aquela prancha que a deixava com cara de industrializada, tampouco deixou reparar que a menina carregava os olhos e os cílios de lápis e rímel pretos, o que a vulgarizava e tirava-lhe todo o tom pueril. Resignada, sua mãe apenas observava. É inútil descrever as dores. Para conhecê-las é mister senti-las.
  Apesar do amor infinito que a mãe de Íris sentia por ela, ela não se opôs a nada. Suspirou fundo quando ouviu a menina, já com a porta da sala entreaberta lhe dizer: “Feliz Natal, mãe”. Do corredor, podia-se ouvir a voz exultante de Íris: “Amor, daqui a pouco estou aí! Te amo!”. Sobrou naquela sala uma solidão palpável, um silêncio imperial que gritava. De qualquer cômodo daquele pequeno apartamento era possível ouvir as batidas do coração da mãe de Íris.
  À meia-noite ela partiu um pedaço do panetone que ganhara de seus patrões e se aproximou da janela. Era o primeiro Natal que não preparava a Ceia, que Íris tanto festejava todos os anos. Da janela, seu corpo refletia todas as cores dos pisca-piscas das janelas do prédio em frente ao seu. Enquanto mastigava lentamente aquele seco pedaço de panetone, ouvia os fogos de artifício e vozes muito felizes e alteradas, vindas de todos os andares e prédios próximos ao seu.
À meia-noite e cinco, a mãe de Íris se deitou. Tornou-se filha e sentiu uma saudade dilacerante de sua mãe e de todos os Natais que puderam viver juntas.

                                     Por: Ludmila Clio

O amigo da filha do papai Noel - por: Breno Callegari

O amigo da filha do papai Noel

     Dentre as crianças da minha geração não devo ser considerado padronizado. Nunca pretendi contato com unicórnios, fadas, gnomos e outros seres equivalentes. Muito menos acreditei em desenhos animados ou em super-heróis (isso não quer dizer que não gostava!). Nesta mesma lógica, dentro de mim, estava o sentimento sobre Papai Noel. Apesar de, durante o natal, sua cara estar estampada em todos os lugares visíveis, o bom velhinho nunca me arrancou suspiros ou deixou-me apreensivo por sua chegada triunfal pela chaminé. Acorda, Breno, nunca tivemos chaminé! O que de fato sempre me levou ao delírio eram os presentes do papai José, esse sim, fazia (e faz!) meu natal feliz.
  No entanto, tarde passada, enquanto entrevistava uma amiga para compor a personagem de um texto, fui surpreendido com uma informação que deixou escapar sem perceber: era filha do Papai Noel! Lógico que não acreditei assim de supetão e sabatinei a coitada; porém, por fim, tive certeza: a guria era mesmo filha do bom velhinho.
Ela é uma boa menina, daquelas raras companhias agradáveis. Só nos aproximamos de verdade a partir da faculdade, apesar de termos crescido no mesmo bairro e compartilharmos a mesma idade. É assolada por alguns fantasmas interiores, mas segue sua vida de cabeça erguida e embala seus dias regados à literatura e cinema (seu principal vício). Em uma de nossas conversas, chegou a dizer que eu era seu segundo escritor favorito, perdendo apenas para José Saramago. Que moral! Imagina só: EU SOU UM DOS AUTORES PREDILETOS DA FILHA DO PAPAI NOEL!

   Aproveitando os créditos que tenho com a moça, pedi que me levasse à sua casa. Não podia perder a oportunidade de flagrar Papai Noel em seu habitat natural. Ela, simpaticíssima, chamou-me na mesma hora. Deparei-me com uma casa grande carregada de muito afeto, mas nada distante de uma família convencional. Mamãe Noel, que se chamava Doralice, estava na cozinha. Nem sinal de duendes pela casa e a única rena que vi era um gato. Sim, o gato se chamava Rena. Entramos, fui apresentado à senhora Noel que me recebeu com muita simpatia e, por alguns minutos, proseamos como amigos. Quando no relógio bateu 18h45m, pela porta principal, entrou papai Noel que, a tira colo, trazia a cabeleira e a barba. Os fios eram branquíssimos e de nylon. Apesar da artificialidade da peruca a pança era, de fato, enorme e de carne (ou banha). Disse em voz alta:

– Doralice, por favor, arrume meu prato. Só tenho dez minutos. – e correu para o banheiro. Deveria estar muito apertado. A roupa vermelha sentenciava o antigo mito de que Papai Noel era patrocinado pela Coca-Cola (patrocínio que não deve render muitos frutos, pois, em conversa com a filha Noel, descobri que o bom velhinho era assalariado do shopping). Acho que esse lance de pai dos pobres não dá muito lucro. Coitado, a vida não tá fácil nem para Papai Noel.

  Apesar das descobertas e de ter o Papai Noel morando na minha cidade, no meu bairro e nunca ter tirado proveito disso, sentencio o meu contato com a família Noel pela gratidão que sinto em ser o amigo (e segundo escritor predileto) da filha do Papai Noel. Isso me basta. De resto contento-me com o papai José e o real sentido do natal: a comida, pois, diferente da crença, Jesus não é capricorniano.

Por: Breno Callegari

Eu, introspectivo - por: Ailson Lovato

  Eu, introspectivo

   Quanto mais se espera algo de alguém, maior a decepção por parte dela. Naquele natal não seria diferente. Uma grande massa de pessoas já corria pelas ruas em busca de presentes, árvores natalinas e enfeites. O velho Noel já ocupava a cadeira no shopping center. E também em outro, e outro e (...). Eram tantos “noéis” de diferentes etnias, que o Natal nunca fora tão diversificado. Indígena, magro, negro, amarelo, alto, baixo, com barba real e com barba de mentirinha. Mas, com barba.                                                 
  E eu, quieto e vagarosamente, desviava daquela correria de pessoas, feito dardos procurando um alvo. Sem rumo, como um pássaro que se perde do bando, busquei abrigo sob a tapagem de uma parada de ônibus. Começara a chover. O que já era esperado, devido ao calor daqueles dias. Os mais prevenidos carregavam sombrinhas tão coloridas quanto os embrulhos que traziam em mãos. Outros se encolhiam como podiam nas calçadas, para se proteger. Aos poucos, um aglomerado de pessoas surgiu ao meu redor e percebi que até então não estava sozinho.         
 Toda aquela gente eufórica com as festividades, com os presentes, com a farta ceia natalina ou um churrasco na laje e, eu, não padronizado, juntamente com minha antropofobia, fugindo daquele monte de gente junta da qual eu tinha “medo”. Se tem algo que eu não gosto é aglomerações, muita gente reunida, falatório, choro de criança, pirraça e tudo que produza barulhos humanos que não sejam agradáveis aos meus ouvidos. E tudo que fora pensado, estava agora acontecendo. Uma tortura. Não havia como fugir. Ou saía dali e me molhava, ou permanecia ali, encostado ao muro das lamentações, ouvindo aquela gente.                                 
    Pacientemente, aguardei aquela civilização desconhecida dispersar-se pelos ônibus que passavam. E, agora, eu havia encontrado a paz e a tranquilidade almejada. Eu e a chuva.Era véspera de Natal e cá estava eu, sentado em uma parada de ônibus, desprendido da sociedade capitalista que reclama de dor nas costas durante todo o ano, mas não se importa de carregar sacolas e mais sacolas nesse período. Desgarrado da mania de se fazer simpático ao receber um presente que não gostei.                                   Eu estava cansado. Cansado de ter que tolerar todos os anos a mesma rotina, as mesmas cerimônias, as mesmas comemorações. Todos os anos, alguém morre na sexta-feira e revive no terceiro dia. Todos os anos as crianças vão caçar os ovos escondidos na Páscoa e os maiores festejam os prazeres da carne. Todos os anos alguém vai e pinta a cara feito índio. E, agora, todas as pessoas, vão às compras pra presentear os entes queridos. Balela, calúnia, lorota, fingimento. Ninguém se lembra do índio e de seus “ensinamentos” ao cortar uma árvore e jogar lixo no chão.            Todo mundo se arrepende após ingerir doses e mais doses de chocolate ou de ter que gerar uma criança, a mesma que será pintada de índio, nove meses após o carnaval e seus festejos. Ninguém se lembra de colocar a roupa mais simples pra ir àquele lugar, durante o processo de morte daquele citado anteriormente.                                 
     E é sempre assim. Mas, estou decepcionado. Comigo mesmo. Fugindo de todas essas normas e regras impostas, sigo aquilo que me faz bem. Nem sempre o que nos faz bem, é bom. O Natal não é lá o melhor período para uma análise psicológica e pessoal. Não pra mim, extraviado de tudo o que me era imposto e às vezes de mim mesmo. Sinto-me decepcionado por fugir da realidade em que estou inserido e ser tachado de doido, maluco ou outra palavra derivada dessa classe. É difícil pensar hoje em dia. Poucas pessoas têm realizado tão bem essa tarefa. E sinto-me rejeitado e ignorado por fazer isso tão bem. Eu gostaria mesmo de ser como os outros. Gostaria de poder agora estar enfeitando a árvore, colocando “os piscas” e sentir no meu íntimo a ansiedade de receber um presente. 

Mas,não dá. Preciso levantar. A chuva passou. Tenho de encarar bravamente a realidade e perceber que não sou tão diferente assim e que apenas divirjo e me distancio de todos esses que julgam ser normais. E que atire a primeira pedra quem não me considerar um. Preciso me acostumar ao fato de que sou um estranho no ninho. 

Por: Ailson Lovato, autor de " Agridoce".


A VERDADE CERTA- PARTE 4. FINAL


Hoje era o meu dia de depor, todas as meninas já haviam ido e eu fui à última. Desde o dia do acidente eu fiquei muito deprimida pela morte da Bruna, ela era minha amiga, sofri calada por todos esses dias após sua morte, meu coração estava dolorido pelo que aconteceu.
Levantei às sete da manhã, tinha que estar na delegacia para o depoimento às oito e meia, tomei meu banho e um café preto bem quente.
Cheguei ao prédio de paredes pintadas de branco e preto com um ar asqueroso, meus saltos pretos batiam firmemente contra o piso de concreto, meu vestido também preto se alinhava ao meu corpo fazendo um conjunto perfeito com meu rabo de cavalo e meus grandes óculos escuros, eu precisava passar uma boa imagem ao delegado, ou ele não acreditaria em mim.
O celular em minha bolsa tocou antes que abrisse a porta da delegacia, o apanhei sutilmente em minha bolsa e observei a mensagem:
“Lindinha, lembre-se da nossa conversa!”

Um calafrio percorreu minha espinha fazendo uma lágrima solitária rolar pelo meu rosto. Guardei o aparelho de volta em minha bolsa e me recompus, tentando passar uma imagem gélida e ressentida com o acidente de poucos dias. Tudo por minhas amigas.
-Até que enfim, espero que a última a falar diga, pelo menos, a verdade. Sente-se querida, fique a vontade.
Dr. Rubens se me recebeu ao na sala do detetive Leicam, que me encarava rudemente.
-Nicole diga-me o que aconteceu no carro que, segundo os depoimentos anteriores, você estava no carro da vítima correto?
-Sim Dr.- Respondi ponderadamente.
-Muito bem diga-nos o que aconteceu no momento em que vocês entraram no carro.
-Eu fui no carro com o Junin porque o carro da Laila já estava muito cheio, Bruna já havia bebido de mais e estava brigando desde que saímos da boate por causa de uns caras que tinham dado em cima dela. Eles estavam alterado, Junin proferia xingamentos horrendos a Bruna, eu e Roberta ficamos apavoradas com a briga do casal e nos desesperamos tentando acalma-los.
- Sim essa lenga-lenga a gente já sabe, fale algo mais importante garota
O detetive Leicam me deixava nervosa, o olhar rude dele quase fazia minha mascara de moça calma cair, mas eu não podia.
-Estou falando Detetive. Depois disso Junin ainda dirigia o carro e então param para discutir, Roberta e eu tentamos separa-los, mas estava impossível. Lorena também parou o carro, mas logo seguiu viajem e a briga continuou até que Junin se enraiveceu com a minha intervenção e mandou eu e Roberta entrarmos no carro. Ele chegou bem perto de Bruna e depois entrou no carro seguindo viajem, negando os pedidos aflitos meu e de Roberta para que ele voltasse e pegasse a Bruna, mas ele não voltou! Deixou eu e Roberta em uma esquina próxima a nossa casa e saiu cantando pneu sem nos dar qualquer explicação.
-Huum, interessante, então ele a largou e depois saiu sem destino com carro?
-Isso.
-Sabe Nicole, o celular da Bruna não foi encontrado, segundo fontes, me disseram que ela era bem grudada a ele, o que você tem a dizer sobre isso?
-Eu não sei de nada!
Minha respiração e calma estavam afetadas, como eles descobriram sobre o celular?
-Tem certeza?
Pressionou o Detetive.
-Sim.
-Tudo bem, próximo depoimento será você e o seu amiguinho Junin.
Fiquei pálida, mas assenti para o Dr. Rubens e o Detetive e sai apressadamente do prédio. Já tinha um táxi me esperando na porta da delegacia. Lagrimas silenciosa rolava pelo meu rosto, eu precisava seguir em frente. Meu celular tocou, atendi rapidamente, era a Rafaela.
-Nick? E aí como foi o depoimento?
Minhas lagrimas voltaram com força total e nem deu para segurar a voz.
-Foi tudo bem, te ligo assim que chegar a casa ok?
-Você está chorando Nick? Nick?
Desliguei o telefone vendo que já tinha chegado a casa, paguei o táxi rapidamente e abri a porta. Gritei quando percebi que um braço tinha me arrastado para dentro de casa.
-Sua vadia! O detetivizinho de merda me ligou, vamos depor juntinhos não é?
Junin apertava meu pulso com força e estapeou meu rosto com força, fazendo com que minha bolsa voasse e minhas lagrimas ficassem ainda mais fortes.
-Sua amiguinha saiu desta vida assim que sua ligação terminou, eu disse piranha!
-Não!!!!!
Gritei forte soluçando com força.
-Junin eu não disse nada, eu juro, falei que não tinha visto você atirando em Bruna e dando um sumiço no corpo!
Gritei com fúria e raiva, fiz de tudo para proteger minhas amigas, mas o idiota matou Rafaela a sangue frio. Em resposta ao meu ataque ele me bateu até que eu cai no chão frio fortemente, o que fez com que ele chutasse minha bolsa e o celular de Bruna em minha bolsa se arrastasse pra perto de mim.
Um pouco de sangue saiu de mina boca e eu percebi que naquele momento eu morreria se não fizesse nada. Disquei rapidamente o numero do detetive Leicam, eu sabia que assim que eu ligasse o telefone ele rastrearia.
-Vadia, vagabunda!
Junin me batia fortemente, eu levantei do chão e corri com o aparelho preso na minha blusa sem que ele percebesse, joguei a mesinha no chão e corri para a varanda. Estava ofegante e cansada, mas eu resistiria até o fim.
Ele me achou e meu choro se intensificou, ele me estapeou mais forte e eu cai.
-A policia vai descobrir A VERDADE CERTA seu estúpido, você vai pagar!
Gritei alucinada, esbocei um sorriso no rosto enquanto eu via as sirenes invadindo a minha rua, 15 minutos depois a minha ligação ao detetive. Junin só queria saber de me bater e nem se atentou ao fato. Em um único movimento que minhas forças permitiam, me joguei na rua rolando em direção da avenida, onde um carro de policia parava e apontava em direção a Junin.
-Você está preso por assassinar Bruna Gonçalves, Junior Silveira.
O Detetive gritou o mandado de prisão e eu dei meu ultimo suspiro, vendo Roberta, Laila e Lorena vindo em minha direção e eu simplesmente pude fechar meus olhos tranquilamente...

Junin foi indiciado e acusado por matar Bruna e Rafaela  e por envolvimento com trafico de drogas. O celular que estava com Nicole foi recuperado e a policia firmou todos os crimes com a quebra do sigilo do acusado. Junin tinha atirado em Bruna e despistado o atentado com o atropelamento, Nicole tinha descoberto pelas chamadas de voz do whatsapp de Bruna, que o celular tinha ficado em sua bolsa para não perder no barzinho e ela tinha esquecido de pegar de volta. O que tornou o objeto de chantagem de Junin para manter Nicole de bico fechado.
O enterro de Rafaela foi sofrido, tanto pelas amigas, tanto pela família. Nicole foi levada ao hospital e ficou internada por alguns dias até ficar completamente boa. As amigas ficaram ao seu lado ao tempo, dando forças para superar as dificuldades, como sempre ficaram.

A verdade certa sempre aparece! 

23 dezembro, 2014

Entrevista com : Ludmila Clio


Graduada em História, dona da fan page/ blog Copo de Letras e também do site www.ludmilaclio.com.br, além de escritora e filha da Capital Secreta do Mundo.
1      
      Como já sabemos em 2012 você lançou “ Sem Filtro na Veia”, como surgiu a ideia do livro?

A verdade é que nunca imaginei publicar um livro até as coisas começarem a acontecer. Como todo escritor, eu guardava quase que a sete chaves tudo o que escrevia e só mostrava para quem eu realmente confiava. Um dia, ao chegar à faculdade com meu namorado na época, ele viu um cartaz de um concurso nacional de poesia e me incentivou demais pra participar. Eu não me sentia capaz de vencer e só participei para provar que não daria em nada. 
Para minha surpresa, venci 102 participantes do Brasil. Foi uma exposição que eu jamais desconfiava ter. Um jornal local me entrevistou, o da faculdade também. Daí começou uma certa “pressão” dos mais chegados para que eu publicasse um livro. Mas isso foi em 2004. Só em 2011 que me inscrevi na Lei Rubem Braga e fui contemplada. Com o recurso financeiro em mãos eu não tive escapatória, nasceu o “Sem Filtro na Veia”.

2       “ Sem Filtro na Veia” é uma obra de poesias. Gostaria de saber, a poesia é uma paixão de infância ou surgiu com o primeiro amor?

Escrever, de um modo geral, foi meu escape. Comecei a ser alfabetizada aos 04 anos em casa, pelo meu pai. Ele comprou uma cartilha linda, caderno (que tinha um cachorrinho com uma rosa vermelha na boca, lindo!) na capa. Também me lembro da borracha cheirosa em formato de livro, do apontador de aço. Não me lembro do lápis, interessante... Meu pai me apresentou às palavras, às conjugações verbais... então desde muito pequena eu me preocupava com isso.
             Não que ele fosse severo, mas ele realmente primava pelo bom português e eu peguei gosto por isso. Quando comecei a estudar, tive uma professora que até hoje a chamo carinhosamente de “tia” Mariza. Ela complementou na escola o que meu pai começou em casa. Ela era carinhosa, mas na hora dos ditados, das leituras, ela era firme. Exigia nossa compreensão de uma maneira delicada. Não sei se isso vem de dentro. Eu, particularmente, atribuo aos dois tudo o que floresce hoje. Eles plantaram as sementes em mim.

E por ser filha única, tive uma infância mais solitária que o normal. Quando sentia minhas angústias ou coisas que nem sabia definir, eu escrevia. Até que isso se tornou uma extensão de mim mesma. As palavras me tornaram uma pessoa atenta. Qualquer comentário pode virar uma poesia e, muitas vezes, eu ouço pérolas de pessoas que nem se dão conta da beleza do que estão dizendo. A poesia se tornou uma paixão quando me apaixonei pelas palavras. Uns se especializam em falar de economia; outros, de medicina; eu tento ser uma especialista de sentimentos, entrelinhas e silêncios.

3      Além de escritora você tem outra profissão, como é conciliar as duas carreiras? E qual profissão é essa?
Atualmente eu sou secretária numa imobiliária (tudo a ver!! ). Sinceramente meu emprego é ótimo, meus patrões são excelentes comigo, de verdade. Meus horários são flexíveis, eu só ganhei depois que comecei a trabalhar com eles. Mas, mais sinceramente ainda, eu não sou adequada para o sistema. Meu metabolismo é literário, precisa do silêncio da madrugada para escrever. Como posso acordar cedo para trabalhar se passar a madrugada adentro escrevendo? Enfim, não é “só” isso. De todo meu coração eu espero poder, um dia, viver para escrever. Meu coração está nisso, somente nisso.

  Você iniciou como blogueira ou esse hobby só veio depois da publicação do livro?

Como disse, o prêmio nacional foi em 2004 e os amigos começaram a “forçar” um livro. Como eu me esquivava bastante (e bem), alguns começaram a sugerir um blog. Eu não fazia a menor ideia de como fazer um, mas numa bela tarde de setembro de 2008, quebrei a cabeça e futuquei até conseguir. Daí nasceu o Copo de Letras.

            OBS: ( Eu estava espremendo as ideias e nada vinha. Daí peguei meu pequeno    Aurélio escolar, fechei os olhos e apontei para uma palavra. Meu dedo indicava “copo-de-leite”. Pensei, pensei e bum! Copo de Letras!)

5  Aproveite o espaço e conte-nos um pouco mais de “ Sem Filtro na Veia”. Como anda a divulgação da obra?
“Sem Filtro na Veia” se chamaria “Intensidade”. Um nome bobo, se pensar bem. Um dia eu estava jogada no sofá ouvindo pela milésima vez um CD do Engenheiros até que tocou “Na Veia” e parece que, como numa epifania, aquela frase entrou pelos meus ouvidos pela primeira vez: “Sem Filtro na Veia”. Fiquei hipnotizada e ali eu soube: se tivesse mesmo um livro, esse seria seu nome.
Atualmente, confesso, já está me batendo um certo constrangimento dele, por ser meu primeiro trabalho. Há poesias nele que escrevi na adolescência, estou cansada delas! Ademais, não sou a mesma daqueles tempos. Há poesias nele que eu não postaria hoje, de jeito algum! Ao passo que, já fui chamada de egoísta ao declarar isso, já que todas as poesias são novidade para quem as lê pela primeira vez, e quanta gente já me procurou para dizer que se viu em alguma delas! Isso é curioso, acho bonito tocar em tantas almas e sensibilidades sem ter essa intenção.

(Não estou mais focada na divulgação do “Sem Filtro na Veia” porque minha energia está toda canalizada no próximo, que ainda é um projeto, mas já está com tudo encaminhando) .

6) RAPIDINHAS :  J

·        Escritor preferido (a): Rubem Alves e Clarice
·        Música preferida: Trenzinho Caipira, de Villa Lobos (é a tatuagem do meu braço direito)
·        Cantor preferido (a): Steven Tyler (Aerosmith)
·        Livro preferido: “O tempo entre costuras”, (Maria Dueñas) e “O Conde de Monte Cristo” (Alexandre Dumas) – desculpa, não posso escolher um deles.
·        Estilo Musical:  Rock, clássica e blues
·          Estilo literário: Prosa

EQUIPE "ELEA" 




22 dezembro, 2014

Entrevista com: Sérgio Liberati




1 – Sabemos que o Cine Shopping Cachoeiro e o Cine Ritz Sul são os maiores do Sul do Estado, conte-nos a trajetória do AFA CINEMAS em Cachoeiro de Itapemirim. Lembrando que antigamente o cinema funcionava ao lado do Teatro Municipal. Quanto tempo tem?

É uma empresa originaria de São Paulo que se instalou em Cachoeiro no ano 2000 no próprio teatro municipal e depois foi para o Viva Shopping. Quem a trouxe foram os então sócios Marcos Valério e Alexandre Canteruccio, em 2003 abriu o Cine Shopping Cachoeiro e 2009 o Cine Ritz Sul, em 2015 teremos a mudança das duas salas do Shopping Sul para um novo espaço e a construção de mais duas, formando um complexo de 04 salas. Tb estamos em fase final de entendimento com outro centro empresarial da cidade para a construção de mais 03 salas.

2 – Sabemos que com tanta tecnologia e acesso a internet grande parte da população deixou de frequentar as salas do cinema mas ainda existe um público muito fiel ao cinema. Em Cachoeiro tem esse público?

O cinema é uma saída de casa, um passeio. Muitos primeiros encontros acontecem no cinema. Muitas famílias tem o costume de ir ao cinemas juntos. Ver um filme em casa não tem o mesmo gosto.Fazemos um grande trabalho de formação de plateia levando escolas e outros grupos ao cinema, em horários e com preços diferenciados. A digitalização das salas e o 3D renovaram a experiência de assistir um filme no cinema. O Cine Ritz Sul esta totalmente digital e o Cine Shopping Cachoeiro será digitalizado no começo de 2015.

3 - Qual as estratégias o cinema adota para atrair o público em geral?

Procuramos sempre trazer os melhores lançamentos  nacionais e ter um bom atendimento. Ficamos reféns de legislações que nos impedem de fazer promoções como gostaríamos e que são feitas em outras cidades, pois sabemos que nem todos tem condições financeiras de ir ao cinema, mas sempre que conseguimos realizamos campanhas e promoções.

4- Qual é o critério de escolha dos filmes? Optam sempre pelos populares?

Ficamos atentos aos filmes que poderão agradar nossos clientes e na medida do possível tentamos lança-los.   Por ser uma cidade de interior, temos muitas dificuldades de conseguir lançamentos nacionais, muitos filmes são lançados nas capitais primeiro. A digitalização das salas melhorou um pouco essa situação.


5 – Em sua memória, qual foi o ultimo filme que você lembrar que o público amanheceu na filha para comprar o ingresso? Ainda existe esse tipo de público?


O mais recente foi o Jogos Vorazes A Esperança – Parte 01, filmes voltados para o publico adolescente tem esse poder.


6 – Quais os dias que mudam os filmes em cartaz?

A programação dos cinemas no Brasil mudam toda quinta-feira, tirando lançamentos especiais que podem ocorrer em dias diferentes.

                                    
                                                                     EQUIPE “ELEA”

20 dezembro, 2014

A VERDADE CERTA- PARTE 3



  As oito e meia acordei. Entrei no banheiro. Abri o chuveiro, e lá fiquei por mais ou menos uma hora esperando que algo acontecesse para que eu não precisasse ir depor.
     

 Fui para o quarto. Troquei de roupa. Calcei meu sapato lentamente, e fui para mais um dia de tortura. Minha casa era mais ou menos uns cinco minutos do consultório do Doutor Rubens, minutos que nesse momento pareciam segundos.


Quando cheguei no consultório do Doutor Rubens, a primeiras pessoas que eu vi foi o detetive Leicam, ele me olhou dos pés à cabeça e com cara de desprezo disse:

- Olá, menina, espero que hoje você fale a verdade. (Disse o detetive com ar de deboche)

Olhei para ele com desdém e entrei no consultório.

O doutor Rubens me recebeu com gentileza, e pediu para que eu me sentasse para começar o interrogatório.

- Lorena, você precisa colaborar com nossas investigações. E pode começar nos contando o que aconteceu na noite do atropelamento. 

-Doutor, eu já disse tudo que sabia nos depoimentos anteriores. Essa já deve ser a terceira vez que eu venho aqui pelo mesmo motivo.

- Lorena, me conte tudo o que aconteceu na noite do acidente, com os mínimos detalhes, sem ocultar nada.

- Roberta, Rafaela , Nicole e eu estávamos na casa da Laila assistindo filme, e como o filme estava muito sem graça resolvemos ir para a praia comemorar mais um ano de sucesso. Saímos da casa da Laila mais ou menos umas nove e meia da noite. Chegamos em Marataízes as dez e dez, e fomos direto para um barzinho para encontrar alguns amigos. Lá a gente dançou, bebeu e se divertiu. Depois disso, mais ou menos as duas da manhã resolvemos ir para casa, a Laila pegou o carro e nós fomos embora.

- A vítima também estava no bar com vocês?

-Sim, a Bruna estava lá com o Junin, o namorado dela.

- Fiquei sabendo que houve uma troca de carros, não foi?

-Foi sim, nos dividimos. Eu, a Laila e a Rafa fomos no carro em que a Laila dirigia, já as outras meninas foram com o Junin.

- Aconteceu mais alguma coisa no caminho?

- Nada de importante.

-Mas mesmo assim queremos saber. 

- Nós estávamos a caminho de casa quando o carro em que a Bruna estava parou no acostamento. A Laila parou o carro para ver o que tinha acontecido, nesse momento a Bruna saiu do carro gritando. Acho que ela e o namorado brigaram.

- Você sabe o motivo da briga?

-Não!

-Tem mais alguma coisa a dizer sobre essa noite?

- Depois da discussão eu e as meninas voltamos todas para a casa no mesmo carro e seguimos em direção a casa da Rafaela, onde passamos a noite.

Nesse momento o detetive Leicam interrompeu minha fala e disse:

- Lorena, tenho certeza que você está falando isso para defender suas amigas. Ficamos sabendo que vocês foram embora em carros separados, a Laira não disse nada que vocês voltaram no mesmo carro.

Eu não pude me conter, era tanta pressão que comecei a chorar desesperada.
Respirei fundo e disse:

- Então ela esqueceu de contar!

-Pode nos contar toda a verdade, Lorena. -Disse o detetive Licam irritado.

-Estou falando a verdade. Eu juro! Não fomos nós que matamos a Bruna!

-Só me responde mais uma pergunta. A Laira bebeu na noite do atropelamento?

- Não, ela foi a única que não bebeu.

- Garota, você acha que nós somos palhaços? -Disse o detetive Leicam indignado.

- O doutor Rubens, vendo minha aflição disse:

-Pode ir para casa, Lorena.

Sem falar nada, peguei a minha bolsa e saí. Entrei no carro e comecei a chorar. 

Precisava desabafar com alguém, pois me sentia muito culpada por contar tantas mentiras. Tentei ligar para as minhas amigas, mas nenhuma me atendeu. Me sentia culpada por mentir, mas sabia que as mentiras eram necessárias.

Desliguei o celular. Peguei um frasco de remédios que estava na cômoda. Tomei uns cinco comprimidos e apaguei, quando acordei estava no hospital.
                           
          



  Por: Lorena

18 dezembro, 2014

A verdade certa - parte 2

 Acordei com minha mãe batendo na porta e dizendo que já estávamos atrasadas, afinal hoje era o meu dia de dar um depoimento sobre o que ocorrera na noite do acidente em que Bruna foi morta. Ninguém tinha noção o quão dolorido relembrar isso era pra mim,  mas eu sei muito bem que a dor da gente não sai no jornal, e que no fundo ninguém se importava com o que eu sentia.  Afinal é sempre assim todos estão sempre prontos a lançar suas flechas carregadas de julgamentos, a verdade nem sempre é aceita, e o que prevalece é o egoísmo feroz e atroz que corrompe e mancha os corações humanos.
Levantei lentamente. Vesti uma roupa básica e sem cor – representava muito bem o estado em que me encontrava naquele dia. Tomei o café que minha mãe havia preparado e em seguida saímos de carro rumo ao escritório do Dr. Rubem para o interrogatório.
Ao chegarmos ao local fiquei muito apreensiva, pois nunca tinha passado por uma situação dessas, pedi minha mãe que me levasse pra casa, logo ela disse:
- Filha, você sabe que não podemos voltar, você terá que encarar essa tempestade negra, mas saiba que estarei ao seu lado. Você e as meninas saíram ilesas dessa história.
- Em falar nas meninas já faz dois dias que não nos falamos. Queria que elas estivessem aqui comigo.
Bati a porta e fui recebida pelo Dr. Rubem e mais dois policiais, me pediram que sentasse no famoso divã.
- Vamos começar. Disse o Dr. Rubem. - Laila gostaria que me contasse nos mínimos detalhes tudo que viu, ouviu e falou no dia do acidente. Espero que você contribua, uma vez que, a  Roberta não se disponibilizou a nos detalhar todo o ocorrido.

- Naquela noite Roberta, Lorena, Rafaela e Nicole foram até a minha casa e da lá resolvemos ir para praia comemorar mais um ano de faculdade concluído, eu fui dirigindo o carro. Ao chegarmos lá fomos nos encontrar com alguns amigos num barzinho. Comemos. Dançamos. Conversamos. Bebemos uns drinks. E lá por volta das 2:00 da madrugada resolvemos ir embora, mas os meninos que estavam lá queriam que ficássemos mais tempo com eles e com as outras meninas que também estavam lá, entre elas estava Bruna, que já havia bebido muito  e se encontrava atracada com o Junin. Resolvemos ficar mais um pouco, e quando finalmente resolveram ir pra casa  os meninos resolveram fazer uma troca de carros, e eu as meninas fomos embora em carros diferentes.  Saímos de Marataízes, e de repente os carros que se seguiam pararam no acostamento. Todos saímos para ver o motivo, foi quando eu vi Bruna chorando e gritando Junin, daí percebi que tinha acontecido uma briga no carro em que eles estavam, de repente Roberta entrou na briga e como todos estavam alterados, a discussão logo tomou uma proporção maior.

Quando acabei de dizer isso não consegui me conter e comecei a chorar, minha mãe veio ao meu encontro e me deu um abraço e eu disse a ela que não conseguia mais dizer nada e que queria ir pra casa. 
Os policias e o Dr. Rubem se entreolharam balançando a cabeça em sinal de reprovação, foi quando Dr. Rubem disse:
- Tudo bem Laira, por hoje é só. Você nos ajudou bastante com seu depoimento, pode ir pra casa, mas saiba que irá retornar aqui logo após os depoimentos de suas amigas, pois ainda nesta semana vocês irão depor todas juntas frente a frente. Será neste momento que saberei se as versões da mesma história se igualam ou se divergem, e saberei QUAL É A VERDADE CERTA.

Por: Laira




Lorraine Dobrovosk