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18 dezembro, 2014

A verdade certa - parte 2

 Acordei com minha mãe batendo na porta e dizendo que já estávamos atrasadas, afinal hoje era o meu dia de dar um depoimento sobre o que ocorrera na noite do acidente em que Bruna foi morta. Ninguém tinha noção o quão dolorido relembrar isso era pra mim,  mas eu sei muito bem que a dor da gente não sai no jornal, e que no fundo ninguém se importava com o que eu sentia.  Afinal é sempre assim todos estão sempre prontos a lançar suas flechas carregadas de julgamentos, a verdade nem sempre é aceita, e o que prevalece é o egoísmo feroz e atroz que corrompe e mancha os corações humanos.
Levantei lentamente. Vesti uma roupa básica e sem cor – representava muito bem o estado em que me encontrava naquele dia. Tomei o café que minha mãe havia preparado e em seguida saímos de carro rumo ao escritório do Dr. Rubem para o interrogatório.
Ao chegarmos ao local fiquei muito apreensiva, pois nunca tinha passado por uma situação dessas, pedi minha mãe que me levasse pra casa, logo ela disse:
- Filha, você sabe que não podemos voltar, você terá que encarar essa tempestade negra, mas saiba que estarei ao seu lado. Você e as meninas saíram ilesas dessa história.
- Em falar nas meninas já faz dois dias que não nos falamos. Queria que elas estivessem aqui comigo.
Bati a porta e fui recebida pelo Dr. Rubem e mais dois policiais, me pediram que sentasse no famoso divã.
- Vamos começar. Disse o Dr. Rubem. - Laila gostaria que me contasse nos mínimos detalhes tudo que viu, ouviu e falou no dia do acidente. Espero que você contribua, uma vez que, a  Roberta não se disponibilizou a nos detalhar todo o ocorrido.

- Naquela noite Roberta, Lorena, Rafaela e Nicole foram até a minha casa e da lá resolvemos ir para praia comemorar mais um ano de faculdade concluído, eu fui dirigindo o carro. Ao chegarmos lá fomos nos encontrar com alguns amigos num barzinho. Comemos. Dançamos. Conversamos. Bebemos uns drinks. E lá por volta das 2:00 da madrugada resolvemos ir embora, mas os meninos que estavam lá queriam que ficássemos mais tempo com eles e com as outras meninas que também estavam lá, entre elas estava Bruna, que já havia bebido muito  e se encontrava atracada com o Junin. Resolvemos ficar mais um pouco, e quando finalmente resolveram ir pra casa  os meninos resolveram fazer uma troca de carros, e eu as meninas fomos embora em carros diferentes.  Saímos de Marataízes, e de repente os carros que se seguiam pararam no acostamento. Todos saímos para ver o motivo, foi quando eu vi Bruna chorando e gritando Junin, daí percebi que tinha acontecido uma briga no carro em que eles estavam, de repente Roberta entrou na briga e como todos estavam alterados, a discussão logo tomou uma proporção maior.

Quando acabei de dizer isso não consegui me conter e comecei a chorar, minha mãe veio ao meu encontro e me deu um abraço e eu disse a ela que não conseguia mais dizer nada e que queria ir pra casa. 
Os policias e o Dr. Rubem se entreolharam balançando a cabeça em sinal de reprovação, foi quando Dr. Rubem disse:
- Tudo bem Laira, por hoje é só. Você nos ajudou bastante com seu depoimento, pode ir pra casa, mas saiba que irá retornar aqui logo após os depoimentos de suas amigas, pois ainda nesta semana vocês irão depor todas juntas frente a frente. Será neste momento que saberei se as versões da mesma história se igualam ou se divergem, e saberei QUAL É A VERDADE CERTA.

Por: Laira




Lorraine Dobrovosk 

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