Menu Fixo

Menu-cat

24 dezembro, 2014

A VERDADE CERTA- PARTE 4. FINAL


Hoje era o meu dia de depor, todas as meninas já haviam ido e eu fui à última. Desde o dia do acidente eu fiquei muito deprimida pela morte da Bruna, ela era minha amiga, sofri calada por todos esses dias após sua morte, meu coração estava dolorido pelo que aconteceu.
Levantei às sete da manhã, tinha que estar na delegacia para o depoimento às oito e meia, tomei meu banho e um café preto bem quente.
Cheguei ao prédio de paredes pintadas de branco e preto com um ar asqueroso, meus saltos pretos batiam firmemente contra o piso de concreto, meu vestido também preto se alinhava ao meu corpo fazendo um conjunto perfeito com meu rabo de cavalo e meus grandes óculos escuros, eu precisava passar uma boa imagem ao delegado, ou ele não acreditaria em mim.
O celular em minha bolsa tocou antes que abrisse a porta da delegacia, o apanhei sutilmente em minha bolsa e observei a mensagem:
“Lindinha, lembre-se da nossa conversa!”

Um calafrio percorreu minha espinha fazendo uma lágrima solitária rolar pelo meu rosto. Guardei o aparelho de volta em minha bolsa e me recompus, tentando passar uma imagem gélida e ressentida com o acidente de poucos dias. Tudo por minhas amigas.
-Até que enfim, espero que a última a falar diga, pelo menos, a verdade. Sente-se querida, fique a vontade.
Dr. Rubens se me recebeu ao na sala do detetive Leicam, que me encarava rudemente.
-Nicole diga-me o que aconteceu no carro que, segundo os depoimentos anteriores, você estava no carro da vítima correto?
-Sim Dr.- Respondi ponderadamente.
-Muito bem diga-nos o que aconteceu no momento em que vocês entraram no carro.
-Eu fui no carro com o Junin porque o carro da Laila já estava muito cheio, Bruna já havia bebido de mais e estava brigando desde que saímos da boate por causa de uns caras que tinham dado em cima dela. Eles estavam alterado, Junin proferia xingamentos horrendos a Bruna, eu e Roberta ficamos apavoradas com a briga do casal e nos desesperamos tentando acalma-los.
- Sim essa lenga-lenga a gente já sabe, fale algo mais importante garota
O detetive Leicam me deixava nervosa, o olhar rude dele quase fazia minha mascara de moça calma cair, mas eu não podia.
-Estou falando Detetive. Depois disso Junin ainda dirigia o carro e então param para discutir, Roberta e eu tentamos separa-los, mas estava impossível. Lorena também parou o carro, mas logo seguiu viajem e a briga continuou até que Junin se enraiveceu com a minha intervenção e mandou eu e Roberta entrarmos no carro. Ele chegou bem perto de Bruna e depois entrou no carro seguindo viajem, negando os pedidos aflitos meu e de Roberta para que ele voltasse e pegasse a Bruna, mas ele não voltou! Deixou eu e Roberta em uma esquina próxima a nossa casa e saiu cantando pneu sem nos dar qualquer explicação.
-Huum, interessante, então ele a largou e depois saiu sem destino com carro?
-Isso.
-Sabe Nicole, o celular da Bruna não foi encontrado, segundo fontes, me disseram que ela era bem grudada a ele, o que você tem a dizer sobre isso?
-Eu não sei de nada!
Minha respiração e calma estavam afetadas, como eles descobriram sobre o celular?
-Tem certeza?
Pressionou o Detetive.
-Sim.
-Tudo bem, próximo depoimento será você e o seu amiguinho Junin.
Fiquei pálida, mas assenti para o Dr. Rubens e o Detetive e sai apressadamente do prédio. Já tinha um táxi me esperando na porta da delegacia. Lagrimas silenciosa rolava pelo meu rosto, eu precisava seguir em frente. Meu celular tocou, atendi rapidamente, era a Rafaela.
-Nick? E aí como foi o depoimento?
Minhas lagrimas voltaram com força total e nem deu para segurar a voz.
-Foi tudo bem, te ligo assim que chegar a casa ok?
-Você está chorando Nick? Nick?
Desliguei o telefone vendo que já tinha chegado a casa, paguei o táxi rapidamente e abri a porta. Gritei quando percebi que um braço tinha me arrastado para dentro de casa.
-Sua vadia! O detetivizinho de merda me ligou, vamos depor juntinhos não é?
Junin apertava meu pulso com força e estapeou meu rosto com força, fazendo com que minha bolsa voasse e minhas lagrimas ficassem ainda mais fortes.
-Sua amiguinha saiu desta vida assim que sua ligação terminou, eu disse piranha!
-Não!!!!!
Gritei forte soluçando com força.
-Junin eu não disse nada, eu juro, falei que não tinha visto você atirando em Bruna e dando um sumiço no corpo!
Gritei com fúria e raiva, fiz de tudo para proteger minhas amigas, mas o idiota matou Rafaela a sangue frio. Em resposta ao meu ataque ele me bateu até que eu cai no chão frio fortemente, o que fez com que ele chutasse minha bolsa e o celular de Bruna em minha bolsa se arrastasse pra perto de mim.
Um pouco de sangue saiu de mina boca e eu percebi que naquele momento eu morreria se não fizesse nada. Disquei rapidamente o numero do detetive Leicam, eu sabia que assim que eu ligasse o telefone ele rastrearia.
-Vadia, vagabunda!
Junin me batia fortemente, eu levantei do chão e corri com o aparelho preso na minha blusa sem que ele percebesse, joguei a mesinha no chão e corri para a varanda. Estava ofegante e cansada, mas eu resistiria até o fim.
Ele me achou e meu choro se intensificou, ele me estapeou mais forte e eu cai.
-A policia vai descobrir A VERDADE CERTA seu estúpido, você vai pagar!
Gritei alucinada, esbocei um sorriso no rosto enquanto eu via as sirenes invadindo a minha rua, 15 minutos depois a minha ligação ao detetive. Junin só queria saber de me bater e nem se atentou ao fato. Em um único movimento que minhas forças permitiam, me joguei na rua rolando em direção da avenida, onde um carro de policia parava e apontava em direção a Junin.
-Você está preso por assassinar Bruna Gonçalves, Junior Silveira.
O Detetive gritou o mandado de prisão e eu dei meu ultimo suspiro, vendo Roberta, Laila e Lorena vindo em minha direção e eu simplesmente pude fechar meus olhos tranquilamente...

Junin foi indiciado e acusado por matar Bruna e Rafaela  e por envolvimento com trafico de drogas. O celular que estava com Nicole foi recuperado e a policia firmou todos os crimes com a quebra do sigilo do acusado. Junin tinha atirado em Bruna e despistado o atentado com o atropelamento, Nicole tinha descoberto pelas chamadas de voz do whatsapp de Bruna, que o celular tinha ficado em sua bolsa para não perder no barzinho e ela tinha esquecido de pegar de volta. O que tornou o objeto de chantagem de Junin para manter Nicole de bico fechado.
O enterro de Rafaela foi sofrido, tanto pelas amigas, tanto pela família. Nicole foi levada ao hospital e ficou internada por alguns dias até ficar completamente boa. As amigas ficaram ao seu lado ao tempo, dando forças para superar as dificuldades, como sempre ficaram.

A verdade certa sempre aparece! 

Nenhum comentário:

Postar um comentário