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23 dezembro, 2014

Entrevista com : Ludmila Clio


Graduada em História, dona da fan page/ blog Copo de Letras e também do site www.ludmilaclio.com.br, além de escritora e filha da Capital Secreta do Mundo.
1      
      Como já sabemos em 2012 você lançou “ Sem Filtro na Veia”, como surgiu a ideia do livro?

A verdade é que nunca imaginei publicar um livro até as coisas começarem a acontecer. Como todo escritor, eu guardava quase que a sete chaves tudo o que escrevia e só mostrava para quem eu realmente confiava. Um dia, ao chegar à faculdade com meu namorado na época, ele viu um cartaz de um concurso nacional de poesia e me incentivou demais pra participar. Eu não me sentia capaz de vencer e só participei para provar que não daria em nada. 
Para minha surpresa, venci 102 participantes do Brasil. Foi uma exposição que eu jamais desconfiava ter. Um jornal local me entrevistou, o da faculdade também. Daí começou uma certa “pressão” dos mais chegados para que eu publicasse um livro. Mas isso foi em 2004. Só em 2011 que me inscrevi na Lei Rubem Braga e fui contemplada. Com o recurso financeiro em mãos eu não tive escapatória, nasceu o “Sem Filtro na Veia”.

2       “ Sem Filtro na Veia” é uma obra de poesias. Gostaria de saber, a poesia é uma paixão de infância ou surgiu com o primeiro amor?

Escrever, de um modo geral, foi meu escape. Comecei a ser alfabetizada aos 04 anos em casa, pelo meu pai. Ele comprou uma cartilha linda, caderno (que tinha um cachorrinho com uma rosa vermelha na boca, lindo!) na capa. Também me lembro da borracha cheirosa em formato de livro, do apontador de aço. Não me lembro do lápis, interessante... Meu pai me apresentou às palavras, às conjugações verbais... então desde muito pequena eu me preocupava com isso.
             Não que ele fosse severo, mas ele realmente primava pelo bom português e eu peguei gosto por isso. Quando comecei a estudar, tive uma professora que até hoje a chamo carinhosamente de “tia” Mariza. Ela complementou na escola o que meu pai começou em casa. Ela era carinhosa, mas na hora dos ditados, das leituras, ela era firme. Exigia nossa compreensão de uma maneira delicada. Não sei se isso vem de dentro. Eu, particularmente, atribuo aos dois tudo o que floresce hoje. Eles plantaram as sementes em mim.

E por ser filha única, tive uma infância mais solitária que o normal. Quando sentia minhas angústias ou coisas que nem sabia definir, eu escrevia. Até que isso se tornou uma extensão de mim mesma. As palavras me tornaram uma pessoa atenta. Qualquer comentário pode virar uma poesia e, muitas vezes, eu ouço pérolas de pessoas que nem se dão conta da beleza do que estão dizendo. A poesia se tornou uma paixão quando me apaixonei pelas palavras. Uns se especializam em falar de economia; outros, de medicina; eu tento ser uma especialista de sentimentos, entrelinhas e silêncios.

3      Além de escritora você tem outra profissão, como é conciliar as duas carreiras? E qual profissão é essa?
Atualmente eu sou secretária numa imobiliária (tudo a ver!! ). Sinceramente meu emprego é ótimo, meus patrões são excelentes comigo, de verdade. Meus horários são flexíveis, eu só ganhei depois que comecei a trabalhar com eles. Mas, mais sinceramente ainda, eu não sou adequada para o sistema. Meu metabolismo é literário, precisa do silêncio da madrugada para escrever. Como posso acordar cedo para trabalhar se passar a madrugada adentro escrevendo? Enfim, não é “só” isso. De todo meu coração eu espero poder, um dia, viver para escrever. Meu coração está nisso, somente nisso.

  Você iniciou como blogueira ou esse hobby só veio depois da publicação do livro?

Como disse, o prêmio nacional foi em 2004 e os amigos começaram a “forçar” um livro. Como eu me esquivava bastante (e bem), alguns começaram a sugerir um blog. Eu não fazia a menor ideia de como fazer um, mas numa bela tarde de setembro de 2008, quebrei a cabeça e futuquei até conseguir. Daí nasceu o Copo de Letras.

            OBS: ( Eu estava espremendo as ideias e nada vinha. Daí peguei meu pequeno    Aurélio escolar, fechei os olhos e apontei para uma palavra. Meu dedo indicava “copo-de-leite”. Pensei, pensei e bum! Copo de Letras!)

5  Aproveite o espaço e conte-nos um pouco mais de “ Sem Filtro na Veia”. Como anda a divulgação da obra?
“Sem Filtro na Veia” se chamaria “Intensidade”. Um nome bobo, se pensar bem. Um dia eu estava jogada no sofá ouvindo pela milésima vez um CD do Engenheiros até que tocou “Na Veia” e parece que, como numa epifania, aquela frase entrou pelos meus ouvidos pela primeira vez: “Sem Filtro na Veia”. Fiquei hipnotizada e ali eu soube: se tivesse mesmo um livro, esse seria seu nome.
Atualmente, confesso, já está me batendo um certo constrangimento dele, por ser meu primeiro trabalho. Há poesias nele que escrevi na adolescência, estou cansada delas! Ademais, não sou a mesma daqueles tempos. Há poesias nele que eu não postaria hoje, de jeito algum! Ao passo que, já fui chamada de egoísta ao declarar isso, já que todas as poesias são novidade para quem as lê pela primeira vez, e quanta gente já me procurou para dizer que se viu em alguma delas! Isso é curioso, acho bonito tocar em tantas almas e sensibilidades sem ter essa intenção.

(Não estou mais focada na divulgação do “Sem Filtro na Veia” porque minha energia está toda canalizada no próximo, que ainda é um projeto, mas já está com tudo encaminhando) .

6) RAPIDINHAS :  J

·        Escritor preferido (a): Rubem Alves e Clarice
·        Música preferida: Trenzinho Caipira, de Villa Lobos (é a tatuagem do meu braço direito)
·        Cantor preferido (a): Steven Tyler (Aerosmith)
·        Livro preferido: “O tempo entre costuras”, (Maria Dueñas) e “O Conde de Monte Cristo” (Alexandre Dumas) – desculpa, não posso escolher um deles.
·        Estilo Musical:  Rock, clássica e blues
·          Estilo literário: Prosa

EQUIPE "ELEA" 




Um comentário:

  1. Sou fã do trabalho da Ludmila. Me vi em muitas das poesias do Sem filtro na veia. Ótima entrevista e ansioso pelo novo trabalho dela... parabéns. Bom blog

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