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20 dezembro, 2014

A VERDADE CERTA- PARTE 3



  As oito e meia acordei. Entrei no banheiro. Abri o chuveiro, e lá fiquei por mais ou menos uma hora esperando que algo acontecesse para que eu não precisasse ir depor.
     

 Fui para o quarto. Troquei de roupa. Calcei meu sapato lentamente, e fui para mais um dia de tortura. Minha casa era mais ou menos uns cinco minutos do consultório do Doutor Rubens, minutos que nesse momento pareciam segundos.


Quando cheguei no consultório do Doutor Rubens, a primeiras pessoas que eu vi foi o detetive Leicam, ele me olhou dos pés à cabeça e com cara de desprezo disse:

- Olá, menina, espero que hoje você fale a verdade. (Disse o detetive com ar de deboche)

Olhei para ele com desdém e entrei no consultório.

O doutor Rubens me recebeu com gentileza, e pediu para que eu me sentasse para começar o interrogatório.

- Lorena, você precisa colaborar com nossas investigações. E pode começar nos contando o que aconteceu na noite do atropelamento. 

-Doutor, eu já disse tudo que sabia nos depoimentos anteriores. Essa já deve ser a terceira vez que eu venho aqui pelo mesmo motivo.

- Lorena, me conte tudo o que aconteceu na noite do acidente, com os mínimos detalhes, sem ocultar nada.

- Roberta, Rafaela , Nicole e eu estávamos na casa da Laila assistindo filme, e como o filme estava muito sem graça resolvemos ir para a praia comemorar mais um ano de sucesso. Saímos da casa da Laila mais ou menos umas nove e meia da noite. Chegamos em Marataízes as dez e dez, e fomos direto para um barzinho para encontrar alguns amigos. Lá a gente dançou, bebeu e se divertiu. Depois disso, mais ou menos as duas da manhã resolvemos ir para casa, a Laila pegou o carro e nós fomos embora.

- A vítima também estava no bar com vocês?

-Sim, a Bruna estava lá com o Junin, o namorado dela.

- Fiquei sabendo que houve uma troca de carros, não foi?

-Foi sim, nos dividimos. Eu, a Laila e a Rafa fomos no carro em que a Laila dirigia, já as outras meninas foram com o Junin.

- Aconteceu mais alguma coisa no caminho?

- Nada de importante.

-Mas mesmo assim queremos saber. 

- Nós estávamos a caminho de casa quando o carro em que a Bruna estava parou no acostamento. A Laila parou o carro para ver o que tinha acontecido, nesse momento a Bruna saiu do carro gritando. Acho que ela e o namorado brigaram.

- Você sabe o motivo da briga?

-Não!

-Tem mais alguma coisa a dizer sobre essa noite?

- Depois da discussão eu e as meninas voltamos todas para a casa no mesmo carro e seguimos em direção a casa da Rafaela, onde passamos a noite.

Nesse momento o detetive Leicam interrompeu minha fala e disse:

- Lorena, tenho certeza que você está falando isso para defender suas amigas. Ficamos sabendo que vocês foram embora em carros separados, a Laira não disse nada que vocês voltaram no mesmo carro.

Eu não pude me conter, era tanta pressão que comecei a chorar desesperada.
Respirei fundo e disse:

- Então ela esqueceu de contar!

-Pode nos contar toda a verdade, Lorena. -Disse o detetive Licam irritado.

-Estou falando a verdade. Eu juro! Não fomos nós que matamos a Bruna!

-Só me responde mais uma pergunta. A Laira bebeu na noite do atropelamento?

- Não, ela foi a única que não bebeu.

- Garota, você acha que nós somos palhaços? -Disse o detetive Leicam indignado.

- O doutor Rubens, vendo minha aflição disse:

-Pode ir para casa, Lorena.

Sem falar nada, peguei a minha bolsa e saí. Entrei no carro e comecei a chorar. 

Precisava desabafar com alguém, pois me sentia muito culpada por contar tantas mentiras. Tentei ligar para as minhas amigas, mas nenhuma me atendeu. Me sentia culpada por mentir, mas sabia que as mentiras eram necessárias.

Desliguei o celular. Peguei um frasco de remédios que estava na cômoda. Tomei uns cinco comprimidos e apaguei, quando acordei estava no hospital.
                           
          



  Por: Lorena

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