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03 abril, 2015

As faces de "Madame Bovary"

“Mulher, aquela que pode ser muitas sem deixar de ser a mesma.”


As faces de "Madame Bovary"


Toda mulher apresenta em sua personificação muitas faces. Na Literatura encontramos muitas obras clássicas que resignificam a figura da mulher na sociedade, dentre elas está “Madame Bovary”, considerada a obra mais importante do francês Gustave Flaubert.
É interessante ressaltar que esta publicação gerou um grande escândalo na sociedade francesa onde o autor Flaubert, foi acusado de ofender a moral e a religião. Uma vez que a mulher, naquela época, deveria assumir atitudes virtuosas. Existia uma regra “social moral” que impunha as mulheres a se casarem para se tornarem honrosas. Emma Bovary apresenta então sua primeira face lilith e faz uma ruptura com estas regras, ao quebrar o estereotipo do perfil feminino da sociedade em que estava inserida.
 Para as mulheres, o casamento por amor, era uma grande expectativa. Vemos estas duas características na personagem de Emma e Charles Bovary, ele era um médico, ou seja, um homem com uma atuação social importante e ela sem dúvidas sonhava com um marido eternamente apaixonante, neste fragmento encontramos nela traços de Eva, aquela que fazia dos sonhos a esperança de vida. Podemos então olhar para este casal como importantes personagens representantes da classe comum, embora burguesa de sua época. Á primeira vista pareciam um casal perfeito, feitos um para o outro, porém, após o casamento Emma demonstra-se uma mulher insatisfeita, mesmo não lhe faltando nada e tendo a possibilidade de comprar tudo quanto achasse necessário.
Na verdade o que faltava a Emma era o amor reciproco pelo marido, não havia sentimentos, mesmo tendo tudo, ainda faltava algo. O encantamento de que Charles fosse um marido ideal, passou. Daí surge a pergunta: Se Emma tinha “tudo” o que precisava para ser feliz e poderia ter tudo mais o que lhe faltasse, porque ela assim não foi? Percebo que a necessidade de Emma que dará origem a todas as suas práticas que desenrolam a trama, principalmente o consumismo e a traição tem origem na ausência de uma palavra: Felicidade. Hoje no século XXI a “ausência” desta palavra, considerando a sua definição pessoal, ainda deixa muita gente insatisfeita.
 Emma enxergava a felicidade como um alvo, na verdade como ela era extremamente romântica, a felicidade para ela era um sonho. Um sonho cujo ela se rejeitou a vivê-lo na sua realidade. Ela preferiu continuar sonhando, sonhando, sonhando... e satisfazendo-se com a ilusão de alcançá-lo em alguns momentos surreais (digo fora da realidade), e toda esta utopia resultou-se através da traição.
Consideramos por fim que Emma Bovary, assim como todas as mulheres, apresenta em sua completude várias faces. Cada mulher é um mistério a ser desvendado, um enigma a ser investigado, um livro a ser descoberto, uma flor a ser contemplada. Assim foi Madame Bovary e assim somos todas nós.



Abaixo um texto de  autoria Antonia Lima:

Há dias que a gente quer ser pessoas, coisas, lugares...não sei! 

Por exemplo: hoje eu queria ser:
A Yoko do John Lennon
A Amélia do Pe. Amaro
A Emma do Flaubert
A Capitu do Machado
A Estrela (da Vida Inteira ) do Manuel
A Dama das Camélias do Dumas
A Nancy de Deus lhe Pague
A Ana Karenina do Tolstói
A Casa de Rubem Alves
A Zélia de Amado Jorge
O Morro dos Ventos da E. Brontë
O catavento de Dom Quixote
O Bolero do Ravel
A Razão de Kant
A poesia de Florbela
O Rebanho de Fernando
A Amélie do Yann
O Cântico da Cecília
A lua de tapioca do Jessier
A Camille de Rodin
A Sinfonia do Bethoven
As Veredas de Guimarães 
A Sobrevivência do Graciliano
A Rosinha de Gonzaga
A Prece de Clarice
A Pilar do Saramago
As Marias da Haidée Fonseca
O luar do meu Sertão!
A Maria Bonita de Lampião                                         
A Maria Rita do Roberto 
Os irmão de Dostoievski
O Retrato do Dorian





Até Mais, Lorraine Dobrovosk

8 comentários:

  1. Olá, tudo bem?

    Resumindo, é mega complicado entender as mulheres Rsrsrs. Brincadeiras à parte, concordo plenamente com seu texto. Cada pessoa tem seu jeito e ao longo dos anos, principalmente na literatura, tivemos autoras e personagens dos mais variados, cada um com um objetivo em mente, mas buscando o casamento por amor, outras buscando o casamento por status, e até mesmo aquelas que lutavam das garras do patriarcalismo para ter o direito de escolher o próprio marido e não ser vendida pelo próprio pai por 2 vacas e um porco pois esse foi o maior lance que deram nela. Sobre o texto da Antônia: lembrei daquela música "Fico assim sem você", só que enquanto no texto ela quer ser parte de um par, na música temos a história de alguém que perdeu o seu.

    Abraços,
    Matheus Braga
    Vida de Leitor - http://vidadeleitor.blogspot.com.br/

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  2. Olá!! Eita que a gente é complicada mesmo hein? haha Acredito que nós somos muito sortudas por ter nascido em uma época em que a nossa felicidade não precisa ser definida necessariamente pelo casamento. Ela pode ser buscada de várias formas e não somos mais tão repreendidas pela sociedade, porém ainda somos =x Mas esse é um papo pra outro post né haha ;) Sim, a inquietude da Emma brotou dessa insatisfação que ela sentia, e nos levou aos acontecimentos desse clássico que até hoje tem tanto para nos ensinar. Amei os textos! Parabéns ;) Beijos! http://www.trocandodisco.com.br/

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  3. Oi, Lorraine. Você escreve bem demais!
    Lendo seu texto foi inevitável não recordar de um episódio que ocorreu comigo aos 12 anos. Era meu aniversário, um amigo antigo reapareceu, com quem eu costumava brincar quando era menor, filho de amigo da mamãe. Meu coraçãozinho bateu forte ao vê-lo, sabe? Enfim. As coisas poderiam ter acontecido naturalmente, mas minha mãe decidiu apressar. Fui basicamente forçada a namorar com ele e fui tão traumatizada que comecei a culpá-lo pelo que acontecia na minha vida, pois minha mãe até vestido de casamento estava vendo e todos ao meu redor me pressionavam a tratá-lo como namorado e portar-me como gente grande, indo para jantares românticos quando eu só queria brincar de Barbie. Senti-me exatamente como se vivesse numa época retrógrada, como se estivesse tendo meu futuro marido escolhido pela minha mãe e minha opinião pouco importasse. Como eu bem disse: um trauma.
    Com carinho,
    Celly.

    Me Livrando: livre-se você também!

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  4. Este comentário foi removido pelo autor.

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  5. Oh, não sabia que o nome da famosa Madame Bovary era "Emma"... Na verdade nunca li esse livro, está na minha lista de clássicos que quero muito ler algum dia. Me interessou muito o contexto em que o livro foi escrito, segundo o que você falou, e é entristecedor e deprimente pensar que já nos foram impostas tantas regras de conduta e moral ridículas e limitadoras assim :/ E se formos parar pra pensar, algumas ainda o são até hoje. Nossa luta não acabou!
    Besos
    http://www.kuroneko1.blogspot.com

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  6. Olá... Adorei seu texto. Realmente nós mulheres somos um tanto complicadas mesmo.
    Mas antigamente realmente o mundo era um tanto injusto com as mulheres, com o passar dos anos o direito de igualdade ajudou em muitas coisas.
    Beijinhos
    Jaque - Meus Livros, Meu Mundo.

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  7. Não sabia que o nome da Madame era Emma. Blogs são muito conhecimento, hehe.
    Adoro mulheres fortes e que fazem jus ao nosso poder, principalmente antigamente. Adoro ler um livro ou conhecer a história de alguma mulher que lutou contra as regras para nos tornar mais dignas.
    Seu texto define toda a nossa luta, simplicidade e desejo de igualdade. Amei!

    Beijocas,
    http://www.segredosentreamigas.com.br/

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  8. Oi, tudo bem?
    Não conheço muito da personagem mas adorei o texto!
    Acho incrível ler os clássicos justamente por perceber nitidamente a evolução das mulheres, como era no passado e como é hoje. E acho sensacional que as autoras ousavam a ponto de criar personagens femininas fortes assim, que mostram seu poder, mesmo que pra gente não pareça, era muita ousadia pra época!
    Adorei meesmo seu texto, colocou em palavras muitos dos meus pensamentos!
    Beijos
    www.romanceseleituras.com

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