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16 abril, 2015

Chame a carrocinha.


- Chame a carrocinha! 

Esses dias indo para a faculdade acordou em mim um medo muito grande, na verdade, um pavor, fobia, quer dizer cinofobia, que é o pavor de cachorros pros mais leigos, quando subira um morro o mesmo – monstro de quatro patas- latia de forma agressiva, mostrando seus dentes pontiagudos e afiados causando em mim o pânico. Não sabia o que fazer – sabe aqueles sonhos que você tem vontade de correr mas não consegue? Foi desse jeito. Peguei uma pedra, duas pedras. E nada. Até que uma menininha, com seus 7 ou 8 anos, me fez sentir-se envergonhado de ser gente, e de ser adulto, e de ser medroso, por causa desses monstros caninos. A menininha abraça o cachorro e me disse com inocência, que só uma criança tem: “ Moço, pode passar eu seguro ele para você”. Fiquei sem chão, uma criança me defendendo de um animal. Mas, não se brinca com medo. A menininha ainda continuou “ Moço, por favor, não machuque o cachorro”, ela agarrada ao bichano e com os olhos amedrontados. Senti vergonha. Descobri no meio da confusão que levara menos de dez minutos, que o cachorro não tinha dono, pois é a senhora avisou “esse cachorro fica na rua, os antigos moradores abandonaram ele”.



Não consigo lembrar nenhum fato que me fez ter medo de cachorros. E olha que sou bom de memória, mas nada, nadinha. Nunca fui muito fã de cachorro e nada vida os únicos que fizeram olhar com humanidade foram o Tobby Marley, Luke, Zig Braga e só. Tobby Marley, era o cachorro hiper ativo de minha vizinha Natalia, tinha nome e sobrenome, não era cachorro qualquer. Foi amor à primeira vista, um poodle branco e ainda por cima virgem tadinho, eu adorava-o. Lembro que uma vez ele saiu correndo pela rua e todos os cachorros correram atrás dele. Resultado: foi uma confusão, uma cachorrada, eu no meio, Tobby Marley de outro e o todo mundo rindo de mim. Que vergonha!
Quanto a Lokie, foi meu cachorro de pelúcia, tive pelos menos durante uns nove anos, porém Madrinha cismava com o bicho, achava que ele trazia muita poeira para o meu quarto e encasquetou que iria tirar todas as suas espumas e assassinar o cachorro. Tadinho, ele já estava com uma orelha rasgada e um dos olhos já haviam se soltado, afinal estava “idoso”.
Falando de cachorros, não tem como citar Zig Braga, esse sim eu admiro. Talvez, por está só em na literatura, na memória dos leitores cachoeirenses e nas crônicas de Braga. Tudo bem que Zig corria atrás dos carteiros, era levado, invadia as missas na catedral porém era um cachorro admirável por suas peripécias, além de tudo é fictício literário, nunca mordera-me.  



Outra que fazia odiá-la era a Suzy, filha de minha amiga Giovana, ô cachorra nojenta. Além do primeiro nome, tinha uma segundo porque não se satisfez, a cachorra Yolada. Yolada era cismada comigo, não latia com ninguém, só comigo. Era só eu chegar, que Suzy-Yolada começava, era um filme de terror. Eu precisava de escoltas para passar diante dela. Calafrio. Eu suava frio. Suzy me olhava preste a dar o bote. Nunca sublimei a inteligência dos animais, mas essa era o “bicho” em forma de cadela.
Gosto nem de lembrar o dia que a “diabinha de quatro patas” avançou em mim. Queria apenas lembrar quem foi que furou a guarda, pois Yolada foi muito rápida. Esqueci do pior: a cachorra era racista. Lembro muito bem os olhares que a cadela raivosa dava pra minha amiga Damiana. Fala sério, até os animais preconceituosos. Onde vamos parar? Que vergonha! Há pouco tempo atrás a “ erva venenosa” descansou em paz, depois de aterrorizar muita gente. Outra “famosinha” foi Negra Li, não a cantora de rapper que protagonizou o seriado da globo “ Antônia”, na qual eu amava. Mas , a cachorra da prima Ana, que era extremamente grande, extremamente forte, extremamente monstruosa. Tadinha, no fundo acho que Negra Li se sentia solitária, afinal toda vez que ela brincara na rua todos saíam correndo com medo dela, a rua fica deserta e eu era o primeiro a correr.



Que os defensores dos animais me odeiem, ou tentem acabar com minha reputação. Que minha amiga Rênia me xingue ou tente argumentar de mil e uma formas o quão “eles” são bonitinhos, mas não tem jeito. Se eu vejo aquele cachorro atacando mais alguém indefeso, irei chamar a carrocinha. Apesar, que madrinha foi curta e grossa e lembrou-me que não havia mais carrocinhas. Que vergonha! Putz, chamem a carrocinha eu preciso de proteção. 

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