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23 maio, 2015

As Faces de Geni







      A EQUIPE ELA preparou um minissérie baseada na música “Geni e o Zepelim” do compositor Chico Buarque de Holanda, apresentaremos alguns capítulos ampliando o sentindo da canção. Os capítulos serão inscritos baseados na análise da música, as vozes que falam por Geni, o ódio que a sociedade sente por essa mulher e o discurso impregnado de cada personagem-morador e instituição que aparece no contexto musical. Aproveite a riqueza da letra da música de Chico.
Escute a música, leia os capítulos e se aventure nessa história de sedução e falso moralismo, construído pelo Entrelinhas e Afins.




Era mais um dia típico na cidade, Geni chegara com a mesma roupa de sexta-feiras, vestido vermelho puído que marcava seus seios, um par de brincos presenteados por um de seus amantes, e calçando sapatos gastos, porém de boa qualidade. Observei sua expressão satisfeita devido à noite anterior, sinal que muitos homens passaram por sua mãos, que se corpo esguio deitou em  muitos lençóis. Todo dia era a mesma coisa, mas a sexta, as meninas voltavam com o bolso pesado.
Aquela sua cara de vadiazinha demonstrava o quanto era impura, e não digna de estar presente nesta cidade. Esta cidade sempre foi local de moradia de pessoas de fé e respeito, por isso as crianças não deveriam olhar para sua face “nojentinha”, no mesmo instante seus pais a trocavam de calçada para não respirarem o mesmo ar na qual aquela galinha respirava.
Geni,era aquela que todos procuravam quando não tinham dinheiro para pagar uma prostituta decente. Havia um marinheiro, recém-chegado ao cais, se hospedou em uma espelunca de quinta categoria. Cheirava mal, tinha barba grande e pouco dinheiro para permitir na cidade. Certo dia, o homem das cavernas, esbarrou com a “nojentinha”, e como não tinha dinheiro para ter uma dama melhor para esquentar sua cama, pegou-a à força e jogou no sótão do navio, e a tomou-a. A "nojentinha" gostou. Gostava de ser pega à força e maltratada como um animal.
Como toda manhã era costume, eu e minhas amigas da igreja, com a benção do Fábio Zézinho, atirávamos pedra na casa da "nojentinha", aos poucos o restante do povo juntou-se, gritando:

“Joga pedra na Geni!
Joga pedra na Geni!
Ela é feita pra apanhar!
Ela é boa de cuspir!
Ela dá pra qualquer um!
Maldita Geni!”. 

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