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03 maio, 2015

Deu o que falar: Ruth Rocha crítica “Harry Potter não é literatura”


Esta semana foi publicado em diversos sites uma recente entrevista da escritora, de 86 anos, Ruth Rocha. A autora premiada por diversos livros infantis completará em 2016 cinquenta anos no espaço literário, autora de mais de 120 obras infantis seu último trabalho foi o livro “Solta o Sabiá”, lançado em 2012.


Muitos sites de Sagas Literárias e também de séries repercutiram a fala da autora em um gancho vazio, é claro que muitos fãs loucamente desesperados soltaram comentários ofensivos a nossa querida Ruth Rocha. Em suma maioria fãs adolescentes, sabe como é não é? Então, uma das fontes foi da coluna “On”, do site “Ig”, escrita pela jornalista Natália Eiras. Trecho da entrevista abaixo:

iG: O que acha destes novos best-sellers, que misturam fantasia, com a presença de vampiros e bruxas?
Ruth Rocha: Isto não é literatura, isto é uma bobagem. É moda, vai passar. Criança deve ler tudo, o que tem vontade, o que gosta, mas eu sei que não é bom. O que eu acho que é literatura é uma expressão do autor, da sua alma, das suas crenças, e cria uma coisa nova. Esta literatura com bruxas é artificial, para seguir o modismo. Acho que o Harry Potter fez sucesso e está todo mundo indo atrás.
iG: Então você não gosta de “Harry Potter”?
Ruth Rocha: Não acho errado os livros fazerem sucesso. Eu gosto porque acho que as crianças leem, mas eu não gosto de ler “Harry Potter”, não acho que é literatura.

            Particularmente, sou muito fã de Literatura Fantástica, e foi com esse “tipo” de LITERATURA que aumentei meu potencial leitor, desde “As crônicas de Nárnia” (que não tem nada de bobagem, oks?) até Harry Potter que li diversas vezes. Lógico que não vamos comparar J. K. Rowling com Clarice Lispector, ou seja cada um no seu quadrado. ( Essa comparação já foi preconceituosa, mas ignorem).

Convidei três queridos amigos para opinarem sobre a fala de Ruth Rocha: Guilherme Romano, que é fã da “Saga Harry Potter”, leu até as versões em inglês. Ludmila Clio, escritora e blogueira que não curte tanto “Literatura Fantástica” e Marcus Costa, estudante de Letras/Língua Portuguesa, dono de uma escrita sagaz, além de ser o ganhador do reality  “O roteirista”, organizado pelo Entrelinhas e Afins, no ano de 2014.  

Guilherme Romano:
“ Porque contos como bruxa são algo infantil, isso é fato. Jk Rowling apenas mudou a forma de ser visto. Bruxas eram más e feias, com ruga no rosto. Ela apenas fez mudar toda uma geração de leitores. Na qual todos esses querem agora ser um bruxo. Antes bruxas só faziam maldades e eram queimadas em fogueiras .Hoje são bonitas. Mas no âmbito de literatura, por que não se enquadrariam? São fantástico os livros, mostram toda uma geração, os conflitos da idade, as brigas bestas da galera de 11 anos. Os problemas ao 15 anos, em que todos adolescentes ficam um “porre” de chatos. O primeiro romance .... Ate mesmo para quem já passou da idade. Eu amo porque tudo que o Harry passou, eu passei.”

Ludmila Clio:

“Não achei que ela atacou o HP, apenas disse que não gosta e acabou sendo infeliz em dizer que não é literatura. Acredito que há espaço para todos os gostos, e quem há de catalogá-los como "bons" ou "ruins"? Ao afirmar que HP não é literatura, RR se colocou acima do bem e do mal, a detentora da verdade, coisa que ela não é e nunca será, mesmo com toda trajetória brilhante que tem. Eu mesma não gosto de literatura fantástica, mas isso não me dá o direito de dizer que não é boa literatura. Trata-se tão somente de uma questão de gosto, de identificação. Oras, amo coisas que não são significativas para um monte de gente e vice-versa. E graças a Deus que é assim que funciona! Então, em suma, a RR é brilhante, fez parte da minha infância também e tal, mas discordo em absoluto de sua afirmativa de que HP é bobagem, modinha e não literatura porque  é sim.”

Marcus Costa

“Ruth Roch é uma escritora incrível, uma das que mais gosto (sou imenso fã de literatura infantil), embora eu curta bastante Harry Potter, não chego a ser um potterhead, e penso que cada um tem uma opinião a respeito das coisas. Tenho amigos que são loucos por HP e não suportam ouvir as pessoas falando mal da história, e outros que odeiam (pra caralho) essa saga. Como já disse, cada um tem uma opinião, um pensamento, e apenas nos resta respeitar, mesmo não concordando. Não sei se ela disse isso para polemizar, ou o que. Continuo admirando-a. E viva a liberdade de expressão!”




            Só para esclarecer, em nenhum momento pretendeu-se julgar a escritora Ruth Rocha, afinal R.R  é referência no cenário brasileiro por suas obras infantis lidas por toda uma geração de leitores assíduos, assim sendo tem todo nosso respeito. Porém é válido evidenciar os dois lados da moeda, afinal nessa história não há vilões e nem mocinhos  e não trata-se de literatura, mas sim de vida real.




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