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19 agosto, 2015

Um dia vou rir desse post vagabundo

De fato “Eu não vim pra me explicar, eu vim pra confundir”, assim como diz a letra do eterno Chorão, enfim esse post também – é um desabafo misturado com sentimentos, rancores, desapontamentos e um tom fúnebre ao fundo para descarregar meus dedos afiados em um post filho da puta. Sim, esse post será o post, para falar sobre qualquer coisa que vier em minha cabeça. Tenho LICENÇA POÉTICA para isso, se não tenho. Invento agora. Pronto! Tenho licença blogueira para escrever o que eu quiser, da maneira que eu quiser e foda-se. Afinal são dois anos de blog – alguma moral nós temos que ter.
O “Entrelinhas & Afins” é um espécie de filho para mim, filho este repartido com outras quatro mães, ops ... A conta tá menor agora. Continuando, o ELEA é o meu mundinho predileto (ganha até de Nárnia), o local é meu paraíso. Faço o que quero, escrevo o que eu quero, e que eu gosto,  compartilho o que eu gosto, e é claro o que os meus “eleanáticos” gostam.
 Esse mundo é uma espécie de catarse – onde consigo catalisar todas as conturbações e problemáticas nesta vida real e transformá-las em “matérias comestíveis”. Tenho mania de falar que o Entrelinhas e Afins é um hobby que levamos a sério – porém é mais que isso é parte de minha vida. O Entrelinhas e Afins nunca me abandonou até mesmo quando eu perdi tudo – eu ainda o tinha comigo. O ELEA me fez crescer como blogueiro e também como pessoa, por meio do blog pude conhecer muita gente extremamente bondosa e incentivadora de leitura, ganhei materiais que me fizeram crescer como estudante da língua e de literatura, e consequentemente ergui projetos que até então eram inalcançáveis. Esse mundo querendo ou não – foi/ é uma porta de conhecimento e oportunidades para os cinco reis/ rainhas deste lugar – todos cresceram de alguma forma, e é claro a união fez a força, contudo chegamos até onde chegamos.
Isto é uma despedida? Não .. claro que não. PELO MENOS PARA MIM NÃO. Espero deliciar-me durante muitos anos com vocês. Posso chamar de transição ... infelizmente não desejada, mas fazer o que? É preciso seguir a diante, os sonhos não podem morrer e as postagens precisam continuar. Não sei como vamos no reestruturar porque é claro que ficamos abalados com as perdas ( não vou mentir) mas O SOL É O LIMITE e a vida é tão bonita e nos convida a viver.   

Um dia ainda vou rir desse post vagabundo, vou tirar o maior sarro, mas não hoje.  Falam tanto de “deixar sentir o luto”, então vamos sentir! Sentir e botar tudo pra fora ... VAMOS VOMITAR porque minha consciência está limpa e se “mato e morro” é por amor ao blog. A união desfaz a força rs 

06 agosto, 2015

Entrevista com Francisco Aurélio Ribeiro



Francisco Aurélio Ribeiro, atualmente, é professor da UFES, na área de Línguas e Letras. Cursou Letras e Direito em Cachoeiro de Itapemirim, Espírito Santo. É especialista em Língua Portuguesa pela PUC-Minas, tem Mestrado em Literatura Brasileira e Doutorado em Literatura Comparada na UFMG.


Tivemos o prazer de encontrar com ele e fazer algumas perguntas rápidas no momento em que estava ministrando um curso em Cachoeiro de Itapemirim. Nesta entrevista, discutimos um pouco sobre a literatura que o Espírito Santo produz, o movimento de publicação dos autores cachoeirenses, o reconhecimento da comunidade para com os livros e vários outros apontamentos literários, envolvendo a literatura!

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SEMANA DA LITERATURA NO ELEA: Vidas Secas- Graciliano Ramos


Prosseguindo com as postagens sobre algumas das obras marcantes da literatura brasileira, hoje, conheceremos a obra modernista Vidas Secas.
Escrita pelo alagoano Graciliano Ramos, o enredo da obra traz a família de retirantes sertaneja composta por Fabiano, Sinhá Vitória, a cachorra Baleia, os filhos e a figura do patrão, que vivem as implicações da seca do sertão nordestino. Os próprios nomes das personagens confirmam a denúncia das mazelas sociais, pois não há uma preocupação em nomeá-los, já que estes não são o ponto principal da narrativa.
O foco da obra não são os personagens, a forma como o autor trabalha as palavras com discurso indireto livre, construído em frases curtas, incisivas, enxutas, quase sempre em períodos simples e a narrativa não linear, demonstram desumanização que a seca promove nos personagens. E é esta seca que interfere nas falas e nas expressões dos personagens, cuja exteriorização verbal é tão estéril quanto o solo castigado da região. 

A temática regionalista é explorada através da seca do nordeste, a família é obrigada a se deslocar da fazenda onde estavam para irem à busca de melhores condições de vida, o que acaba se tornando um ciclo, cada vez que a seca atinge a região onde estão, são obrigados a se retirarem.
A seca castiga e a fome e a necessidade da mudança traz à tona a miséria dos personagens, que passam a serem fantoches do sistema econômico, e massacra a família pela falta de dinheiro ao da carência total de perspectivas.
Há uma ausência de diálogos entre os personagens, a seca habita o próprio homem. Baleia, a personagem mais humana da obra e a cachorra dos retirantes, é magra, adoentada e mais uma vítima da seca, bem diferente do mamífero marítimo, que é robusto e domina o mar.
A estrutura familiar é absolutamente patriarcal, Fabiano comando o grupo, o Menino mais velho queria aprender a ler para descobrir o significado da palavra Inferno. Já o Menino mais novo quer ser vaqueiro como o pai, e Sinhá Vitória, mulata esperta que sabia fazer contas com os grãos, porta uma saia de ramos que contrasta com a seca que a rodeia.

O trecho abaixo exemplifica as abordagens explorada no texto acima, as frases curtas, formada quase sempre por períodos simples que exemplificam o poder da seca na vida desta família e de todas que sofrem com a perspectiva abordada no romance de Graciliano Ramos:

“Sinhá Vitória mandou os meninos para o barreiro, sentou-se na cozinha, concentrou-se, distribuiu no chão sementes de várias espécies, realizou somas e diminuições. No dia seguinte Fabiano voltou à cidade, mas ao fechar o negócio notou que as operações de Sinhá Vitória, como de costume, diferiam das do patrão. Reclamou e obteve a explicação habitual: a diferença era proveniente de juros.

Não se conformou: devia haver engano. Ele era bruto, sim senhor, via-se perfeitamente que era bruto, mas a mulher tinha miolo. Com certeza havia um erro no papel do branco. Não se descobriu o erro, e Fabiano perdeu os estribos. Passar a vida inteira assim no toco, entregando o que era dele de mão beijada! Estava direito aquilo? Trabalhar como negro e nunca arranjar carta de alforria!”(Graciliano Ramos. Vidas Secas. Contas, p. 93