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06 agosto, 2015

SEMANA DA LITERATURA NO ELEA: Vidas Secas- Graciliano Ramos


Prosseguindo com as postagens sobre algumas das obras marcantes da literatura brasileira, hoje, conheceremos a obra modernista Vidas Secas.
Escrita pelo alagoano Graciliano Ramos, o enredo da obra traz a família de retirantes sertaneja composta por Fabiano, Sinhá Vitória, a cachorra Baleia, os filhos e a figura do patrão, que vivem as implicações da seca do sertão nordestino. Os próprios nomes das personagens confirmam a denúncia das mazelas sociais, pois não há uma preocupação em nomeá-los, já que estes não são o ponto principal da narrativa.
O foco da obra não são os personagens, a forma como o autor trabalha as palavras com discurso indireto livre, construído em frases curtas, incisivas, enxutas, quase sempre em períodos simples e a narrativa não linear, demonstram desumanização que a seca promove nos personagens. E é esta seca que interfere nas falas e nas expressões dos personagens, cuja exteriorização verbal é tão estéril quanto o solo castigado da região. 

A temática regionalista é explorada através da seca do nordeste, a família é obrigada a se deslocar da fazenda onde estavam para irem à busca de melhores condições de vida, o que acaba se tornando um ciclo, cada vez que a seca atinge a região onde estão, são obrigados a se retirarem.
A seca castiga e a fome e a necessidade da mudança traz à tona a miséria dos personagens, que passam a serem fantoches do sistema econômico, e massacra a família pela falta de dinheiro ao da carência total de perspectivas.
Há uma ausência de diálogos entre os personagens, a seca habita o próprio homem. Baleia, a personagem mais humana da obra e a cachorra dos retirantes, é magra, adoentada e mais uma vítima da seca, bem diferente do mamífero marítimo, que é robusto e domina o mar.
A estrutura familiar é absolutamente patriarcal, Fabiano comando o grupo, o Menino mais velho queria aprender a ler para descobrir o significado da palavra Inferno. Já o Menino mais novo quer ser vaqueiro como o pai, e Sinhá Vitória, mulata esperta que sabia fazer contas com os grãos, porta uma saia de ramos que contrasta com a seca que a rodeia.

O trecho abaixo exemplifica as abordagens explorada no texto acima, as frases curtas, formada quase sempre por períodos simples que exemplificam o poder da seca na vida desta família e de todas que sofrem com a perspectiva abordada no romance de Graciliano Ramos:

“Sinhá Vitória mandou os meninos para o barreiro, sentou-se na cozinha, concentrou-se, distribuiu no chão sementes de várias espécies, realizou somas e diminuições. No dia seguinte Fabiano voltou à cidade, mas ao fechar o negócio notou que as operações de Sinhá Vitória, como de costume, diferiam das do patrão. Reclamou e obteve a explicação habitual: a diferença era proveniente de juros.

Não se conformou: devia haver engano. Ele era bruto, sim senhor, via-se perfeitamente que era bruto, mas a mulher tinha miolo. Com certeza havia um erro no papel do branco. Não se descobriu o erro, e Fabiano perdeu os estribos. Passar a vida inteira assim no toco, entregando o que era dele de mão beijada! Estava direito aquilo? Trabalhar como negro e nunca arranjar carta de alforria!”(Graciliano Ramos. Vidas Secas. Contas, p. 93

22 comentários:

  1. Eu adorei esse livro quando li! É uma história tão simples, mas tão rica de analogias, significados e etc. A escrita seca do autor realmente reflete a realidade dos personagens! Ótima resenha!

    Abraços,
    Lucas Fagundes
    http://claqueteliteraria.blogspot.com.br/

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    1. Oi Lucas! Obrigada, realmente , Graciliano Ramos é mestre!!!

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  2. Oie!
    Li "Vidas Secas" ainda na escola, e confesso que na época eu fiquei meio perdida na história. hahhahahha Mas agora, lendo suas palavras, e me recordando do livro, acho que eu deveria tentar lê-lo novamente, e ter uma nova percepção dele. Amei seu post.

    Beijos,

    Dai
    Blog Cheiro de Livro Nacional

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    1. Oi Daiane! Quando eu li na escola eu também fiquei meio aérea na história, mas depois vamos nos aprofundando mais e entendendo mais o enredo!

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  3. Olá!
    Lembro que li Vidas Secas na época da escola, mas não me lembrava muito bem da história. Sua resenha reativou algumas lembranças sobre a obra e me despertou a vontade de lê-lo novamente.
    Acredito que hoje seria uma leitura diferente, com outros olhos.
    Beijos.

    Li
    Literalizando Sonhos

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    1. Oi Aline, que bom que gostou, leia e me conte depois!

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  4. Olá, Nath. Esse com certeza não é o meu tipo de leitura, mas sua resenha foi muito bem descrita. Boa dica!
    Beijo,
    http://www.pactoliterario.com/

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    1. Oi Ana Caroline, que bom que gostou! Beijos!

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  5. Olá Nath! Tudo bom? No fundamental, tive a escolha de ler Vidas secas e não quis. Parecia ser algo raso demais. Mas agora que você falou, percebo que não era raso, mas seco, refletindo, assim, a vida dos personagens.
    Adorei a resenha! Beijos!
    http://www.entreleitores.com/

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    1. Oi Jessica! Tudo ótimo! Vidas Secas é brilhante, mas a gene só consegue enxergar isso com muitas pesquisas e depois de lê-lo pela segunda vez, rsrs. Obrigada querida!
      Beijos

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  6. Olha eu sinceramente tenho que confessar que esses livros clássicos não fazem muito meu gênero de leitura não, embora eu queira ler alguns que tem me chamado bastante atenção, até porque quando eu li esses livros eu estava no ensino fundamental e colegial e eu meio que peguei trauma de literatura nacional por conta disso, porque a linguagem formal me deixava extremamente cansada. Mas agora depois de tanto tempo lendo outros livros, ainda quero dar uma chance. Mas VIDAS SECAS não seria um livro que leria, porque não me interessou muito.

    http://lovereadmybooks.blogspot.com.br/2015/08/memorias-literarias-1.html

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    1. Olá Silvana, é normal que a gente se traumatize em certas leituras pela escola, já sofri com isso também , mas por escolher fazer Letras, descobri as maravilhas dos clássicos e o quanto são fantásticos! Dê uma chance ( rsrs) a eles e depois me conte o que achou!!!
      Beijos

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  7. Um clássico, né? O Graciliano transmitiu com maestria a vida dos nordestinos e é uma obra incrível. Amei a resenha.
    Bjs, Isa
    http://pausaparaconversa.blogspot.com.br/

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    1. Oi Isabella, com certeza, Graciliano Ramos é um mestre da literatura!
      Beijos!

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  8. Oii!

    Não conhecia o livro e acho que não irei ler também pois não a promissa não me chamou a atenção. Talvez eu leia em outro momento, mas agora creio que não irei ler.
    Parabéns pela resenha!

    Beijos, Amanda
    www.vicio-de-leitura.com

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    1. Oi Amanda, que bom que gostou da resenha, quando conseguir ler, me conte o que achou!
      Beijos!

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  9. Gostei bastante do seu post, mas esse livro definitivamente não é meu genero literário e olha que ja tentei lê-lo viu.

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  10. Oie, tudo bom?
    Esse é um dos clássicos que mais tenho vontade de ler. Ele parece ter uma simbologia tão forte e tão característica com nossa população. Parece ser uma história inspiradora e extremamente bem escrita.
    Beijos,
    http://livrosyviagens.blogspot.com.br/

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    1. Oi Aline, realmente "Vidas Secas" é um ótimo clássico da literatura, eu poderia gastar muitas páginas para falar de toda carga simbólica que a história traz, recomendo a leitura!
      Beijos

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  11. Esse livro é muito bom e superinteressante, mas, é claro, meu gênero preferido é romances <3 então não diria que achei tãão divertido. Mas meu pai me obrigou a lê-lo, então não tive escolha. Apesar disso, vale à pena sim!
    Beijinhos
    http://vorazesleitoras.blogspot.com/

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  12. Esse livro é muito bom e superinteressante, mas, é claro, meu gênero preferido é romances <3 então não diria que achei tãão divertido. Mas meu pai me obrigou a lê-lo, então não tive escolha. Apesar disso, vale à pena sim!
    Beijinhos
    http://vorazesleitoras.blogspot.com/

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  13. Ei, tudo bem?
    Tenho muita curiosidade para ler esse livro. Sempre gostei da literatura nacional na escola, mas infelizmente esse não foi me passado para ler e acabei deixando de lado. Espero poder lê-lo em breve.

    Beijos, Gabi
    Reino da Loucura

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