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17 novembro, 2015

Crônicas de um pesadelo quase esquecido - Parte 1

25 de Outubro de 2020

Por: Dani

      Preciso contar a vocês minha história: gostaria de iniciar dizendo um “olá”, mas do jeito que as coisas estão não temos muito tempo a perder com cumprimentos bobos e sentimentalóides. Preciso ser direta. Estamos aqui nessa espécie de esconderijo improvisado, um porão para ser mais exato, na casa de praia de algum desses que me acolheram. Estou com uma turma de sobreviventes, mas ao mesmo tempo estou sozinha. Estamos no cada um por si, e ninguém por todos.


         As coisas lá fora estão indo de mal a pior, a guerra já dominou quase todo o país e nós estamos aqui, como ratos de laboratórios prontos para qualquer tipo de experiência. Olho pro lado, com a ajuda da meia luz ambiente, e vejo meus parceiros de laboratório tentando interagir como se realmente acreditassem que todos fossem sobreviver. Tadinhos, ele ainda tem esperança de viver!
         Não temos água, nem comida, e estamos todos cheirando a esterco, o lugar úmido ajuda a dá sensação de mofo, juntando com o suor de nós mesmos. Felipe esses dias sugeriu bebermos a própria urina, porém Leonardo, metido a corajoso prometera sair para “vê como as coisas estavam”. O galã ainda olhou para mim, tentando fazer um charme, o coitado esquecera que havia 4 dias que ele não escovara dentes, e seu hálito estava parecendo com odor de gambá. Ainda tive que suportar Júlia e Lucas fumando a última pedra de crack, na qual aproveitavam como se fosse à última gota d’água do planeta, o que não deixa de ser verdade.


         Irís, jornalista e metida intelectual, comentou que na última vez que fizera reunião de pauta na emissora na qual trabalha havia burburinhos que nos EUA estavam criando campos de concentração para exterminar grupos isolados. Marcos, outro extremista do grupo, esbravejou com o comentário de Isís e disse que isso era inadmissível, ninguém entendeu sua reação. Depois, descobri que Marcos, era criado por duas mães, por isso sua revolta e o motivo de lágrimas no rosto, misturada com um ódio assustador.
         Ao lado de Marcos, estava Carolina que junto a sua fé rezava e pronunciava palavras desconhecidas por mim. No outro lado estava Nayla, assustada e desconfiada, a moça fugira da guerra da Síria em busca de vida melhor, e acabou desembarcando em outro território de guerra, ela entende algumas coisas que falamos, já nós raramente conseguimos entende-la.

Barulho de canhão ... Lembrei-me da última vez que assisti noticiários: a torre Eiffel estava no chão, destruída, atingida por um ataque de terroristas iraquianos.


         Íris acabou de conseguir se conectar com uma rede wifi, com um de seus quatro aparelhos portáteis, e as notícias não são das melhores  ....  


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