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23 novembro, 2015

Crônicas de um pesadelo quase esquecido – Por: Íris


26 de Outubro de 2020 – 
Por: Íris.

Desde pequena eu queria ser uma repórter, tudo começou quando eu estava no colegial e a professora de artes passou uma pesquisa sobre mitos gregos, descobri então que meu nome, Íris, era a mensageira de Zeus e de sua esposa Hera, ela podia deixar o Olimpo a fim de levar as mensagens para as divindades e aos humanos, ela era considerada uma conselheira e guia. Viajava com a velocidade do vento e ia de um lugar a outro, seja o fundo do mar ou as profundezas do mundo terrestre. Cresci, e me tornei a “mensageira” do maior canal de notícias do país, mas não só repórter, eu também amo a tecnologia, então, também tenho bastante conhecimento nesta área.
 E hoje estamos aqui, cheguei literalmente às profundezas terrestres. Depois do ataque dos governos e das reviravoltas climáticas, o único lugar que era seguro, pelo menos até agora, era em baixo da terra, um esconderijo bem elaborado por meu grupo de sobreviventes para tentar escapar de ser assassinados pelo grupo de exterminadores. Há anos estamos sendo vítimas de falta de água, impostos altos, violência e muitas outas guerras, que antes eram apenas conflitos localizados em países distantes, mas que eclodiram e virou esta grande baderna. Chegamos ao fundo do poço, sem água, comida e qualquer condição de viver dignamente, por semanas.


Mas embora eu ache que o fundo do poço é, além de não poder comer, dormir etc., é ter que conviver com dois usuários de drogas, um maluco esquerdista, uma fugitiva da síria (com medo até da sua sombra) e um galã fajuto de novela.
Ninguém sabe sobre o grupo de exterminadores, para ser sincera, somente minha equipe de buscas, que eu coordenava no jornal, sabia, era sigiloso e, mesmo que eu não saiba qual o paradeiro deles, sei que a informação não pode ser passada muito a frente, pois iria nos prejudicar. Sendo uma medida acordada por todos os lideres, o Grupo Exterminador (GE), sessaria com a vida de todos os diferentes, para que assim, os normais e com chances de formar uma nova nação saudável e que se adaptam as situações adversas.
Seria um massacre. Seria não, já é… o grupo já vem agindo há muito tempo, e faltava muito pouco para conseguirmos delatar para a população, mas as coisas não funcionaram bem para minha equipe e eu. Tudo que me resta é tentar nos manter conectado com o pouco de gambiarra feita por mim e mais alguns ajudantes… Dani estava histérica, a falta de recursos já estava afetando nosso psicológico de uma forma inimaginável, mas ela que me ajudava em conseguir, com o pouco que tínhamos, locais para nos manter, pelo menos, a salvo. Depois de muito tentar, me conectei a rede mais próxima disponível, tomando cuidado para não entregar nossa localização. As notícias não eram nada animadoras, meu serviço de dados e localização mostrava mais um foco de ataque do GE, e era bem próximo de onde estávamos.
— Precisamos sair daqui o mais rápido possível, achei um foco da GE bem próximo de nós, estamos em risco.
Dani correu desesperada para juntar o pouco que restava de suas roupas, os drogados continuaram apagados, eu precisei desconectar toda a minha parafernália, juntei tudo rapidamente e já fui tentando achar um acesso a uma localização próxima e segura. Quando me virei, todos estavam olhando apáticos para mim ainda. Puxei Nayla pela mão, eu não falava a língua dela, mas também não a deixaria para morrer e a Carolina, que estava em pânico. Os outros correram de qualquer jeito. As decisões tinham que ser rápidas, a melhor maneira de nos livrarmos de ser pegos era sair da caverna, mas teria riscos, o GE tinha espiões em qualquer lugar, pessoas que se vendiam em troca de uma ilusória segurança e comida.
— O plano é assim, cerca de dois quilômetros daqui temos uma rua que esta destruída, o prédio da rádio foi explodido, tem escombros por todo lado, mas é nossa última chance, de então passar por um antigo bairro onde havia uma feira, bares, restaurantes, supermercados e outros entretenimentos. Precisamos ser ágeis pegar o essencial para sobreviver sem sermos percebidos, quem for pego já sabe dos nossos combinados.

Dani estava acordando os doidões, eles ainda estavam fora do normal, mas também disse suas recomendações.
— Estamos em uma zona de guerra bonitões, lembre-se que isto não é um filme, é vida real. Tome cuidado e quem ficar, ficou.
Em meia hora saímos do nosso esconderijo e o cenário do lado de fora era grotesco. Cheiro forte de podre oriundos dos corpos jogados por todos os lados estava matando, ver era algo difícil, havia uma névoa cercando o espaço todo, incomodando o nariz e os olhos, tornando tudo ainda pior. Mas o pior estava a caminho, um grupo de atiradores estavam mirando em mais uns degredados filhos e Eva, o perigo estava bem na nossa cara, e agora era tentar passar por aquele obstáculo para ser possível sobreviver aos outros Titãs. 

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