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16 novembro, 2015

Resenhas do Abou - Capitães da Areia, de Jorge Amado


Resenha 2: Capitães da Areia, de Jorge Amado
Por Vitor Abou

O tema de nossa resenha de hoje é o livro ‘’Capitães da Areia’’, de Jorge Amado, lançado pela primeira vez em 1937. O livro também recebeu uma atualização para os cinemas, eu ainda não assisti ao filme, porém pretendo assistir para fazer uma das próximas resenhas. Assim como outras de suas obras, Jorge Amado utiliza uma linguagem simples, popular, e ao mesmo tempo, faz usos de lirismos. Por ter sido considerado proibido na época da ditadura, foi apreendido e alguns exemplares foram queimados. Alguns anos depois, entrou para a história do Modernismo Brasileiro, mais precisamente da fase do Romance de 30, que falava bastante sobre transformações no país.


Jorge Amado, em Capitães da Areia, ousa ao relatar os problemas sociais do país, sendo seguido por vários outros autores brasileiros. A primeira parte do livro, chamada de ‘’Sob a lua, num velho trapiche abandonado’’, apresenta os personagens, que formam o grupo ‘’Capitães da areia’’ e vivem principalmente dos furtos. Pedro Bala, um menino loiro e filho de um grevista morto, é o chefe do grupo formado por mais de cinquenta meninos, como Professor, o único que sabia ler e por isso, roubava livros para contar as histórias para os outros do grupo à noite; Sem Pernas, que era um menino amargo, manco e se aproveitava da sua situação para, junto do grupo, roubar algumas casas; Volta Seca, Pirulito, Boa Vida, João Grande, dentre muitos outros. Sempre perto dos meninos estava o Padre José Pedro, que os ajuda levando conforto, carinho e atenção.


A segunda parte do livro recebe o nome ''Noite da Grande Paz, da Grande Paz dos teus olhos'' e nela, aconteceu um surto de varíola na cidade, atacando a mãe de Dora e Zé Fuinha, que acabaram se juntando aos capitães da areia. Pedro Bala defende Dora, já que alguns garotos tentaram se relacionar com a bela adolescente, e relaciona-se com ela.
''Canção da Bahia, Canção da Liberdade'' é o título da terceira parte e mostra os rumos que os capitães da areia tomaram. Eu, particularmente, adorei o final, porque mostra detalhadamente sobre os destinos daqueles personagens que se tornam tão queridos pelos leitores, graças ao incrível texto de Jorge Amado. Narrado em terceira pessoa, com um narrador onisciente, o livro mostra não somente as atitudes de violência do grupo, mas também os sonhos e o espírito de criança escondido nesses garotos que vivem como homens. Um trecho que mostra muito bem esse lado dos capitães da areia é quando eles brincam no carrossel, no capítulo ''As luzes do carrossel''.
A capa da edição que li, da editora Companhia das Letras, mostra jovens da capoeira e ao fundo, uma paisagem que parece ser uma praia. Gostei muito dessa edição do livro, porque também contém informações sobre Jorge Amado e o contexto do livro, falando da Era Vargas, além de apresentar a evolução das capas do livro, sendo todas elas muito bonitas e tendo total ligação com esse enredo fantástico.

O romance não trata apenas do problema do menor abandonado, mas também de suas consequências e outros problemas presentes na sociedade baiana, como violência, criminalidade, exclusão, prostituição, entre tantos outros. Mesmo escrito anos atrás e retratando a Bahia, os problemas retratados nele ainda permanecem em nossa sociedade, e em todo o Brasil, ou seja, são atemporais.

''Capitães da Areia'' levanta a bandeira e faz um alerta sobre o problema dos meninos de rua sem ''encher linguiça'', nem parecer uma entrevista monótona com um especialista, já que é uma abordagem sutil, delicada e encantadora. 

Por fim, gostaria de ressaltar novamente a magia de Capitães da Areia e a capacidade de Jorge Amado de retratar os problemas sociais de uma forma tão leve e que consegue mobilizar seus leitores, causando uma reflexão especial.

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