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09 novembro, 2015

Resenhas do Abou - "A Confissão da Leoa", de Mia Couto


Olá, galerinha.
Apresento a vocês a nossa mais nova coluna do “ELEA”.

“Resenhas do Abou”, será escrito pelo escritor Vitor Abou. Vitor, que foi ganhador na 2ª temporada do reality “O roteirista”, ganhou a edição deste ano, e, portanto deve o direito de postar algum material no blog. O ex-participante preferiu resenhar sobre livros e séries, por isso está estreando com sua coluna.
Sucesso! 

Resenha 1: A Confissão da Leoa, de Mia Couto
Por Vitor Abou


Livros pedidos pela escola para seus alunos são geralmente uma dor de cabeça para os alunos, porém esse ano, na 1a série do Ensino Médio, recebi uma lista de livros para ler e acabei me surpreendendo com eles, por isso alguns serão temas das minhas resenhas. E para começar escolhi um livro de um autor que eu desconhecia e me surpreendeu demais. ''A Confissão da Leoa'' é um livro recente, de 2012, escrito pelo autor moçambicano Mia Couto, por isso não foi feita tradução, deixando o livro mais realista e com expressões e gírias populares de Moçambique. A história é baseada em fatos reais.
O livro conta sobre a trajetória de uma caçada de leões, no vilarejo africano de Kulumani. Na obra, após diversos ataques de leões, o caçador Arcanjo Baleiro é chamado para resolver esse problema. Junto dele, vai também o escritor Gustavo, que pretender descrever cada momento dessa jornada. O livro tem dois narradores, que se alternam em capítulos: Arcanjo, e Mariamar, jovem que mora em Kulumani e já teve um encontro com o caçador, na adolescência. A caçada também vira algo de interesse político, pois o prefeito e sua esposa Naftalinda também acompanham o caçador.


Ao longo dos capítulos, pode-se conhecer sobre os costumes locais do vilarejo, como os estupros, a violência contra as mulheres, a ''kusugabanga'', e a ''corda do tempo''. Mariamar, em seu diário, relata seus sentimentos e aflições com a chegada do caçador. A protagonista ainda fala de suas experiências de vida, enquanto Arcanjo conta os detalhes da expedição e da história de seu irmão, Rolando Baleiro. O final me surpreendeu bastante, porque, ao longo do texto, temos uma visão dos personagens que acaba sendo outra no final do livro, sendo também muito enigmático.
Na capa pela editora Companhia das Letras, o designer gráfico usa as cores vermelha e cinza, em que o vermelho representa o sangue, o sofrimento da população, principalmente das mulheres. A silhueta da leoa, junto das cores vermelha e cinza, cria um aspecto de mata, em contraste com a fotografia das crianças e moradores, no plano inferior, apresentando total relação com o conteúdo do livro.


Em todo início de capítulo, o escritor nos apresenta provérbios africanos e trechos de textos de outros autores, como de Walter Benjamin, só deixando a obra mais completa. Mia Couto faz uma crítica aos costumes autoritários moçambicanos. A figura da leoa é uma forma de pedir mais respeito e menos violência. Com seu sentido em muitos casos figurado e com várias figuras de linguagem, o livro consegue surpreender demais e encantar o leitor.



O tema da violência contra a mulher é muito importante e atemporal, ainda mais relacionado aos costumes e crenças de outros povos, por isso, Mia Couto trata dessas temáticas de forma sutil, sem didatismos nem preconceitos, mas com uma história forte, polêmica e emocionante que faz com que as pessoas pensem num mundo mais tolerante e igual entre os gêneros e as diferenças. Mesmo com vários personagens, o livro não se perde ao longo de suas 251 páginas, muito pelo contrário, só se enriquece e instiga o leitor a continuar e não parar.

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