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27 dezembro, 2015

A festa é sua, meu camarada! - por: Roney Moraes


       Final de ano é a mesmíssima coisa. Ruas abarrotadas. Mal dá para andar nas calçadas. Os comerciantes comemoram as vendas natalinas como se cada cliente possuísse a fortuna da realeza. E a crise? Existe realmente algo de podre no reino da Dinamarca, mas cá estamos nós comprando.  

Não estragaremos a versão brasileira do Natal e ano novo com legendas em economês. Afinal de contas, as faturas só serão debitadas no ano que vem e tem gente, a maioria, que paga no calor do momento.

O espírito do Natal não é só consumista. Há uma simbologia mística nisso tudo. Os cristãos comemoram o nascimento de Cristo e, pelo andar do trenó, o velhinho está mais generoso nos últimos anos. Vestido a caráter. De vermelho.

 Vou dizer o que acho. Indignado com os corruptos todos nós estamos, mas manter a esperança de que tudo se resolva no ano novo, como num passe de mágica, sem participação? Não muda nada. Temos que ajudar o destino. As caixinhas dos reis magos não abrem sozinhas.   

Digo isso porque nós merecemos tudo que aconteceu de ruim e bom durante o ano. Sem, é claro, reduzir o ano num balanço medíocre.  Reproduzo aqui o trecho da entrevista com o psicanalista Christian Dunker:

 "(...) há um erro em olhar para as nossas vidas como se fôssemos apenas máquinas produtivas, nos resumindo ao que ganhamos ou produzimos, como se nossa aplicação aos estudos fosse um "investimento", como se nossos sonhos fossem "metas" e nossos avanços no casamento fossem medidas por "construções". Uma vida que pode ser medida desse jeito é uma muito pobre”.




Vida “rica” significa que temos ouro (fruto do trabalho), incenso (para espiritualidade e fraternidade) e mirra (para curar as feridas), mas sem balaços... Mas com movimento. Abrir os presentes simbólicos para uma vida melhor, não esperar acontecer. A nossa tarefa, hoje, é desatar os nós de nós mesmos. E que venham os pacotes de esperança, medo, alegrias, tristezas, mas cheios de fitas coloridas! 

por: Roney Moraes

24 dezembro, 2015

Natalis - por Nathália Dias


Natal, do latim natalis, o dia em que alguém nasce. Grafado com letra maiúscula, tem uma gama de significados para a população no dia 25 de dezembro. Natal é o tempo que algumas famílias se reúnem para celebrar. Nesta época nasce em cada pessoa um sentimento excêntrico na convivência da galera.
Todos se falam normalmente – até mesmo aqueles que tiveram algum desentendimento no decorrer do ano, todo mundo vira amigo. O porteiro que você nunca deu bom dia durante todo o ano, o faxineiro que você sempre atrapalhou a limpar, o ser humano que você maltratou, seu vizinho que você diz ser fofoqueiro, sua amiga falsa…

Se há uma coisa que eu não consigo entender no natal é essa condição que o ser humano cria de tornar-se solidário em um dia específico ou poucas semanas antes. Deve ser para amenizar a mente da falta de solidariedade com o próximo. Afinal, as pessoas só precisam receber doações no natal, ele, com certeza, guardará a comida para o resto do ano!

Para mim, a única coisa que vale o natal é estar presente. Reunir-se com a família, amigos verdadeiros, deixar a hipocrisia de lado e celebrar o verdadeiro sentido do natal. Coisas que são saudáveis, brigar pela uva-passa no arroz, não gostar do presente de amigo-oculto, ouvir aquele seu tio falando sem parar e claro, os dramas de família que aconteceram durante o ano.
 Independente de seguir crença religiosa ou não, o importante é deixar que a magia da luminosidade das cores da árvore-de-natal encha seu espírito da luz mais pura e sincera. Pois é certo que a humanidade esta precisando de gente com mais coração, disposta a semear a paz e a união, 2015 já foi um ano muito extenuante.

Terminamos com essa tirinha do “Armandinho” (que eu adoro), traduzindo o que sinto para o natal! Ah, e não poderia deixar de desejar um sincero feliz natal a todos os leitores e aos meus amigos de trabalho aqui do ELEA, Loyane e Ronald, FELIZ NATAL!




23 dezembro, 2015

RESENHAS DO ABOU - O Menino do Pijama Listrado, de John Boyne

Por Vitor Abou

               Vitor Abou ganhou a temporada 2015 do reality " O ROTEIRISTA"


 
      Existem certas histórias que realmente têm o poder e capacidade de emocionar e encantar seus leitores. E poucos livros conseguiram me encantar de tal jeito como ''O Menino do Pijama Listrado'' fez. Eu ouvia muita gente comentando sobre o livro e sua adaptação para o cinema, porém só li o livro no ano passado, 2014, e depois assisti ao filme para evitar comparações. Antes de ler o livro, eu pouco sabia sobre nazismo e não achava um tema muito interessante, porém quando li me surpreendi, conheci muito mais sobre o tema e também me emocionei.
      


                       A história se passa na Berlim nazista, no século passado. Bruno é um menino jovem, filho de um militar nazista, que é obrigado a deixar sua casa e amigos em Berlim para viver em um lugar totalmente afastado do movimento. Bruno é uma criança curiosa que tem uma irmã adolescente, Gretel, que pouco liga para ele, e resolve explorar o lugar onde mora e as redondezas, até que encontra uma cerca de arame. Sem poder passar, ele imagina várias coisas a respeito do lugar, já que ninguém em sua casa fala sobre isso. Para ele, o território é uma fazenda com pessoas felizes que usam pijamas iguais.


      Com o tempo, ele conhece Shmuel e uma amizade forte cresce, sem se importarem com nazismo, perseguição a judeus, ódio, sofrimento, discriminação, intolerância,..., já que são ingênuos, inocentes, puros, muito diferentes, mas também bem parecidos.
      John Boyne fez tremendo sucesso com O Menino do Pijama Listrado, que recebeu até adaptação para os cinemas. O livro foi muito vendido e elogiado. Boyne conseguiu tratar esse tema forte e triste de uma forma muito sutil, suave e com uma linguagem simples para o entendimento de todos. Mesmo para as pessoas que não costumam se emocionar com facilidade. A leitura do livro com certeza obrigatória. Muito mais do que um livro que se passa na Segunda Guerra Mundial, ele fala de amizade pura, sentimentos e confiança.


      O livro é escrito em terceira pessoa e o narrador consegue mostrar todos os sentimentos de forma espetacular, soando tão delicado, como se fosse uma poesia. Os meninos, principalmente Bruno, convivem no meio de uma guerra sem saber do que se trata, quem são os envolvidos e os motivos. O livro também mostra que sempre um fato tem mais de uma versão. Nesse caso, sabemos a visão de Bruno, a versão de Shmuel e a versão dos militares nazistas, como o pai de Bruno. 
        A capa do livro também é muito encantadora, pois é uma representação do ''pijama'' (uniforme) que o povo que vivia atrás da cerca, os judeus, usava. A textura da capa em algumas edições, como a feita pela Editora Seguinte, é mais áspera, sendo algo diferente, inovador e também belo. A tradução também foi feita de maneira impecável, sem deixar trechos mal explicados, muito pelo contrário, narra tudo sem muitos defeitos.

         A obra de Boyne nos ensina a ter respeito com os outros, não de uma forma didática como ensinada nas escolas, mas com uma história forte que convence e impulsiona as pessoas a pensarem num mundo mais tolerante e igual. O livro possui poucos personagens, tornando-se um aspecto positivo, já que a história gira em torno dos amigos, da família de Bruno e do contexto da época, sem dar muitas voltas, sendo objetiva, quando necessário, e subjetiva, no momento certo. Essa combinação é perfeita, deixando o livro completo.
A melhor parte do livro é o final, que não irei contar aqui, para não estragar, porém esse final me tocou profundamente. Levando-me a refletir e a lembrar da terrível perseguição aos judeus na Alemanha Nazista do século passado. Sempre recomendo o livro, porque com eles vemos que todos somos seres humanos e devemos repensar esse conceito e questionar sobre o que é ser humano.





O que você tem contra uva passa? - por: Ronald Onhas




Antonella sempre fora diferente. Enquanto ela brincava com os amigos imaginários, as outras crianças brincavam com gente. Enquanto todos entravam para suas casas durante um temporal, ela corria para a chuva e fingia ser a Tempestade do x-man. As outras crianças comiam as massinhas da escola, já ela esculpia shoppings centers de argila. E ninguém ousava falar que sua escultura não parecia tal, que Antonella embirrava e trancava a cara, ameaçando a soltar uma língua bem cumprida.
No natal ela se esbaldava. Com tanta comida só para elaaaaa, ela pensava. Comia, comia, comia, e queria mais. Era um prato, dois, três, quatro e alguém dizia “Chega Antonella, vai explodir”. Depois ela partia para a sobremesa, sobremesa parte 2, sobremesa parte 3 , sem contar com os inúmeros goles de refri. Antonella se acabava.
Enquanto seus primos, frescos e esnobes resmungavam sobre o tomate, a cebola, ou outro item necessário para temperar uma comida de natal, Antonella pegava os excluídos,dos cantinhos, dos pratos ,do restante da família. Ela nunca ligou pra isso. Amava que o povo deixava a uva passa no cantinho do prato. Como assim? “Por que ninguém gostava de uva passa?”“O que você tem contra uva passa?” Uma moça tão delicada, singela, amiga e saborosa – ela pensava.



Uva passas não fazia mal a ninguém, não era como a azeitona que podia matar alguém engasgado. Uva passa era tão singela e indefesa – porque será que era vítima dos (Haters).
Antonellaamavaaaaaaaaaaaaaaaa que seus primos não gostavam de uva passas. Era tudoo dela e todo natal era desse jeito. Uma vez, sua tia comprou os ingredientes para preparar a ceia de natal. Na véspera, da véspera, quando todos foram dormiranimados, com o natal que se aproximava. Antonella, na calada da noite, sorrateiramente, abriu a geladeira, farta de guloseimas, doces, sobremesas e sorvete. Qual criança não ama sorvete? Mas, Antonella foi mais a fundo: caçou entre os potes de requeijão, entre a maionese, tirou os refrigerantes da gavetinha, caçou entre as frutas, e nada de achar a sacola de uva passas.



“Dessa vez eu acho você”- pensava Antonella. Todo ano era assim, sua tia e familiares escondiam o pote de uva passa na véspera da véspera, pois se Antonella achasse comia tudo. Uma vez a menina comeu 1kg de uva passa sozinha, não sobrou nenhuma pro arroz colorido de natal. E a cretina nem passou perto do banheiro, não teve nadaaa! Os parentes falavam “essa menina tem estômago de elefante”.

Outra vez Antonella arrumou confusão com sua melhor amiga do pré-II, a KizzyGabryele. As duas eram supeeeeer amigas e KizzyGabryele ganhou dos padrinhos uma caixa trufada de panetone de chocolate. É claro que de inicio, Antonella ficou com uma invejinha cor de panetone, mas depois seus pais também lhe deram um panetone do clássico, coberto com uvas passa. A briga maior, que chegou a durar 1 dia, 12 minutos, e 43 segundos, foi quando Kizzy Gabriele inventou de falar mal do panetone tradicional com uva passas, que Antonella tinha ganhado.  



A menina virou uma rena do papai noel, porém daquelas bem raivosas. Antonella disse que panetone de verdade era de uva passas e que Kizzy Gabryele – sua ex-bff -  era vítima do consumismo barato de natal e que desse jeito ela estragava a magia do natal. “Onde Antonella escutara aquelas coisas?” – pensou uma de suas tias presenciando a discussão calorosa das duas meninas do pré-II.

 No final das contas, as mães acabaram entrando na discussão. A mãe de Kizzy Gabryele disse que Antonella era respondona, invejosa e mau criada. Pra que?! A tia de Antonella foi com unhas e dentes defender a sobrinha faltou tacar panetone na cara da mãe de Kizzy Gabryele. 


No final das contas, Antonella conseguiu fazer com que Kizzy comesse um pedaço de panetone com uvas passa, daí as duas disputaram quem achava mais uva passas no panetone de natal e a brincadeira foi até o Réveillon.

por:  Ronald Onhas

Dias de natal - por: Simone Lacerda


Entre festejos e sorrisos,
costuma  brotar a danada Esperança.
Ela afaga a dor teimosa,
o olhar molhado,
os desencontros,
os abraços que não se acharam,
as palavras que ficaram inflamadas,
os desejos que se perderam entre dilemas.



Nos dias de natal,
ela, linda Esperança, traz consigo
como companheira, a fé,
ultrapassada dos sermões e ditos repressores.
A fé que destoa das injustiças plantadas,
dos artifícios brotados nos outros,
das crendices rarefeitas.
E, graças a essa Esperança,
continuamos acreditar na besta da vida,
nos amores de folhetim,
nos afetos –quase- impossíveis,
no altruísmo dos viventes.

E dessa Bendita (nome de minha esperança)
nasce a felicidade que dignifica nossos dias,
apruma nosso coração e
reinventa noções de existência,
descasca nossa covardia,
desalinha a mesquinhez.
A esperança, reinaugurada nestes dias e horas,
Alimenta o sossego e inaugura as possibilidades.
Ela constrói os sustentáculos dos mundos,
dos cenários que perpetuam as lembranças
inerentes ao porvir.



Nestes dias de festa,
tenhamos a Esperança acomodada,
a Bendita cravada no peito,
E, tão forte,
faça-nos querer o sorriso mais arteiro,
a palavra mais poética,
o amor mais ardente,
a fé mais forte,
 o mundo mais humano

Tenhamos esperança nestes dias de natal e em todas as datas.

por: Simone Lacerda

22 dezembro, 2015

Crônicas de um Pesadelo quase esquecido – Parte 09

Por: Dani Ariel

Íris e Nayla não entenderam nada ao me avistarem socando a cara do idiota do Marcos. 




Enquanto Nayla pronunciava seus dialetos, Íris pegou em meu pescoço para tentar evitar uma tragédia.

- Parem com isso – gritava Íris preocupada.

- Conte para ela rebelde militante, de quem você é filho – comentei para Marcos contar a verdade. O cretino não abria a boca.

- Conta logo, antes que eu te mato – eu disse enraivecida. Lógico, que elas nunca poderiam saber que eu também estava mentindo para elas.

- Fala Marcos, vamos resolver essa briga – disse Íris, me dando pena por ser patética ao ponto de acreditar em todos nós.

- Eu sou filho da Sasha. Quer dizer, sou enteado. Sasha é esposa da minha mãe, Lúcia.

- Então quer dizer que todos esses ataques foram por sua causa? A morte do Léo, da Carol, da Lívia, de todooo mundoo .. é por sua causa? Não consigo acreditar nisso. Você é o vilão da história. E eu me apaixonei pelo cretino da história – disse Íris em colapso.

- Eu não sou vilão, porra nenhuma. O vilão são eles. O governo é o verdadeiro vilão, o grupo exterminador é o verdadeiro vilão. Eles que sequestram pessoas, torturam, e matam. Eles que cobram juros altíssimos para manterem pessoas alienadas naquele paraíso chamado Nova Amazônia. Nova Amazônia é o verdadeiro pesadelo. As pessoas não sabem, mas elas vivem como robôs controlados por um governo ditatorial e utópico. Enquanto eles proíbem as pessoas de teremmais filhos, controlam as relações sexuais das pessoas, proíbem de saírem das fronteiras da capital. Eles, o governo e sua corja fazem isso o tempo todo. Promovem festinhas e rituais com o dinheiro da escravidão em Nova Amazônia. São todos uns fudidos.

- Chega de mentira, Marcos – gritou Íris. Não podemos mais andar com você. Como poderemos dormir ao lado de um mentiroso. Estou cansada de mentiras. Estou cansada de perder meus amigos. Estou cansada de vagar por cidades fantasmas e fugir desses grupos. Para mim tanto esses rebeldes quanto esse governo não valem nada.

- Íris, me perdoe. Eu vou levar vocês para o norte, daqui três cidades fantasmas chegaremos a ilha dos rebeldes. Sendo minhas aliadas, com certeza Sasha dará proteção a vocês. Além disso, ela mandará um grupo de busca para nos salvar – disse Marcos, se ajoelhando aos pés de Íris.

            - Só me responde uma pergunta: porque você escolheu o nosso grupo? – perguntou Íris. Por quê? O que nós temos de especiais? Afinal uma jornalista, uma imigrante e uma ... (olhou pra mim) garota metida a liderar, o que temos de especial? O que você queria com a gente? – Íris ainda insistia no assunto.

            - Eu não queria nada. Lembro-me quando cheguei ao esconderijo, Dani, Nayla, Lívia, Leonardo já estavam lá. O grupo não tinha nada demais, eram todos sobreviventes nos desertos. Eu precisava de um grupo assim sem habilidades nenhuma. Eu precisava passar ileso pelos exterminadores e precisava chegar aos portões da capitania de Nova Amazônia. Minha missão era explodir os portões da fronteira, desse jeito causando o pandemônio no governo e nos soldados. Em sequencia a invasão dos rebeldes dentro da própria capital.

            - Então fomos escolhidos por acaso, pela sorte. E pela sorte nossos amigos morreram. Você tem noção que colocou as nossas vidas em risco? Você tem noção? – perguntei fazendo a vítima.

            - Não sei o que fazer com você? Ao mesmo tempo em que tenho vontade de furar seus olhos, eu tenho pena do burro que você é – eu disse olhando nos olhos de Marcos.

De repente Marcos é atingido com um tiro na cabeça, caindo ensanguentado no chão. 


Ao virar, vejo Íris com o revolver em mãos, trêmula e assustada.

- Nãoooooooooooooooooooooooooooooooooo !!!! – gritava Íris desesperada ao lado do corpo. Pela primeira vez nesses meses realmente tive pena dela. Abracei-a com todo força, senti que ela precisava de alguém. Afinal, Íris era uma jornalista patricinha acostumada com o luxo e riqueza. Com certeza, nunca precisou matar ninguém.

Nayla pega as mochilas e as armas no carro e aponto para o oeste.

-Naylaacho que não precisamos fugir. Vamos esperar o grupo de buscados rebeldes vir e contamos para eles que um grupo de exterminadores nos atacou – eu disse planejando um esquema de sobrevivência.

- Mas como vamos simular isso– perguntou Íris aos prantos.


- Deixem comigo, eu já tenho um plano. O negócio é ficarmos a salvo nesse momento – eu disse pegando uma das armas e atirando em direção aos carros.

- Porque está fazendo isso? – perguntou Íris.


- Vamos dizer que ficamos escondidas dentro dos carros enquanto Marcos foi nosso herói e enfrentou o grupo de exterminadores, oks? – eu expliquei para Nayla e Íris.  


Crônicas de um Pesadelo quase esquecido – Parte 08

Por: Marcos


Tirei a roupa de Íris e passei minha boca entre seus mamilos ardentes. Depois lentamente tirei sua calcinha e bati com força em sua bunda. Que bunda! Apalpei seu corpo com se fosse um preza suculenta. Acordei com os gritos de Nayla!
 Não entendia o que a imigrante gritava, porém estava muita assustada. Acordei Íris, e logo em seguida acordei Dani, que roncava próximo a nós.  Quando ví o corpo de Felipe no relento, roxo, parecia que havia sido enforcado. Pela primeira vez ví Dani esboçar um sentimento e deixou cair uma lágrima.

- Não podíamos ter deixa-lo de vigia sozinho – lamenta Íris.

- Mas, por que eles não nos mataram? – pergunta Dani.

- Eles estão brincando com a gente como se fossemos ratos de laboratório – diz Marcos.

- Quem tá aí? Saiaaaaam seus miseráveis- gritou Dani enraivecida.

Nayla pronunciou algo em sua língua e avistou para o sol que estava nascendo.

- Acho que ela disse que precisamos ir – disse Íris.

- Vamos embora galera- eu disse encorajando-as.

Depois de alguns dias encontramos uma espécie de bar de estrada abandonada, no lado de fora ainda havia dois carros abandonados. Nayla e Íris entraram no primeiro carro e dormiram. Já Dani preferiu se aconchegar no segundo carro, sozinha e longe das meninas.
Depois de um tempo, aproveitei que as meninas estavam sozinhas e peguei o rádio portátil de Íris. Aquele ataque dos soldados parecia encomendado não tinha como eles saberem nossa localização. Peguei o rádio:

- Mãe, tá me ouvindo? Câmbio, Marcos falando. Câmbio?!  Preciso falar com Sasha. Mãe está me escutando? – falei baixinho para que as meninas não escutassem.

- Filho. Como você está meu filho? Estou com muita saudade de você. Volte para Velha Amazônia, volte pra base. – disse minha mãe no outro lado do rádio.

- Mãe, preciso falar com Sasha. Agora. Fui atacado por um grupo de soldados exterminador em uma área fantasma, alguém está nos seguindo. Preciso de um grupo de resgastes estou com mais amigas. Deixe-me falar com Sasha ...um dos dela nos salvou do GE, mas acabou sendo golpeado. Eu não podia lutar com os soldados senão iria entregar meu disfarce. Mãe, o GE está tramando alguma coisa.

Escuto um barulho de revolver nas minhas costas. Ao me virar vejo Dani com uma pistola nas mãos.

- Então você mentiu para gente esse tempo todo. O ataque no primeiro esconderijo foi por sua causa, a morte de nossos amigos foram por sua causa – disse Dani revoltada.

Eu não podia entregar minha missão. Precisava convencer ela, ou desarmá-la.

- Dani não é nada disso que você tá pensando. Deixa eu lhe contar ... – eu disse tentando convencer ela.

- Eu ouvi seu papinho Marcos. E vou contar para as meninas, aposto que a Íris vai adorar saber sobre isso. Você, o fraco e indefeso do grupo, um militante dos rebeldes andarilhos.

Imediatamente pulei na direção de Dani e meti-lhe um soco, mas ela ainda estava com o revólver em mãos. Dani gritou Íris, mas eu a joguei no chão, tirando o revolver de sua mão.

- Seu cretino você não irá me matar – disse Dani violenta, tacando terra nos meus olhos, em seguida, chutando minha barriga e recuperando o revólver no chão. Dani apontou o revólver na direção de minha cabeça.


 - Sua história de revolta nunca me desceu – esbravejou Dani.Qual suas últimas palavras, seu traidor? –

- Eu não trai ninguém. Você não sabe porque menti. Minha mãe é uma militante da causa GLBT sim. Precisei fugir a vida inteira por conta disso, você não sabe nada da minha vida – também esbravejei lembrando da minha mãe.

- Você não sabe o que é ser homossexual nesse mundo novo de guerra. Não foi você que teve a família morta e a casa destruída só pelo simples motivo de ter um casal de mãe. Quer saber? Me mata mesmo. Sabe quem é minha madrasta? Sasha, a líder dos rebeldes. Se você me matar, morre logo depois, porque está cheio de rebeldes andarilhos por aí. Quer saber de outra coisa? Até dentro do governo há casai gays, porém eles escondem tudo. Até o ex-presidente era gay – eu disse soltando uma gargalhada.



Dani gritou e partiu em minha direção me sequenciando de socos e tapas. Íris saiu do carro e avistou Dani por cima de mim, me estapeando. 


Crônicas de um Pesadelo quase esquecido – Parte 07

Por: Felipe


Depois do bombardeio ao nosso esconderijo, vagamos dias e dias pelas cidades fantasmas da capitania sudeste. Eu, Nayla, Marcos, Carolina, Leonardo e Íris conseguimos escapar, apesar de feridos escapamos com vida desse pesadelo que nunca termina.
Depois de dois dias de caminhadas, avistamos um vilarejo aparentemente abandonado. Enquanto as mulheres dormiam, os homens se revezavam para vigiar a pequena casa que nos abrigávamos. Eu e Marcos resolvemos procurar mantimentos nos sobrados próximos e deixamos Leonardo – o metido a machão – cuidando das meninas.
Consegui achar umas latinhas de atum, um pacote de biscoitos e alguns restos de comida estragada. Marcos achou uma latinha de cerveja aberta e entornou o restante quente pela garganta. Marcos avistou ao lado dos mantimentos, alguns cartuchos e aproveitou para carregar a arma que trouxera do esconderijo. Afinal precisávamos de munição para nos proteger de qualquer perigo. Marcos viu o selo do Grupo Exterminador colado no teto da casa.

- Temos que nós poca fora daqui. Eles estão aqui – diz Marcos, pegando a mochila, parecendo surtado.

- Como você sabe? – perguntei sem entender nada. Marcos era sempre calmo, vê-lo naquele estado foi surpreendente.


- Esse local não é fantasma atoa, ele foi esvaziado pelo GE. Além do mais, essa cerveja e esses mantimentos foram consumidos há pouco tempo – diz Marcos, saindo da casinha.

Eu o sigo. Escutamos barulho dos tiros. Marcos me faz sinal para ter cuidado. Aproximamos de nosso novo esconderijo e deparamos com Leonardo ao chão ensanguentado, enquanto Carolina meditava algum mantra.

- Não vou falar de novo! Com quem vocês estão? – gritou um dos soldados do GE.

- Vocês são rebeldes andarilhos? Onde está a chefe de vocês? – pergunta o soldado negro.
- Nós não somos rebeldes. Somos apenas imigrantes – diz Irís, tomando uma pesada do terceiro soldado e caindo machucada no chão.

 No instante que Irís foi agredida, Marcos não se conteve e começou a atirar em direção aos soldados. Nayla tirou Irís de dentro do esconderijo, enquanto Carolina tentou pedir paz e foi atingida com seis tiros no peito, caindo morta no chão.
De repente, uns dos soldados levou uma flechada no pescoço, seguido pelo segundo soldado, até sobrar o último soldado. Não éramos nós que estávamos atacando. Um rapaz de roupas rasgadas, de barba e trancinhas, pulou dentro do esconderijo e rapidamente esfaqueou o terceiro soldado, que caiu no chão. Porém, antes de morrer o soldado conseguir atirar na cabeça do rapaz que nos salvou, e infelizmente ele também morreu.
Ficamos todos espantados com a guerra que acabara de acontecer em nossa frente. Marcos correu para verificar se Íris tinha se machucado, Nayla chorava copiosamente ao lado do corpo de Carolina e Leonardo.

- Quem é este que nos salvou? – perguntou Íris.

- Com certeza é um rebelde andarilho. Vamos esquecê-los, afinal precisamos sair daqui. Nenhum lugar está seguro – disse Marcos.

- E os corpos deles? Não vamos enterrar? – perguntei ingenuamente.

- Se liga! Não temos tempo pra essas caretices. Estamos na guerra, podemos morrer a qualquer momento. Pegue as armas dos soldados, vamos precisar aprender atirar daqui pra frente – disse Marcos, assumindo a liderança do grupo, após a morte de Leonardo.
Nayla, que até então, eu não confiava, tornou-se minha melhor amiga sobrevivente. A garota imigrante cuidava dos meus ferimentos, parecia ter alguma experiência com curativos e muito sangue. Depois de 4 dias encontramos Dani no caminho. Foi uma surpresa para todos. Contamos sobre a morte de Leonardo e a moça não esboçou nenhum sentimento. Apesar de ter um ar de superior, Dani mantinha o equilíbrio do grupo.
Quando paramos para dormir perto de outra cidade fantasma, mais ao leste, avistei Dani conversando no rádio portátil de Íris. Logo de início não achei nada demais, apesar de ser estranho. Afinal, com quem ela se comunicava? Foi quando ouvi:


- Eu descobri que vocês mataram meu pai. E isso não vai ficar assim Senhor Presidente de bosta. Ah, e avisa pro seu filho toma no cú dele. Estou perto de Nova Amazônia e vou me vingar de todos vocês. Acabou minha missão. Câmbio, desligando Ariel.



Então nossa líder Dani não passava de uma impostora.

Eu precisava contar ao restante do grupo.


03 dezembro, 2015

Crônicas de um Pesadelo quase esquecido - Parte 6


 Por: Dani   Ariel


Meu nome não é Dani. É. Isso mesmo. Na verdade, meu nome é Ariel. Porém, não uma princesa, como a pequena sereia. Até poderia ser, levando em conta, que meu pai era o ex-presidente de Nova Amazônia. É, eu estou no lado dos “vilões”. Estou com eles, mas não por muito tempo.


Nasci em berço de ouro, desde criança em Nova Amazônia. Nossa atual capital do país, e antiga, Espírito Santo. Ah, e ainda, umas das cincos capitanias ativas. Depois que os estados polos como Rio de Janeiro e São Paulo sofreu bombardeio, a maioria dos imigrantes fugiram para as pacatas zonas em Minas Gerais, o que causou a superpopulação. Assim, o antigo Espírito Santo é hoje a capital de nosso país, conhecido como Nova Amazônia.
                Pois bem, estou nessa missão para vingar a morte do meu pai, que foi brutalmente capturado e assassinado por Sasha, líder dos rebeldes andarilhos. Na verdade sempre soube que esta missão era suicida, afinal fingir-se de rebelde, numa meio uma guerra, era me colocar junto ao inimigo. Um passo em falso, já era.


            Acabei me afeiçoando ao grupo de sobreviventes, é claro que no começo eu fingia ser a “bondosa” e “acolhedora”, desde que achei Nayla perdida, até Lívia que eu trouxe na última saída. Falando em Lívia, a última vez que eu tinha avistado ela, fora no esconderijo, porém depois do bombardeio que sofremos fiquei uma semana sem saber notícias do grupo. Eu estava escondida, até saber mais novidades sobre Sasha.
            Acabo de me encontrar com o restante dos sobreviventes, Íris estava ferida se apoiando em Marcos, Nayla faz curativos na perna de Felipe, que havia sido baleado. Fiquei sabendo que depois da explosão os grupos se separaram, e com isso nossos amigos foram atacados. Marcos contou-me que Lucas e Lívia haviam morrido com o bombardeio no esconderijo, já Carolina e Leonardo morreram tentando escapar de um grupo exterminador que atacaram eles.

 Sinto-me culpada, afinal por minha causa o grupo havia sido atacado. No último contato com as tropas do GE, comentei que Marcos, era filho de uma das líderes esquerdistas. Na verdade, só estive todo esse tempo com o grupo, na esperança de achar Sasha, e vingar-me daquela galinha assassina. Acabei me ferrando, ainda descobri, por meio de Irís, que a morte do ex-presidente de Nova Amazônia foi encomendada pelos líderes do atual governo da capitania, ou seja , meu pai não foi morto pelos rebeldes, e sim por seus amigos de gabinete.


            Agora, preciso arrumar um jeito de sair dessa cidade fantasma, e ajudar meus novos, e únicos, amigos.  Pego o rádio portátil da mochila de Irís, e faço uma ameaça. Próxima parada:  portões de Nova Amazônia. 

02 dezembro, 2015

Crônicas de um pesadelo quase esquecido – Parte 5

Outubro, 2020  

   por : Marcos



Algo horrível está acontecendo. O mundo está tomado por uma grande guerra. Talvez a Grande Guerra. Maior que a primeira e segunda Guerras Mundial. E pensar que essa desgraça toda ocorre por nossa culpa. Por algo que, por muito tempo, banalizamos, que pensamos que nunca acabaria. Mas nos enganamos. A água que pensamos ser eterna, e esbanjamos por aí, gastamos atoa, acabou. Queria que isso tudo fosse uma pesadelo. Que eu acordasse e tudo voltasse a ser como era antes. Mas pena isso ser real. Triste realidade.


Estou preso nesse buraco com algumas pessoas que nunca vi na vida. Alguns drogados, outros metidos a espertalhões. Sou obrigado a conviver com eles pois quero continuar vivo. Somos o que “sobrou” da espécie humana. Os outros que restaram procuram por grupos sobreviventes, como nós, para exterminá-los. Repito: Isso é um pesadelo! Penso melhor. Isso não é um pesadelo, pois se fosse meu desejo de acordar e tudo estar bem seria realizado, mas, infelizmente, quando eu acordar a guerra estará acontecendo.
A menos de que seja como no filme do Fred Kruger e isso seja um pesadelo onde eu esteja preso e não consigo acordar, logo eu estarei fugindo da morte brutal como os personagens do filme. Mas não. Isso não é um pesadelo. Retifico minha fala: Isso é um inferno.


Acordo e vejo que estão se preparando para trocar de esconderijo. Não sei se isso seria uma boa ideia. Pode haver alguém do lado de fora pronto para matar-nos. Mas precisamos sair. Nossa comida e a pouca água que restou está no final. Temos de sair e procurar por mais e temos de ser rápidos.

- Aonde vamos? Pergunto.

- Há alguns quilômetros daqui temos uma rua que esta destruída, tem escombros por todo lado, mas é nossa última chance, de passar por um antigo bairro onde tinha uma feira, bares, restaurantes, supermercados e pagarmos os alimentos que precisamos. – Contou Íris.

Arrumamos nossas coisas e saímos de lá, seguindo os planos de Íris. Eu sentia falta das minhas mães. Sim, mães. No plural. Fui criado por duas mulheres lindas e fortes, que mesmo com todas as dificuldades enfrentadas nunca me abandonaram e, me ensinaram o que é o amor de verdade. Eu, um marmanjo do jeito que sou estar sentindo falta das “mamães” não é um sinal de fraqueza,  mas tudo o que sou devo à elas, e sei que onde seja o lugar que elas estejam, elas estarão orgulhosas de mim, pois estou sendo forte e resistindo as ameaças, assim como elas me ensinaram. 
Estávamos andando a algum tempo, e eu sentia que estávamos sendo observados, mas não disse nada, pois, não queria assustar meus companheiros de inferno. Chegamos ao local. Dividimo-nos em dois grupos menores para poder pegar os alimentos. Felipe, Nayla e Carol foram para a feira. Íris, Leonardo e eu fomos para o supermercado.

O local estava bem vazio e escuro. Já haviam saqueado grande parte dos suprimentos. A sensação de que alguém estava nos vigiando continuava. Dessa vez não me contive e comentei:

- Acho que tem alguém atrás de nós.
- Você está ficando paranoico, cara! Disse o Léo.
- Verdade, não vi ninguém nos seguindo. Pare de inventar bobeiras para nos assustar. Esbravejou Íris.
- Beleza, não está mais aqui quem falou! Eu disse.
Fiquei nervoso, mas não quis demonstrar nada. Saí de perto deles em busca de algo que me lembrasse da infância: aquele potinho de pudim de chocolate. Deveria estar na seção do frios, que ficava no outro lado do mercado. Não me importei e deixei os dois para lá e fui atrás do meu pudim.
Quando já estava bem afastado deles, deixei algumas lágrimas escaparem de meus olhos. Enjuguei meu rosto com as costas da minha mão e continuei meu trajeto. Ouvi barulho de tiro. Porra, pensei, é agora que eu morro. Corri e me escondi. Alguns minutos se passaram e o local estava um verdadeiro silêncio. Ouvi alguns passos vindo em minha direção, falando:

- Marcos, onde é que você está?

Era uma voz feminina, bem familiar. Saí do meu esconderijo, e vi Íris, mancando, e carregando uma arma na mão. Corri e ajudei-a. Percebi que ela tinha levado um tiro na perna e estava perdendo muito sangue. Há alguns anos, comecei a cursar medicina, mas logo abandonei. Ainda lembrava de algumas coisas de emergência. Tirei meu casaco e amarrei em sua perna para estancar a hemorragia.
Voltei minha atenção para a mão dela e de novo percebi a arma. Perguntei o que tinha acontecido. Ela me explicou que um homem entrou no mercado e começou a atirar em sua direção e do Leonardo. Me disse também que ele havia lutado com o homem, e perdera o Léo de vista. Ela recebeu um tiro na perna, mas conseguiu ganhar a luta e o matou.

Agora éramos só Íris e eu ali freados pelo medo e sensação de abandono. Ainda precisava achar o restante do grupo. Sem falar na Dani que não temos notícias. E algo estranho aconteceu. Eu não me importaria de morrer se ela estivesse ao meu lado. Acho que estava me apaixonando. Droga! Isso deveria ser um pesadelo ...