Menu Fixo

Menu-cat

22 dezembro, 2015

Crônicas de um Pesadelo quase esquecido – Parte 07

Por: Felipe


Depois do bombardeio ao nosso esconderijo, vagamos dias e dias pelas cidades fantasmas da capitania sudeste. Eu, Nayla, Marcos, Carolina, Leonardo e Íris conseguimos escapar, apesar de feridos escapamos com vida desse pesadelo que nunca termina.
Depois de dois dias de caminhadas, avistamos um vilarejo aparentemente abandonado. Enquanto as mulheres dormiam, os homens se revezavam para vigiar a pequena casa que nos abrigávamos. Eu e Marcos resolvemos procurar mantimentos nos sobrados próximos e deixamos Leonardo – o metido a machão – cuidando das meninas.
Consegui achar umas latinhas de atum, um pacote de biscoitos e alguns restos de comida estragada. Marcos achou uma latinha de cerveja aberta e entornou o restante quente pela garganta. Marcos avistou ao lado dos mantimentos, alguns cartuchos e aproveitou para carregar a arma que trouxera do esconderijo. Afinal precisávamos de munição para nos proteger de qualquer perigo. Marcos viu o selo do Grupo Exterminador colado no teto da casa.

- Temos que nós poca fora daqui. Eles estão aqui – diz Marcos, pegando a mochila, parecendo surtado.

- Como você sabe? – perguntei sem entender nada. Marcos era sempre calmo, vê-lo naquele estado foi surpreendente.


- Esse local não é fantasma atoa, ele foi esvaziado pelo GE. Além do mais, essa cerveja e esses mantimentos foram consumidos há pouco tempo – diz Marcos, saindo da casinha.

Eu o sigo. Escutamos barulho dos tiros. Marcos me faz sinal para ter cuidado. Aproximamos de nosso novo esconderijo e deparamos com Leonardo ao chão ensanguentado, enquanto Carolina meditava algum mantra.

- Não vou falar de novo! Com quem vocês estão? – gritou um dos soldados do GE.

- Vocês são rebeldes andarilhos? Onde está a chefe de vocês? – pergunta o soldado negro.
- Nós não somos rebeldes. Somos apenas imigrantes – diz Irís, tomando uma pesada do terceiro soldado e caindo machucada no chão.

 No instante que Irís foi agredida, Marcos não se conteve e começou a atirar em direção aos soldados. Nayla tirou Irís de dentro do esconderijo, enquanto Carolina tentou pedir paz e foi atingida com seis tiros no peito, caindo morta no chão.
De repente, uns dos soldados levou uma flechada no pescoço, seguido pelo segundo soldado, até sobrar o último soldado. Não éramos nós que estávamos atacando. Um rapaz de roupas rasgadas, de barba e trancinhas, pulou dentro do esconderijo e rapidamente esfaqueou o terceiro soldado, que caiu no chão. Porém, antes de morrer o soldado conseguir atirar na cabeça do rapaz que nos salvou, e infelizmente ele também morreu.
Ficamos todos espantados com a guerra que acabara de acontecer em nossa frente. Marcos correu para verificar se Íris tinha se machucado, Nayla chorava copiosamente ao lado do corpo de Carolina e Leonardo.

- Quem é este que nos salvou? – perguntou Íris.

- Com certeza é um rebelde andarilho. Vamos esquecê-los, afinal precisamos sair daqui. Nenhum lugar está seguro – disse Marcos.

- E os corpos deles? Não vamos enterrar? – perguntei ingenuamente.

- Se liga! Não temos tempo pra essas caretices. Estamos na guerra, podemos morrer a qualquer momento. Pegue as armas dos soldados, vamos precisar aprender atirar daqui pra frente – disse Marcos, assumindo a liderança do grupo, após a morte de Leonardo.
Nayla, que até então, eu não confiava, tornou-se minha melhor amiga sobrevivente. A garota imigrante cuidava dos meus ferimentos, parecia ter alguma experiência com curativos e muito sangue. Depois de 4 dias encontramos Dani no caminho. Foi uma surpresa para todos. Contamos sobre a morte de Leonardo e a moça não esboçou nenhum sentimento. Apesar de ter um ar de superior, Dani mantinha o equilíbrio do grupo.
Quando paramos para dormir perto de outra cidade fantasma, mais ao leste, avistei Dani conversando no rádio portátil de Íris. Logo de início não achei nada demais, apesar de ser estranho. Afinal, com quem ela se comunicava? Foi quando ouvi:


- Eu descobri que vocês mataram meu pai. E isso não vai ficar assim Senhor Presidente de bosta. Ah, e avisa pro seu filho toma no cú dele. Estou perto de Nova Amazônia e vou me vingar de todos vocês. Acabou minha missão. Câmbio, desligando Ariel.



Então nossa líder Dani não passava de uma impostora.

Eu precisava contar ao restante do grupo.


Nenhum comentário:

Postar um comentário