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22 dezembro, 2015

Crônicas de um Pesadelo quase esquecido – Parte 09

Por: Dani Ariel

Íris e Nayla não entenderam nada ao me avistarem socando a cara do idiota do Marcos. 




Enquanto Nayla pronunciava seus dialetos, Íris pegou em meu pescoço para tentar evitar uma tragédia.

- Parem com isso – gritava Íris preocupada.

- Conte para ela rebelde militante, de quem você é filho – comentei para Marcos contar a verdade. O cretino não abria a boca.

- Conta logo, antes que eu te mato – eu disse enraivecida. Lógico, que elas nunca poderiam saber que eu também estava mentindo para elas.

- Fala Marcos, vamos resolver essa briga – disse Íris, me dando pena por ser patética ao ponto de acreditar em todos nós.

- Eu sou filho da Sasha. Quer dizer, sou enteado. Sasha é esposa da minha mãe, Lúcia.

- Então quer dizer que todos esses ataques foram por sua causa? A morte do Léo, da Carol, da Lívia, de todooo mundoo .. é por sua causa? Não consigo acreditar nisso. Você é o vilão da história. E eu me apaixonei pelo cretino da história – disse Íris em colapso.

- Eu não sou vilão, porra nenhuma. O vilão são eles. O governo é o verdadeiro vilão, o grupo exterminador é o verdadeiro vilão. Eles que sequestram pessoas, torturam, e matam. Eles que cobram juros altíssimos para manterem pessoas alienadas naquele paraíso chamado Nova Amazônia. Nova Amazônia é o verdadeiro pesadelo. As pessoas não sabem, mas elas vivem como robôs controlados por um governo ditatorial e utópico. Enquanto eles proíbem as pessoas de teremmais filhos, controlam as relações sexuais das pessoas, proíbem de saírem das fronteiras da capital. Eles, o governo e sua corja fazem isso o tempo todo. Promovem festinhas e rituais com o dinheiro da escravidão em Nova Amazônia. São todos uns fudidos.

- Chega de mentira, Marcos – gritou Íris. Não podemos mais andar com você. Como poderemos dormir ao lado de um mentiroso. Estou cansada de mentiras. Estou cansada de perder meus amigos. Estou cansada de vagar por cidades fantasmas e fugir desses grupos. Para mim tanto esses rebeldes quanto esse governo não valem nada.

- Íris, me perdoe. Eu vou levar vocês para o norte, daqui três cidades fantasmas chegaremos a ilha dos rebeldes. Sendo minhas aliadas, com certeza Sasha dará proteção a vocês. Além disso, ela mandará um grupo de busca para nos salvar – disse Marcos, se ajoelhando aos pés de Íris.

            - Só me responde uma pergunta: porque você escolheu o nosso grupo? – perguntou Íris. Por quê? O que nós temos de especiais? Afinal uma jornalista, uma imigrante e uma ... (olhou pra mim) garota metida a liderar, o que temos de especial? O que você queria com a gente? – Íris ainda insistia no assunto.

            - Eu não queria nada. Lembro-me quando cheguei ao esconderijo, Dani, Nayla, Lívia, Leonardo já estavam lá. O grupo não tinha nada demais, eram todos sobreviventes nos desertos. Eu precisava de um grupo assim sem habilidades nenhuma. Eu precisava passar ileso pelos exterminadores e precisava chegar aos portões da capitania de Nova Amazônia. Minha missão era explodir os portões da fronteira, desse jeito causando o pandemônio no governo e nos soldados. Em sequencia a invasão dos rebeldes dentro da própria capital.

            - Então fomos escolhidos por acaso, pela sorte. E pela sorte nossos amigos morreram. Você tem noção que colocou as nossas vidas em risco? Você tem noção? – perguntei fazendo a vítima.

            - Não sei o que fazer com você? Ao mesmo tempo em que tenho vontade de furar seus olhos, eu tenho pena do burro que você é – eu disse olhando nos olhos de Marcos.

De repente Marcos é atingido com um tiro na cabeça, caindo ensanguentado no chão. 


Ao virar, vejo Íris com o revolver em mãos, trêmula e assustada.

- Nãoooooooooooooooooooooooooooooooooo !!!! – gritava Íris desesperada ao lado do corpo. Pela primeira vez nesses meses realmente tive pena dela. Abracei-a com todo força, senti que ela precisava de alguém. Afinal, Íris era uma jornalista patricinha acostumada com o luxo e riqueza. Com certeza, nunca precisou matar ninguém.

Nayla pega as mochilas e as armas no carro e aponto para o oeste.

-Naylaacho que não precisamos fugir. Vamos esperar o grupo de buscados rebeldes vir e contamos para eles que um grupo de exterminadores nos atacou – eu disse planejando um esquema de sobrevivência.

- Mas como vamos simular isso– perguntou Íris aos prantos.


- Deixem comigo, eu já tenho um plano. O negócio é ficarmos a salvo nesse momento – eu disse pegando uma das armas e atirando em direção aos carros.

- Porque está fazendo isso? – perguntou Íris.


- Vamos dizer que ficamos escondidas dentro dos carros enquanto Marcos foi nosso herói e enfrentou o grupo de exterminadores, oks? – eu expliquei para Nayla e Íris.  


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