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16 maio, 2016

Resenhas do Abou: Em Nome da Lei (filme)


Olá, leitores do ELEA e visitantes, que por algum motivo resolveram ler essa resenha. Para quem não me conhece: sou Vitor Abou e voltei na semana passada ao “ELEA” com meu quadro semanal de resenhas de filmes e livros. Que tal comentar sobre um filme mais recente hoje?! Por mim, ótimo! O filme dessa semana ainda está em cartaz em alguns cinemas do Brasil, mas já saiu da maioria. 

O filme resenhado é do diretor Sergio Rezende, famoso pelo trabalho em Guerra de Canudos e Mauá - O Imperador e o Rei. Como já falei em outras resenhas, geralmente, no Brasil, os filmes nacionais que fazem sucesso são os de comédia, porém felizmente alguns de drama, aventura e policiais vem aparecendo cada vez mais. Somente alguns dos gêneros de aventura e policiais são capazes de tomar dimensão mundial, como Cidade de Deus (2002) e Tropa de Elite (2008). 

  O filme é baseado em fatos reais e fala sobre o jovem juiz federal Vitor (Mateus Solano), que chega à cidade de Fronteira, determinado a acabar com o contrabando e o tráfico de drogas e armas na região. Um dos grandes chefes do tráfico da região é Gomes (Chico Diaz), conhecido como El Hombre, que é adorado por toda população, e possui um exército de homens. Com esse seu objetivo considerado por muitos como surreal ou ''querer demais'', a procuradora Alice (Paolla Oliveira) e os policiais federais liderados por Elton (Eduardo Galvão) tentam ajudá-lo também. 


O filme é baseado no caso do juiz Odilon de Oliveira (conheça mais  AQUI) , no Mato Grosso do Sul, conseguiu acabar com o tráfico entre o estado e o Paraguai. À primeira vista, a história de ''Em nome da lei'' não parece ser muito original, lembrando até o também nacional ''Operações Especiais'' (RESENHA AQUI) - mudando somente seu contexto, mas também abordando a temática da possibilidade de existir uma polícia 100% honesta e justa no Brasil.


Chegando nessa cidade, o juiz Vitor depara-se com o domínio total de Gomes, e começa a incomodá-lo com suas decisões, entre elas, a prisão de Hermano (Emílio Dantas), um dos cúmplices de Gomes e antigo amor da filha do bandido (Juliana Lohmann). Falando em Hermano, é com ele uma das cenas mais impactantes do filme, em que, em seu julgamento, o bandido cospe no rosto do juiz e duvida de sua tentativa de acabar com o tráfico entre as fronteiras. No casamento da filha de Gomez, outro momento de grande tensão ocorre: uma equipe de policiais vai até à mansão do bandido, momentos antes da festa, com um mandato de prisão para ele, porém o bandido consegue driblar os policiais e abre o portão da casa segurando uma arma muito grande, fazendo com que os policiais saiam. Nesse quesito, achei a cena um pouco fraca, já que os policiais não deveriam ter autorizado que Gomez saísse do portão para voltar à casa para pegar algo. 


Outra coisa que também há em excesso é cena de tiro e morte, no filme. Essas, por sinal, são muito bem dirigidas e sem muitos exageros, sendo objetivas e claras para mostrarem o que aconteceu. Mesmo focando em contar a história do juiz e da sua tentativa de acabar com o tráfico na região, ''Em nome da lei'' possui alguns outros elementos em que chama a atenção de seus espectadores, por meio do triângulo amoroso criado entre Alice, Elton e Vitor, dos momentos de humor, das cenas de perseguição policial, do suspense, etc. Essa missão de focar em um tema e desenvolver outros elementos a partir dele, foi muito bem cumprida nesse longa-metragem. 


Agora vamos falar um pouco sobre os cenários e figurinos. Retratando uma região não muito rica e com muitos imigrantes, o filme não peca no quesito figurino, com seus personagens vestindo roupas bem relacionadas às suas ocupações (promotora, juiz, delegado, vendedores locais, traficantes,...). Os cenários também são muito interessantes, porém senti falta daquelas cenas clichês das paisagens da região, que combinariam muito bem, na ocasião.


E o elenco? Muito bom, no geral, e muito bem dirigindo. Realmente, eu não esperava ver Chico Diaz arrasando na pele de um traficante de drogas. Ele conseguiu se sobressair e impressionar os espectadores. Mateus Solano e Paolla Oliveira também se saíram muito bem, mas acho que o relacionamento entre os seus personagens poderia ser mais explorado, e com mais emoção e, de certa forma, força, porque ficou meio ''caído''. Também destaco o trabalho do ator Gustavo Nader, como Zezé, que trabalha junto de Vitor e Alice. O personagem conseguiu deixar o clima do filme mais leve, com seu visual nerd e suas colocações engraçadas, e também conseguiu surpreender todos com uma das últimas cenas do filme.
Enfim, o filme conseguiu cumprir seu papel de falar da história do juiz Odilon de Oliveira e de muitos outros que são constantemente ameaçados no Brasil, e continuam lutando por um país melhor para todos nós. Por isso, devemos reconhecer o trabalho deles. Mesmo assim, o filme apresentou algumas falhas, porém nada que tenha comprometido tanto o seu ótimo resultado final.

 Por: Vitor Abou


Vitor Abou é dono da Coluna Semanal " Resenhas do Abou", na qual todas às Segundas, o autor/ escritor posta um texto crítico, seja fílmico ou literário. Abou ganhou  o direito, de postar semanalmente no "ELEA", por ter vencido com glória, a 2ª edição, do reality " O Roteirista", realizado em 2015.


 

 

Um comentário:

  1. Achei interessante o enredo do filme, é muito bom ver que o cinema brasileiro vem tomando outros rumos.

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