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30 maio, 2016

Resenhas do Abou: Entre Nós (filme)



Olá, queridos leitores do ELEA. Sou eu, Vitor Abou, e hoje é dia de mais uma resenha. Como semana passada comentei sobre um livro “Lucíola”, hoje é dia de falar de um filme, dessa vez, não tão recente. Esse filme nacional é de 2013 e coloca em debate uma questão que já apontei em outras resenhas minhas: o excesso de filmes nacionais de comédia, e, consequentemente, a falta de grandes filmes de drama. Porém, quando lançado, ‘‘Entre Nós’’ veio para tentar quebrar essa questão.

O filme se inicia em uma casa de campo, onde sete amigos escritores se reúnem para celebrarem a publicação do primeiro livro deles. Nessa casa, eles escrevem cartas que serão abertas dez anos depois. As cenas iniciais do filme são repletas de rodinhas entre os amigos, em que eles cantam boas músicas, de revelações, de beijos, de álcool e cigarro. Porém, o que era pra ser um pequeno trajeto para comprar mais bebida, tornou-se o trajeto da morte de um deles. Rafa (Lee Taylor) e Felipe (Caio Blat) se distraem, e quem dirige, no caso Rafa, acaba não resistindo. Destaco, nessa sequência, a excelente forma como ela foi conduzida.

O longa metragem mostra somente o carro caindo e logo após há passagem de 10 anos, saltando para 2002. A partir daí, é mostrada a volta dos amigos àquela casa no interior. Foi muito interessante acompanhar como os personagens mudaram, e até me surpreendi com o casamento entre Lúcia (Carolina Dieckmann) e Felipe, já que na primeira fase ela estava com Gus (Paulo Vilhena). Um ingrediente bastante presente no filme são as discussões. Esse reencontro mexe bastante com todos e eles brigam bastante. Um exemplo logo no início da segunda fase é no jantar, no qual Cazé (Júlio Andrade) critica duramente o livro de Felipe e diz ainda que pegou leve.

 O passado volta à tona em diversos momentos, como no momento em que Silvana (Maria Ribeiro) revela a Felipe que acha que o livro dele foi inspirado nela, e ele confessa, em parte, afirmando que também se inspirou em outras mulheres, até em Capitu, personagem do clássico ‘‘Dom Casmurro’’, de Machado de Assis. O filme também aborda temas importantes como sexo, traições, fracasso, sucesso e amor, conseguindo encaixá-los perfeitamente no enredo da trama.
Um dos momentos mais marcantes do filme é mais no final, quando as cartas são lidas. Todos os personagens estão emocionados, principalmente, por lembrarem de Rafa e dos seus passados. Sobre o final, não tenho muito para comentar para não dar spoilers, mas gostei bastante, porque consegue tocar o espectador, algo que não é tão fácil de se conseguir, apesar de sua previsibilidade. 

O filme é dirigido por Paulo Morelli e Pedro Morelli, pai e filho, que conseguem levar a difícil missão de dirigir um longa de drama no Brasil muito bem. O texto, que mistura drama e suspense, também é muito rico e as falas são fortes, transmitindo os sentimentos verdadeiros dos personagens. A fotografia do filme também mostra-se muito interessante, focando na mistura entre a natureza belíssima e os personagens, apresentando muito bem o caráter de emocionar.
  
Também relacionado a esses elementos, está o figurino, que possui grande importância em um longa metragem. Por estarem em uma região mais alta, eles utilizam roupas mais longas e mais quentes, sendo também mais elegantes e colaborando para o ar fino do filme. Em relação aos cenários, não tenho nenhum tipo de crítica negativa, já que, assim como o figurino, colaboram para o ar e o tom do filme. Sobre a trilha sonora, achei a trilha um tanto fraca, com exceção de algumas músicas como ‘‘Na asa do vento’’, de Caetano Veloso. 

Descobri recentemente uma curiosidade muito interessante a respeito do filme, que irei compartilhar agora. Os diretores confinaram todos os atores em um sítio na Serra da Mantiqueira durante duas semanas, como uma preparação para o filme, criando laços que ajudaram na construção de seus personagens. Agora é o momento de falar das atuações. Destaco o trabalho de Caio Blat, Maria Ribeiro e Martha Nowill (como Drica), mas também achei ótimas as atuações de Paulo Vilhena, Carol Diechmann e Júlio Andrade. Todos eles conseguiram passar a emoção tão forte e importante nesse filme.
Para terminar, gostaria de ressaltar que esse é um dos melhores filmes nacionais, que foge da categoria comédia. E não é um filme que possui só um setor com trabalho bem feito, é uma união de vários setores, como fotografia, direção, elenco, e cenário. Quem ainda não assistiu ao filme, deveria assistir, pois vale muito à pena.
Por: Vitor Abou 
Ah, olha que coincidência, a EQUIPE “ELEA” já resenhou sobre esse filme. LEIA AQUI


Vitor Abou é dono da Coluna Semanal " Resenhas do Abou", na qual todas às Segundas, o autor/ escritor posta um texto crítico, seja fílmico ou literário. Abou ganhou  o direito de postar,semanalmente, no "ELEA", por ter vencido com glória, a 2ª edição, do reality " O Roteirista", realizado em 2015.

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