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23 maio, 2016

Resenhas do Abou: "Lucíola", de José de Alencar




Olá, galerinha do Entrelinhas e Afins. Hoje, vou comentar com vocês, sobre o livro ‘‘Lucíola’’, de José de Alencar, que muitos de vocês já devem ter lido para a escola ou até por conta própria. Se você faz parte do primeiro caso, não fique com vergonha, porque também estou nele. Li esse clássico de José de Alencar para uma prova, porém me encantei tanto com ele e com a escrita de Alencar que já estou lendo outros dele.
            O livro é do período literário Romantismo, da Segunda Geração, e é conhecido como romance urbano, assim como ‘‘Cinco Minutos’’, ‘‘A Viuvinha’’ e ‘‘Senhora’’, todos, de Alencar. O romance é narrado por Paulo, que conta à Senhora G.M. a respeito do seu envolvimento com a cortesã Lúcia. Em 1855, ele chega ao Rio de Janeiro e se apaixona por Lúcia à primeira vista, sem saber da sua vida, porém Sá, amigo em comum deles, a apresenta para Paulo, na Festa da Glória (procissão em louvor de Nossa Senhora da Glória), com a seguinte fala: ‘‘Não é uma senhora, Paulo! É uma mulher bonita. ’’



A partir desse momento, Paulo começa a visitar Lúcia em sua casa várias vezes, porém, em uma outra festa, na casa de Sá, com a presença de outros homens como Sr. Cunha, Rochinha e Sr. Couto, além de prostitutas, Lúcia exibe-se nua diante de todos. Com isso, Paulo se afasta dela, contudo, posteriormente, compreende a amada. Dessa forma, Lúcia entende que Paulo conseguirá tirá-la da vida como prostituta, e muda-se para o interior com sua irmã mais nova, Ana. Confiando em Paulo, Lúcia revela que iniciou sua vida de prostituta, porque sua família estava com febre amarela e não tinha dinheiro para pagar o tratamento. Então, Maria da Glória (seu nome verdadeiro) começou a receber dinheiro de Couto por relações sexuais que tinha com ele, quando ainda era adolescente.
Essa transformação de Lúcia é um dos meus pontos preferidos do livro. No início, uma mulher extremamente ‘‘cabeça erguida’’, que não dava o braço a torcer e era extremamente cética e depois, uma mulher que se apaixona, se entrega a esse amor e faz de tudo para largar a vida de cortesã.O final do livro confesso, que me surpreendeu. Não vou soltar esse spoiler aqui, mas só digo que foi uma cena muito emocionante. Só de imaginar todo o momento e as emoções da cena já fico arrepiado.
A justificativa para o livro se chamar ‘‘Lucíola’’, curiosidade de muitos leitores, é apresentada, na edição da Editora Ática, na página 13, na seção ‘‘Ao autor’’:‘‘(...) Eis o destino que lhes dou: quanto ao título, não me foi difícil achar. O nome da moça, cujo perfil o senhor desenhou com tanto esmero, lembrou-me o nome de um inseto. Lucíola é o lampiro noturno que brilha de uma luz tão viva no seio da treva e à beira dos charcos. Não será a imagem verdadeira da mulher que no abismo da perdição conserva a pureza d’alma? (...)’’




Assim como outros autores da Segunda Geração Romântica, e assim como em outros livros de Alencar, há o foco na figura feminina, descrevendo-a de maneira inigualável. José de Alencar mostra todo o preconceito sofrido pelas prostitutas. Sá serve para representar a sociedade da época, totalmente preconceituosa em relação a relações sérias entre cortesãs e homens, não apenas relações sexuais. Paulo não é aquele mocinho sem graça que é cego pela amada, ele fica em dúvida diversas vezes se realmente vale à pena lutar por esse amor. Já ela mostra-se instável em relação ao amor.



É impossível não rasgar elogios a José de Alencar. Eu o considero um dos maiores escritores brasileiros. Já li alguns de seus livros, me encantei e por isso li ‘‘Lucíola’’, com grandes expectativas e mais uma vez não me decepcionei. Pelo contrário, só fiquei ainda mais encantado pela narrativa de Alencar. A linguagem não é muito difícil, se comparada a livros como ‘‘Memórias Póstumas de Brás Cubas’’, de Machado de Assis, porém, para um leitor leigo, pode ser um pouco mais difícil.
Há algumas edições do livro, como a que eu li, da Ática, que apresentam algumas definições de palavras no final da página. Elas ajudam bastante! Nessa mesma edição, da Ática, o leitor ainda encontra várias informações sobre a vida, as obras de Alencar e também sobre o Romantismo.



Como costumo fazer, vou falar brevemente da capa da edição que li. De cara não identifiquei o que estava representado na capa, porém no final do livro encontrei mais informações, que irei resumir agora. Essa é uma obra de Mariana Palma, que constrói, com vários tecidos, um ambiente para remeter à figura feminina, tantas vezes ressaltada por José de Alencar. A mistura de tecidos tem uma analogia à Lúcia: com ela, havia uma mistura de sentimentos em relação a Paulo e em relação ao amor.
Para encerrar, destaco mais uma vez que adorei esse livro. É uma narrativa única e muito inovadora da época, já que os romances que falavam da figura feminina retratavam jovens burguesas. Recomendo esse livro para todos e acho que todos deveriam ler esse clássico da Literatura Nacional.

Por: Vitor Abou 




Vitor Abou é dono da Coluna Semanal " Resenhas do Abou", na qual todas às Segundas, o autor/ escritor posta um texto crítico, seja fílmico ou literário. Abou ganhou  o direito de postar,semanalmente, no "ELEA", por ter vencido com glória, a 2ª edição, do reality " O Roteirista", realizado em 2015.

 

 

3 comentários:

  1. Amei o post...sou apaixonada pelas obras de José de Alencar

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  2. Sou do time que leu essa obra e ‘‘Cinco Minutos’’ na escola, por obrigação, mas me encantei tanto que comprei e li ‘‘A Viuvinha’’ também! Inclusive estou ensaiando reler todos os três até o final desse ano. :)
    Bjs

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