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13 junho, 2016

Resenhas do Abou: Beasts of no nation (filme)



Olá, pessoal do Entrelinhas e Afins! Hoje é dia de resenha de filme e selecionei um filme que muitos de vocês não devem conhecer. Falarei sobre ‘‘Beasts of no nation’’, um filme exclusivo da Netflix, que foi lançado em Outubro, do ano passado Esse foi o primeiro longa-metragem original da Netflix e foi baseado no romance do autor descendente de nigerianos Uzodinma Iweala.



A história se passa em um país africano, cujo nome não é falado, e que está em plena guerra entre os diferentes povos e os governos. O protagonista é Agu (Abraham Attah), um menino que vivia feliz com seus pais, irmãos e avô. Uma infância feliz é o que mais caracterize Agu e os seus amigos. Brincando praticamente o dia todo, eles brincam nas ruas, tentam vender uma televisão somente com sua parte externa, isto é, sem a tela em si. Em meio aos conflitos, mulheres e crianças são retiradas da cidade, porém não há mais espaço para ele no carro que leva sua mãe e sua irmã, e ele é obrigado a ficar no campo de guerra, junto com os homens adultos. Com a invasão de milicianos, a guerra chega a sua cidade, e ele vê em sua frente à morte de seu pai, de seu avô e de seu irmão mais velho. Agu corre pela floresta, e é encontrado por um grupo um tanto peculiar, chefiado pelo Comandante (Idris Elba), um homem bem imponente, grosso e mandão, mas também carismático e preocupado com seus homens, como Agu, que é protegido pelo chefe. 

 Sempre pensando em sua mãe, Agu acompanha bem perto o trabalho do grupo e logo no início é obrigado a matar um homem. Destaco logo a emoção bem presente na cena e a sua ótima execução, já que não mostra explicitamente os meninos esfaqueando o inimigo. O longa mostra de perto toda a preparação do menino e dos outros rapazes para tudo o que espera por eles no conflito.
Ao longo do filme, Agu vai conquistando seu espaço no grupo, visto que, no início, era desprezado por muitos, e cria uma bela relação com o Comandante. Misturando os gêneros drama e guerra, o filme consegue retratar muito bem o que está acontecendo, deixando bem claro para seus espectadores que Agu, mesmo matando, bebendo e fumando, tem seu pensamento de criança, com suas narrações infantis, bobas. 


Esse ponto é algo a ser bem destacado no filme. O menino narrando em alguns trechos, ao fundo, só somou e construiu bem essa narrativa, sob o olhar de alguém que sofreu tanto com as perdas de seus familiares, mas que superou isso logo, como um adulto até, e foi forte para resistir aos conflitos.
Fiquei muito encantado pelo filme, logo que vi seu trailer. Sempre me interessei por algumas tramas de temática africana, principalmente relacionando-as com os costumes e tradições dos povos, porém ‘‘Beasts of no nation’’, me surpreendeu bastante. 


Nesse aspecto, o filme até me lembrou um pouco ‘‘A confissão da leoa’’, do moçambicano Mia Couto (resenha AQUI). Confesso que não esperava uma produção desse estilo, embora a Netflix tenha excelentes produções como as séries Orphan Black, Scream e House of cards.

Um elemento fundamental no filme foi a mistura entre a guerra e o drama. É muito importante mostrar que, durante as guerras, os guerrilheiros sentem falta de suas famílias, sofrem, comemoram, se divertem com mulheres e bebidas, e isso foi muito bem retratado no filme, sob vários aspectos.

Sobre a trilha sonora, acho que é um dos pontos fracos da obra. Não reparei muitos momentos com música, e elas poderiam até ajudar a melhorar o tom dramático. Em relação aos cenários, não tenha nenhuma crítica negativa a fazer, pois eles retratam com bastante verossimilhança os ambientes africanos. O mesmo vale para os figurinos. Quero ponderar aqui um elogio às roupas dos guerrilheiros. A mistura de cores no uniforme, assim como a técnica de ‘‘camuflagem’’ (colocar galhos e folhas na roupa), ficou bem parecida com o que realmente ocorre.



 No elenco, destaco o trabalho do estreante Abraham Attah (Agu), Idris Elba (Comandante) e Kurt Egyiawan (Tenente). Todos eles conseguiram passar as emoções de seus personagens, além das cenas de aventura, bem executadas. Porém, a direção também foi sensacional. Cary Fukanaga consegue combinar a excelente história ao total domínio da câmera, com ótimo uso de planos, closes, iluminação, além da fotografia, que também tem sua direção.
Para todos que desejam assistir a um bom filme, apesar de grande (aproximadamente 2 horas e 10 minutos), recomendo ‘‘Beasts of no nation’’. É, acima de tudo, uma história emocionante, tocante e HUMANA.
 


      Vitor Abou é dono da Coluna Semanal " Resenhas do Abou", na qual todas às Segundas, o autor/ escritor posta um texto crítico, seja fílmico ou literário. Abou ganhou  o direito de postar, semanalmente, no "ELEA", por ter vencido com glória, a 2ª edição, do reality " O Roteirista", realizado em 2015.
 

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