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21 julho, 2016

Resenhas do Abou: A incrível história de Adaline (filme)

Olá, galerinha do “Entrelinhas e Afins”. Tudo bom com vocês? Comigo está tudo ótimo, em mais um dia de resenha, e hoje, de filme. O filme a ser resenhado é do ano passado, 2015, e assisti no último fim de semana, no aplicativo, mais querido de todos, Netflix. ‘‘A incrível história de Adaline’’ é o filme de hoje e consegue impressionar pelo seu tom poético e extremamente delicado.


O filme se inicia com um tom misterioso, sem dar muitos detalhes sobre Adaline (Blake Lively), mas em poucos minutos, já é possível conhecer a história dela. Na trama, Adaline sofre um acidente de carro e, devido a fatores científicos e biológicos explicados na trama, ela nunca mais envelhece fisicamente, ou seja, os anos vão passando e ela continua com a mesma aparência de 29 anos de idade. A princípio, nunca envelhecer pode ser uma imensa vantagem, mas não é assim que Adaline enxerga. Com o passar dos anos, ela vai vendo entes e amigos queridos morrerem, além das diversas perguntas sobre sua idade, como quando ela é vista ao lado da filha e quando ela é parada por um policial, que obviamente não acredita em sua verdadeira idade.



Por esses motivos, Adaline Bowman decide se isolar das pessoas por várias décadas, com o objetivo de evitar o ‘‘vazamento’’ de seu segredo. Porém, um dia ela conhece um jovem rapaz, Ellis Jones (Michiel Huisman), e decide que é o momento certo de acabar com essa maldição que recebeu. Assim, Adaline, uma mulher segura, tem a missão de tentar consertar o que aconteceu com ela no passado, mesmo que não tenha ocorrido por sua vontade.
O realismo fantástico presente no roteiro do longa, embora pareça muito absurdo e desconexo com a trama, ajuda bastante a explicar o drama da protagonista. Realmente, não é tão fácil buscar uma ideia de explicar como uma pessoa parou de envelhecer, por isso, considero a inclusão da fantasia muito positiva, visto que também não aconteceram exageros em relação a tal. Até é feita uma brincadeira dentro do filme com a falta de realidade da explicação sobre a idade de Adaline. É dito, pelo narrador, que essa teoria ‘‘será descoberta em 2035’’.


Outro recurso utilizado no filme que também geralmente é alvo de críticas é a presença de um narrador. Há quem diga que o narrador só está presente quando as tramas não conseguem se sustentar. Discordo plenamente dessa frase e ‘‘A incrível história de Adaline’’ está aqui para nos provar, pois é uma história forte e com um narrador que tem muito a acrescentar, com sarcasmos e explicações científicas também, como o evento que deixou Adaline jovem para sempre.
Um dos aspectos que começa a impressionar o espectador desde o primeiro minuto de filme é a beleza da fotografia e dos cenários. Ambientes claros, sofisticados e elegantes sem ser necessária muita coisa extra. Sem muitos exageros e com uma imagem, digamos que ‘‘limpa’’, há poucos efeitos especiais, exceto o do acidente de Adaline, apesar desse recurso ser bastante explorado em filmes com realismo fantástico.


Minutos de filme vão se passando e chega o momento em que Ellis e Adaline se conhecem. A lindíssima moça apaixona-se à primeira vista por Ellis, um filantropo que vive doando seu dinheiro. Essa paixão à primeira vista também levou algumas pessoas a compararem a trama com as de Nicholas Sparks, nas quais são comuns paixões repentinas. Um fato curioso é que, mesmo utilizando esse clichê, o filme apresenta os encontros do casal em um túnel sujo. Em um momento do longa, Ellis oferece flores à amada e entrega livros com nomes de flores, não flores em si.
Comentar sobre os cenários do filme é uma tarefa bem simples, visto que não há como colocar defeito. Tanto nos ambientes claros, como nos escuros a perfeição é praticamente atingida, com uma fotografia impressionante, priorizando, junto do roteiro, mostrar as emoções e sentidos dos personagens centrais. Os figurinos também estão totalmente conectados aos personagens e a realidade deles. Visto que a maioria é composta de ricos e brancos, roupas mais elegantes são bastante frequentes ao longo da história. A direção de Lee Toland Krieger é muito positiva, ao combinar todos os elementos certos de sucesso em filmes de romance, apesar de explorar certos clichês mais que ultrapassados.


Agora vem a hora do elenco! Blake Lively, como Adaline, impressiona quem, assim como eu, não conhecia bem o trabalho da atriz. Como uma mulher tranquila que já viveu décadas, Blake compõe uma personagem misteriosa, ao olhar dos demais, e, ao mesmo tempo, confiante, certa de que não tem nada a perder.
Com uma história forte como essa, outras atrizes poderiam viver uma personagem mais irritada com sua situação, amargurada, mas Blake escolhe por mostrar uma mulher determinada, confiante, mas, com tudo que lhe ocorre, fugitiva de si mesma. Harrison Ford consegue ir bem com William Jones, um senhor apaixonado que reencontra o amor de sua juventude. Ellen Burstyn, a já idosa Flemming, também consegue seu destaque como a filha de Adaline, mostrando que, a idade e aparência física não mudaram muito a relação entre mãe e filha.


Da mesma forma, não posso deixar de citar Michiel Huisman, que não tem uma atuação de destaque, prejudicado por um personagem extremamente bobo. Não há, no filme, muitas informações sobre Ellis, papel de Michiel. Embora seja um dos protagonistas, a abordagem sobre a vida dele é muito superficial.


O final do filme, mesmo que simples, consegue resumir bem a trama, fechando-a de maneira brilhante, sem deixar furos e incoerências, com uma das últimas cenas, a de Adaline no espelho, que consegue tirar um sorriso do espectador que torcia pelo envelhecimento da personagem.

Por fim, ‘‘A incrível história de Adaline’’ consegue emocionar seus espectadores com uma trama simples e, acima de tudo, de tom HUMANO, discreto. Muitos dizem que a trama é previsível, algo que não discordo, mas é um romance que tem um resultado extremamente delicado e positivo.


    Vitor Abou é dono da Coluna Semanal " Resenhas do Abou", na qual toda semana o autor/ escritor posta um texto crítico, seja fílmico ou literário. Abou ganhou  o direito de postar,semanalmente, no "ELEA", por ter vencido com glória, a 2ª edição, do reality " O Roteirista", realizado em 2015.

2 comentários:

  1. Esse filme realmente é maravilhoso.
    Apesar de ser discreto, como você disse, ele tem vários ensinamentos em um tom singelo.
    Adorei a resenha e o blog, já seguindo :)
    Beijos.
    http://www.fabulonica.com/

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  2. É bom filme, não posso negar. Juventude, (não tão) divino tesouro, você não acha? The Age of Adaline é um filme com um bom acabamento técnico e com grande atenção sendo uma fita elegante. O filme convence o espectador desde o início. Irradia um certo magnetismo para essa aparência muito refinada, a narração (voice-over) que vamos introdução na história e vamos desvendar esses dados científicos necessários. Tudo isso forma um produto para consumo fácil, sem pretensões, mas é divertido e saboroso para ver. Teremos que prestar atenção para ver se a atriz Blake Lively tem mais chance de mostrar algo mais do que um sorriso.

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