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13 julho, 2016

Resenhas do Abou: Minha última duquesa, de Daisy Goodwin


Olá, pessoal do Entrelinhas e Afins! O livro da resenha de hoje eu li, há alguns anos atrás, e me surpreendi, já que não conhecia o trabalho da autora, nem tinha lido livros nesse estilo. ‘Minha Última Duquesa’’ é um romance histórico, passado no século XIX, na época de algumas famílias muito poderosas. O romance, da Editora Fundamento, se desenrola em quase 380 páginas, que passam bem rapidamente.


                                                            ( foto: Gisely Fernandes )   
                        
O livro conta sobre a família Cash, uma das mais ricas dos Estados Unidos do final do século XIX. Porém, essa riqueza não era hereditária, visto que eles eram de origem humilde e tal riqueza foi conquistada pelo trabalho. O romance fala mais especificamente de Cora, a única filha dos Cash. Pela sua beleza, ela encanta vários jovens solteiros, o que desperta o interesse de seus pais, principalmente se esses rapazes forem ricos, pois, assim, a família seria aceita de vez na sociedade. Pressionada por sua mãe, Cora quer se casar rapidamente e com Teddy Van Der Leyden, menos rico do que ela, porém de berço de ouro, algo que não agrada os pais de Teddy, já que Cora não é ‘‘rica de família’’.
Desta forma, Cora vai morar em Londres, onde poderia encontrar um nobre que agradasse sua mãe. Cora então se envolve com o misterioso Duque de Wareham, dono de várias terras da região, entretanto, muito cavalheiro e educado com ela, como no trecho abaixo, da página 89:

‘ Srta. Cash, aceito o desafio. Cavalgarei com você e prometo não empacar o seu ritmo, por mais temerário que for. Se quebrarmos os nossos pescoços, pelo menos quebraremos juntos!’’

Inesperadamente, Cora também aceita o pedido de casamento dele, e já começa a brotar um amor verdadeiro, porém todo o preconceito da sociedade da época começa a incomodar Cora, sentindo-se isolada, além de alguns momentos em que Ivo não a trata tão bem. As influências da mãe de Ivo, a Lady Fanny, a Dupla Duquesa, que aparece pela primeira vez no capítulo 9 (página 96), também acabam trazendo dores de cabeça para a jovem senhorita Cash. Uma personagem que ajuda bastante Cora é Bertha, sua criada, que contribui com fofocas e brincadeiras.



Ao longo do livro inteiro, Cora mostra-se uma mocinha muito mimada, principalmente, por causa das influências e pressões de seus pais. Mesmo retratando uma sociedade tão antiga, o romance encaixa-se bem nos dias atuais, pois muitas pessoas se casam por interesse e/ou por status social.Um ponto que gostaria de destacar nesse momento sobre ‘‘Minha última duquesa’’ é a riqueza de detalhes e descrições, algo que, pessoalmente, gosto bastante e que colabora para um melhor entendimento do que está sendo apresentado pela autora Daisy Goodwin. Selecionei um fragmento que mostra bem sobre esses detalhes, da página 96:

‘‘O rígido colarinho do chefe da estação enterrava-se em sua nuca. Era novo e estava cheio de goma, por isso o homem só conseguia mexer a cabeça virando o corpo inteiro. Tentou pôr o dedo entre o pano duro e sua pele, mas a pressão só fez o colarinho ficar ainda mais parecido com um garrote. ’’

Tais detalhes ajudam também ao leitor a imaginar e compreender melhor os costumes londrinos e, no início do livro, estadunidenses do século XIX. Gosto de comentar sobre cenários e roupas, e dessa vez é bastante válido e possível, devido às várias descrições sobre tais elementos. Os cenários são incríveis. Todo o clima do Hemisfério Norte e suas características encantam, assim como as roupas dos personagens. Todo o glamour e poder era também demonstrado por meio das vestimentas, e o livro retrata isso muito bem.
O final do livro, particularmente, achei bom. Ele foi bem construído e não teria muito como fugir do que foi apresentado ali por Daisy Goodwin. Infelizmente, esse romance tem alguns erros que não posso deixar passar. Percebi alguns erros de ortografia e revisão durante a leitura, algo que atrapalha bastante e deve ser muitíssimo evitado em editoras maiores, como é o caso da Fundamento.



Outra situação que percebi foi que o livro não abordou com um bom foco as relações amorosas, principalmente, a do casal protagonista. Parecia mais um livro de história, criticando a sociedade americana e inglesa. Nesse aspecto, acho que a autora errou feio, tornando a leitura maçante, cansativa, e com alguns trechos que pareciam muito mais uma forma de ‘‘encher linguiça’’, como dizemos na linguagem popular. Apesar de ter esses erros, a narrativa tem uma boa construção.

O que mais me espantou no livro foi que ele tinha todos os elementos para ser um grande sucesso de amor, como ‘‘A culpa é das estrelas’’ e os livros de Nicholas Sparks, como ‘‘A última música’’. Todavia, a forma como a história foi conduzida não agradou uma boa parte dos leitores e leitoras, que consideraram a trama como cansativa e prolixa. Por fim, concluo que o livro, seguindo a vertente ficção histórica, sem muito romance, vai muito bem, porém, por ter sido promovido como de romance, decepcionou muitos. Logo, recomendo para quem se interessa por tramas históricas com um POUCO de romance, apenas. 

Vitor Abou é dono da Coluna Semanal " Resenhas do Abou", na qual todas às Segundas, o autor/ escritor posta um texto crítico, seja fílmico ou literário. Abou ganhou  o direito de postar,semanalmente, no "ELEA", por ter vencido com glória, a 2ª edição, do reality " O Roteirista", realizado em 2015.

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