Menu Fixo

Menu-cat

25 julho, 2016

Resenhas do Abou: Os meninos da rua Paulo, de Ferenc Molnár

Olá, queridos leitores do ELEA. Como vão vocês? Hoje é o dia da penúltima resenha desse quadro tão querido por vocês, leitores, por mim e também pela Equipe ELEA, que me recebeu tão bem com esse desafio. Seguindo a ordem, hoje é dia de falar de livro e o escolhido de hoje é um clássico do húngaro Ferenc Molnár, ‘‘Os meninos da rua Paulo’’.
‘‘Os meninos da rua Paulo’’ é um livro do escritor húngaro Ferenc Molnár e a edição que eu li foi da Editora Cosac Naify, com 262 páginas, e traduzido por Paulo Rónai. Li esse livro há uns três anos e decidi reler para fazer essa resenha, pois é um livro que nos faz pensar bastante e nos leva ao mundo da infância, da inocência e das brincadeiras. Não conhecia o trabalho do autor e li o livro pela primeira vez na escola, porém ele me encantou de uma forma absurda. A trama é um sucesso na Hungria e existe até uma estátua em Budapeste, com uma das cenas do livro.


A história se passa em Budapeste, na Hungria, na década de 1880, e fala, basicamente, de dois grupos rivais de crianças: os meninos da rua Paulo, que brincam nessa rua, e os meninos do Jardim Botânico, os camisas vermelhas, que não possuem um lugar para brincar. Os da Rua Paulo são crianças muito ativas, brincam de bolinha de gude, de ‘‘pela’’, porém têm seu espaço ameaçado pelos do Jardim Botânico, que declaram ‘‘guerra’’ aos outros pela conquista do terreno, chamado de grund. Em ambos os grupos, um fator que impressiona é a organização. Há uma hierarquia entre eles, como se fosse um exército real.
No grupo da Rua Paulo, entre os principais personagens estão João Boka, o general, um menino mais velho, mas muito compreensivo e cuidadoso com os demais; Geréb, um menino bom, que chega a trair o grupo, mas se arrepende; e Nemecsek, o mais fraco e menor, que obedece a todos os outros. Esses meninos fundam também a Sociedade do Betume. A maioria dos personagens é formada por crianças, com pouquíssimos adultos, deixando a trama com um tom ainda mais belo, leve e poético.
O enredo desenrola-se principalmente após a declaração de guerra entre os camisas vermelhas e os meninos da rua Paulo. Eles criam estratégias e levam bastante a sério essa guerra. São disciplinados e têm a honra de um exército de verdade. Esses meninos constroem um mundo paralelo, com suas vontades, sonhos, lutas, e missões.
Embora pareça um livro infantil, ‘‘Os meninos da rua Paulo’’ é uma trama complexa, não uma simples disputa entre meninos. O livro é para todas as idades, desde jovens até adultos e idosos, que têm a possibilidade de retornar ao passado e relembrar da infância e da juventude, tempos que não voltarão, mas as memórias permanecerão. Um aspecto que é muito especial no livro é como ele detalha tudo muito bem. Ferenc Molnár tem uma narrativa que deixa o leitor muito próximo dos personagens e da trama, como se nós estivéssemos dentro da história. Isso se deve à riqueza dos detalhes e ao enredo forte, atraente ao leitor.
Apesar de ter sido escrito há alguns anos, o romance tem uma linguagem simples, sem muitas palavras antigas, com uma boa tradução, que também mantém algumas palavras como pela (o jogo dos meninos, semelhante ao jogo de tênis) e grund (o terreno), o que também deixa a história realista e bem viva.
O livro retrata os valores individuais de cada um dos meninos, fazendo analogias incríveis com o mundo adulto, o que nos emociona de uma forma difícil de expressar. O tom minucioso e sutil com o qual o autor descreve cada frase, em cada capítulo, torna a trama ainda mais suave, daquelas que você tem vontade de ficar só admirando.


Não posso deixar de comentar sobre a edição que li. Achei muito boa a tradução do Paulo Rónai, porém o prefácio, feito pelo tradutor, é uma decepção para quem o lê na ordem na qual se encontra. Ele dá muitos spoilers do livro, antes mesmo de lermos a história, o que desanima bastante o leitor. Esse prefácio poderia ser retirado ou colocado como um item extra após o posfácio. A capa dessa edição é muito bonita, uma pintura que expressa bem a trama, mostrando as crianças felizes, brincando.
O livro descreve cenários simples, até pobres, mas que com a criatividade daquelas crianças eram verdadeiros campos de guerra e de brincadeiras para sempre, sem tempo, sem nada. Uma mensagem muito bela do livro é mostrar que existem no mundo muitas crianças que lutam por um espaço de liberdade, sem medos, em um mundo só delas, paralelo. Isso faz parte de todos nós. Nós lutamos, constantemente, pela nossa liberdade, por sermos livres de nós mesmos. O livro em si me fez lembrar de um filme muito conhecido de quem acompanha a Sessão da Tarde: ‘‘O pequeno Nicolau’”, no qual crianças também se reúnem em um grupo paralelo.
O final do livro é um dos momentos mais emocionantes. Um desfecho triste, mas que ainda assim levanta todos os valores mostrados no livro, principalmente, a lealdade e o carinho.
Muito mais do que um livro sobre crianças, ‘‘Os meninos da rua Paulo’’ é uma lição de vida, que nos ensina valores como paixão pelo que faz, companheirismo, perdão, honra, gratidão, RESPEITO, caráter, devoção, coragem, LEALDADE e AMIZADE. Conseguimos nos identificar com as crianças, com as brincadeiras delas e do jeito simples, humilde e ingênuo, de algumas delas, de ser e de viver.

Por fim, gostaria de ressaltar que ‘‘Os meninos da rua Paulo’’ é um livro EXCELENTE, daqueles que todos deveriam ler. Todos mesmo, desde crianças até adultos. Essa história fala sobre meninos que tinham que ser meninos, embora brincassem de serem homens, sérios, soldados, generais, e capitães. Enfim, recomendo de coração que todos leiam e se emocionem com esse livro que é um dos melhores que já li.

  Vitor Abou é dono da Coluna Semanal " Resenhas do Abou", na qual toda semana o autor/ escritor posta um texto crítico, seja fílmico ou literário. Abou ganhou  o direito de postar,semanalmente, no "ELEA", por ter vencido com glória, a 2ª edição, do reality " O Roteirista", realizado em 2015.

Nenhum comentário:

Postar um comentário