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13 outubro, 2016

A raiz cultural literária entre Brasil x África

               A literatura africana, atualmente, apresenta grandes nomes de destaque no contexto literário, com traduções em diversos idiomas e reconhecimento mundial. Apesar de ser um continente financeiramente pobre, tem uma riqueza de grandes autores como os escritores angolanos José Eduardo Agualusa e José Luandino Vieira e também o renomado escritor Mia Couto, que se destaca na contemporaneidade.


            Observando por um viés histórico, sabe-se que o continente africano sofreu com os diversos problemas políticos/ sociais, um deles a opressão dos colonizadores. No movimento intitulado “ a negritude”, os escritores das colônias vítimas de opressão colonialista uniram-se para valorizar a cultura negra ( africana) e reivindicar seus direitos humanos perante a cultura francesa, desse modo impulsionando o movimento de independência da África.

            
        Com isso, escritores brasileiros como Manuel Bandeira, Jorge de Lima, Jorge Amado, Graciliano Ramos, José Lins do Rego e outros, aproximaram-se dos africanos por afinidades política ideológicas. O intercâmbio cultural entre Brasil x África é ressaltado, assim como os aspectos religiosos, políticos, linguísticos e também a literatura brasileira, ou seja, o Brasil serviu como modelo para a formação da identidade nacional dos africanos.


            Vale lembrar que a revista Claridade (1936/1960), fundada por Barbosa, Baltasar Lopes e Manuel Lopes, reinvidica um estatuto literário primitivo ao longo de estilos literários como o neo-realismo, a influência de escritores brasileiros até os escritores como Corsino Fortes.
            A maioria das obras criticavam as atitudes repressivas ou simplesmente narravam as vivências das colônias procurando fazer um resgate das antigas tradições, assim como Mia Couto retrata no conto “O embondeiro que sonhava pássaros”, da obra “ Cada homem é uma raça”, na qual um homem é maltratado pelos colonos de sua aldeia, pelo fato de ser pobre e negro.


            Observando o poema “Antievasão”, do poeta cabo-verdiano “Ovídio Martins”, em versos agressivos que criticam a ideologia da emigração, como percebe-se versos “Pedirei/ Suplicarei/ Chorarei/ Não vou para Pasárgada”, pois o eu lírico pretende ficar a todo custo, além de parafrasear o poema clássico “Vou me Embora pra Pasárgada”, do modernista brasileiro, Manuel Bandeira.

            Além disso, com uma poesia de apelo social e de visão crítica da realidade, Ovídio Martins auxiliou o povo cabo-verdiano na busca identitária e progressão da população africana. Salienta-se que ele foi o fundamental representante das letras do arquipélago e na luta pela libertação de Cabo verde do jugo colonial.  

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