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26 maio, 2017

Adeus a Roberto Braga, filho de Rubem

              É gente, não só de notícia alegre, vive o Entrelinhas e Afins. Apesar da notícia ser da semana passada, sempre é válido saudar os autores do cenário literário e também seus entes queridos. Todo mundo sabe, que nós, somos de Cachoeiro de Itapemirim, aqui do Espírito Santo, cidade do mestre das crônicas, Rubem Braga.

            Na sexta passada, dia 19 de maio, Roberto Seljan Braga, de 79 anos, filho de ninguém menos que Rubem Braga, com a querida Zora Seljan Braga faleceu de infarto. Roberto era filho único de Braga, esposa de Maria do Carmos, e pai de quatro filhos. Assim como o pai, Roberto atuou como jornalista, escritor e poeta – dizem que era um amante da literatura. Apesar de caçar pelo mundo do Google, achei poucas coisas acerca do único filho de Rubem Braga, que só acentuou o desejo de pesquisar mais sobre ele.

Rubem Braga, ao lado da esposa Zora e o filho Roberto, junto a Vinicius de Moraes 
e a esposa, Tati de Moraes ( VEJA MAIS AQUI

            Embora tenha nascido em São Paulo, Roberto vivia no Rio de Janeiro, no famoso e mítico,  apartamento de Rubem. Pesquisando sobre a vida de Roberto e suas memórias, com o ilustre Rubem Braga encontramos uma informação muito ímpar ( quase inédita para nós), que somos pesquisadores dos Braga.

            Lá em 1969, Rubem Braga foi operado de um nódulo no pulmão. O cronista sobreviveu a essa cirurgia por 21 anos, quando, no começo de 1990 foi diagnosticado com câncer na laringe, motivo de seu falecimento.  Antes de morrer, Rubem orientou seu filho Roberto, por meio de um bilhete que dizia:

      Meu filho,

Após a cremação de meu corpo, providencie que as cinzas sejam transportadas em urna de metal, e não de madeira, e lançadas ao rio Itapemirim. De maneira discreta, sem cortejo e sem quaisquer cerimônias, por pouquíssimas pessoas da família, e de preferência no local que só a sua tia Gracinha, minha irmã Anna Graça, tem conhecimento. De preferência a ilha da Luz, ou a correnteza da ponte de Ferro ou a correnteza da antiga ponte Municipal. Nem o dia deve ser divulgado, tudo isso para evitar ferir suscetibilidades de pessoas religiosas, amigos e os parentes. Agradeça a quem pretenda qualquer disposição em contrário, por mais honrosa que seja, mas não ceda aos símbolos da morte, que assustam as crianças e entristecem os adultos. Viva a vida.

Adeus.

Rubem Braga

O bilhete foi transcrito fielmente daqui, tá?!

            Esse bilhete é tão geograficamente íntimo da gente, sim, nós, cachoeirenses, que temos ilha da luz e ponte de ferro com parte integrantes do nosso cotidiano. Tudo bem que o foco aqui é rememorar sobre as lembranças de Roberto, mas por outro lado não tem como realçar as grandezas poéticas e humanas que Rubem realizou, durante seu fazer como escritor.


Roberto Braga, filho único de Rubem Braga

            Falar de Rubem Braga sem sentir um saudosismo é inevitável, visto que a maioria de sua crônicas, tendo em destaque “Os trovões de antigamente” e “ Em Cachoeiro” retratavam uma nostalgia acerca de sua infância e cidade natal. Pouco sabemos sobre Roberto, mas enquanto pesquisava para fechar essa matéria, sem querer encontrei na rede, o Daniel Braga, um dos netos de Rubem Braga, que se junta a Julia e também Diana e Rubem, do primeiro casamento de Roberto.


Rubem Braga em frente a Casa dos Braga em Cachoeiro

            Num dos posts na timeline de Roberto um de seus amigos citou um trecho, de possivelmente, uma crônica na qual Rubem teria escrito para o filho, Roberto, fica aqui nossa singela homenagem e saudação aos braguianos:

            "Tenho um filho. É ainda um menino — tem muitos caminhos a andar no mundo. Não pretendo que ande por estradas de rosas, como um pequeno vagabundo no reino da Felicidade. Mas pretendo que ele nunca precise andar pelos caminhos que o pracinha brasileiro e outros milhões de pracinhas do mundo estão trilhando hoje: os caminhos onde a todo instante um passo distraído pode ser uma explosão estúpida, e a morte. A terra não foi feita para plantar minas — foi feita para plantar batatas, estacas, trigo, café e mesmo — não creio que seja proibido, já que a terra é tão grande! — flores."


Rubem Braga, Itália, 1945

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