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30 junho, 2017

CONTOS DESCOLORIDOS: Um inseto na teia – Parte 2 , por Ailson Lovato

    
CONTINUA ....

        A gente cresce com medo da polícia. Boa parte da infância somos amedrontados quando uma das viaturas passa com a sirene ligada e as luzes ofuscando nossos olhos. Mas agora eu sou um homem. Um homem, aliás, um policial, estava ali, me pressionando contra a parede e me beijando. Eu estava sendo abusado e precisava fazer alguma coisa.



               Sim, eu sou homossexual assumido, mas a atitude dele era invasiva. Interrompendo o beijo, o empurrei contra a parede usando a força do meu corpo e comecei a gritar por socorro. Ele tapava a minha boca e dizia para eu ficar quieto. Eu estava com medo, ele era muito mais forte que eu. Rapidamente chegaram alguns seguranças:

- O que está acontecendo aqui? – um deles perguntou.

- Eu sou policial – disse, mostrando a identificação – estou há um tempo investigando esse rapaz por tráfico, mas agora que eu o peguei a gente vai ter uma conversinha.

- Ele está mentindo. Eu estava sendo abusado. Ele me prendeu e começou a me agarrar. Eu sou estudante, olha na minha mochila.

- A gente vai olhar sim, na delegacia – Oliver disse me tirando do banheiro enquanto eu gritava e esperneava.

- Eu não tenho outra opção – ele disse aos seguranças. Segundos depois ele me deu um soco e eu apaguei.

               Você que está lendo essa carta deve estar achando isso uma história de ficção. Oliver parecia um cara legal. Quando acordei, lembrei da tarde no bar, da conversa que tivemos e do suco que tomamos. Ao olhar pro lado, percebi que estava no banco de trás da viatura, em uma rua deserta e pouco iluminada. Já era noite. Meu corpo estava cansado e doendo um pouco. Oliver estava ali, sentado no banco da frente e ao lado um outro policial.



- Acordou, princesa? – ele disse.

- O que você quer de mim? Por que está fazendo isso? Eu vou denunciar você – respondi.

- Me denunciar? Pra quem? Pra polícia? – ele disse rindo.

- A gente já teve de você o que queria – o amigo completou, me mostrando um celular com fotos e vídeos. Eles abusaram de mim. Ainda mais. Eu sentia raiva de Oliver. Eu queria esquecer aquele homem simpático que me ofereceu carona e me pagou um suco durante uma conversa.

- Você é um viado enrustido – eu gritei – você me prendeu no shopping e me beijou. Podia ter sido mais fácil se você me chamasse pra sair. O seu amigo sabe disso, que você, por baixo dessa farda e da pose de machão, é uma bicha enrustida?

- Nós somos aranhas e você caiu na nossa teia. Quem vai acreditar em você? – disse o outro policial. Afinal, você não vai querer que as suas fotos ou esses vídeos vazem por aí, não é mesmo?

- A gente ta de boa – respondeu Oliver – nosso rosto não apareceu. E sim, meu amigo aqui sabe que eu curto outros homens. Foi você, Rodrigo, que complicou tudo quando começou a gritar no shopping. Eu já vinha observando você durante os últimos dias. Você me parecia um cara legal e eu queria te conhecer e me aproximar de você. Mas você agora sabe o meu segredo. Será que a gente deixa você ir?

-Eu estou com muita raiva de você – respondi – mas eu não vou contar nada a ninguém, eu não tenho provas.

Eu queria sair dali, correr e esquecer tudo aquilo. Eu só queria ir pra casa e tomar um banho. Eu queria dormir e acordar desse pesadelo.

-Você vai levantar, ficar de costas, debruçado, eu vou abrir as algemas e você vai sair andando calmamente. Eu sei onde você mora, eu posso ir atrás de você – disse Oliver.

-É sério? – perguntou o outro policial – eu queria brincar um pouco mais com ele.

-A gente arranja outro amanhã – disse Oliver.

Ele saiu do carro, abriu a porta, me empurrou e soltou as algemas.

-Vai, quietinho... – sussurrou no meu ouvido.

               Rodrigo andou poucos metros e depois mais à frente corria e gritava. O tiro em suas costas foi certeiro. Eu não tive escolha. Ele caiu no chão, imóvel. Eu sou um assassino, confesso. Rodrigo era escandaloso demais. Eu, apesar de gay, sou discreto. Se quer ser assim, que aja como homem, que seja como homem, que não dê pinta por aí. Talvez não exista esse lance de shopping, conversa no barzinho, nada disso. Essa foi a forma que encontrei pra dar motivo ao fim dele.



               Aliás, meu nome não é Oliver. Eu inventei esse nome para que você pudesse entender como tudo aconteceu. Talvez eu seja o policial que irá atender a ocorrência, quando você encontrar essa carta ao lado do corpo do Rodrigo. Isso você não vai saber. Eu posso estar te observando agora de dentro da minha viatura. Se eu fosse você, pediria ajuda, lia e jogava fora essa carta em que assumo minha culpa. Não vai querer ser a próxima a cair na minha teia. E caso um dia você precise, eu te dou uma carona, na volta pra casa. 

29 junho, 2017

Fabio Reis lança “Beije-me em Barcelona"

            
Gente, o escritor Fabio Reis vai lançar seu primeiro livro "Beije-me em Barcelona". A obra conta a história de amor entre ele e a esposa, que se reencontram em Portugal e vivem diversas situações românticas e inusitadas. A obra  será lançada no dia 14 de julho na Kaffa Cafeteria.


            Depois de viver por 2 anos em Portugal e finalizar o Doutorado em História, Fabio Reis, filho do escritor e jornalista Jonas Reis, decidiu registrar toda a sua trajetória na Europa no livro “Beije-me em Barcelona”. O livro será lançado no dia 14 de julho, às 19h, na Kaffa Cafeteria.

            Por meio do personagem Isaque, Fabio conta os seus encantos e dificuldades no Velho Mundo. A história começa com um réveillon em Barcelona, no qual ele reencontra Luiza, seu grande amor da adolescência que ele quer reconquistar. Fabio consegue prender a atenção do leitor, que fica torcendo pelo casal até o final do livro.

            “Desde que nos reencontramos, ouvimos as pessoas dizerem que a nossa história é digna de um livro. Ficamos seis anos separados e depois nos reencontramos na Europa e tudo aconteceu de forma muito romântica e inusitada. Nossa história é uma história não só de amor, mas de crescimento, de perdão”, explica Fabio.



            O interessante em “Beije-me em Barcelona” é a riqueza de detalhes com que Fabio conta todas as suas experiências. Para aqueles que não conhecem a Europa vão poder viajar junto com o escritor que fala sobre diversos pontos turísticos e sobre a vida universitária em Portugal.

O escritor

      Fabio Paiva Reis é historiador, doutor pela Universidade do Minho, em Portugal. Natural de Vitória, Espírito Santo, voltou para o Brasil em meados de 2013, quando começou a se dedicar a projetos pessoais. Escreveu “Beije-me em Barcelona”, seu primeiro romance, e foi premiado em um Edital do Funcultura 2016, da Secult-ES. Fotógrafo amador e nerd assumido, Fabio é casado com Thais, com quem tem duas lindas gatas, Jade e Mimi.






Serviço
Lançamento do livro “Beije-me em Barcelona”
Data: sexta-feira (14/07)
Horário: 19h
Local: Kaffa Cafeteria. Rua Darcy Grijó, Jardim da Penha - Vitória
O livro será vendido por R$ 20,00

28 junho, 2017

CONTOS DESCOLORIDOS: Um inseto na teia – Parte 1, por Ailson Lovato

Parte 1 

São Paulo, 27 de junho de 2017

            O.J.S era um desses policiais que a gente está acostumado a ver. Um metro e oitenta, bruto. Desses banhados à testosterona. Não tenho certeza quanto ao seu estado civil, casado ou solteiro. Não tivemos tempo de discutir isso. E, acredito eu, não teremos. Escrevo esse relato para contar o que aconteceu e o que, posteriormente, será feito. Era sexta-feira à noite, já passava das 22h. Eu e meus amigos conversávamos numa mesinha de bar quando eu o vi pela primeira vez.         Há 18 dias.


            Ele e outro policial passaram na viatura fazendo a ronda noturna. Houve uma troca de olhares como a de uma caça fitando a presa. Meus amigos e eu tomamos algumas cervejas, comemos alguns petiscos e às 23h30min deixamos o bar e íamos embora. Eu morava há 20 minutos dali, caminhando. Sozinho, segui para casa. Alguns minutos depois, percebi que um farol de carro me seguia. Relutante e com medo olhei para trás. Tal qual foi meu alívio ao perceber que era ele, sozinho na viatura.

-Tudo bem, senhor? – ele perguntou parando o carro próximo à calçada.
Sua voz era firme e impunha respeito.

-Está sim, estou indo para casa – respondi.

-Entra aí, eu te levo – ele disse abrindo a porta do carona.

Eu nunca na vida pensei – e desejei – entrar em uma viatura policial.

-Não precisa, é logo ali na frente.

-Não é não, falta um bom caminho ainda. Vamos!

-Mas é que o senhor...

-Eu já estou finalizando a ronda, para entregar o plantão ao próximo.



            Sem saber como argumentar, entrei. Percebi um cheiro de cerveja ali dentro e confirmei ao pisar em algumas latinhas ao pé do banco.

-Final de expediente, sabe como é né...

Seguimos em silêncio durante o percurso quando ele, surpreendentemente, parou em frente à minha casa.

-Chegamos, Rodrigo. Boa noite.

-Como o senhor sabe o meu nome e onde moro?

-Escutei seus amigos te chamando no bar.

-E como sabe que eu...

-Preciso ir – ele me interrompeu com uma voz grave como quem ordena algo.

            Agradeci pela carona, saí do carro e enquanto trancava o portão notei que ele me observava pelo retrovisor. Eu era um inseto na teia de aranhas.

            No dia seguinte, levantei cedo como de costume e tomei meu café antes de fazer umas tarefas da faculdade. Você, que encontrar essa carta, certamente saberá que eu curso engenharia. Fiz minhas tarefas, almocei, tomei meu banho e segui para a faculdade, hoje eu teria as três primeiras aulas apenas. A faculdade fica próxima ao barzinho da noite anterior e sempre que dá paro lá após as aulas para comer alguma coisa.


            Terminei as aulas, fui ao barzinho e enquanto procurava meu celular na mochila, alguém se aproximou.

-Posso me sentar aqui com você?

            Ao levantar a cabeça, percebi que era ele, de novo, o policial. Agora, sem a farda, ele vestia uma camisa branca e bermuda. E tinha um perfume bom – ao contrário daquela noite.

-Sim, claro – respondi.

-O que você quer beber? Um café, um suco? Por minha conta.

Eu estava ali, numa mesinha de bar, sentado com um policial que eu não sabia o nome, apenas as siglas O.J.S. Mas segui com a cena, aparentando ser íntimo dele.

-Um suco de laranja.

Ele chamou o garçom e fez os pedidos: dois sucos de laranja, com gelo.

-Obrigado – respondi – mas como o senhor sabia que aquela era minha casa? Perguntei com certo receio.

-Eu sou o responsável por aquela região. Conheço boa parte dos moradores e sabia que você morava ali pois eu o conhecia de vista apenas.

-Entendi.

A explicação dele me acalmou um pouco mais.

-Aliás, meu nome é Oliver. E pode me chamar de você.

-Prazer – eu respondi estendendo a mão para cumprimentá-lo – eu sou Rodrigo, você já sabe.

Ele riu.

-Então Rodrigo, o que você faz?

-Curso engenharia civil, segundo período.

-São quantos no total?

-10, cinco anos.

-Bastante tempo.

-Pois é.

            Por um tempo ficamos em silêncio, que foi quebrado com o garçom que trazia as bebidas.

-Eu estou na corporação há 4 anos já. É um serviço complicado, mas é o que eu gosto.  

Apenas acenei com a cabeça.

-Vai fazer o quê depois daqui? – ele questionou.

-Vou para casa, tenho que terminar um relatório para amanhã.

            Oliver me parecia amigável – fora da farda e da viatura. Devia ser assim com os demais moradores, imaginei. Conforme disse, ele pagou a conta e íamos embora – eu, ao menos, iria para minha casa, ele eu não sabia. Não naquele momento, mas agora eu entendo as reais intenções dele.



            No caminho ele disse que precisava ir ao banheiro. Entramos no shopping e o acompanhei. Não havia ninguém ali. Eu estava entrando na cabine quando ele me empurrou com força contra a parede. Assustado, perguntei o que estava acontecendo. Ele tapou minha boca com uma das mãos e disse pra eu ficar quieto. Com a outra mão tirou uma algema do bolso da bermuda e me algemou. Colocou-me de frente pra ele, sussurrou em meu ouvido para que eu ficasse quieto e vorazmente me beijou.


(Continua...)

por Ailson Lovato

22 junho, 2017

Maravilhosamente com Eluza Xavier

Olá, elenáticos!!

               Vocês, com certeza já estão sabendo da nossa presença no programa “Simplesmente Eluza Xavier”, da Rede Record News? É claro né? Também bombardeamos nossas redes de informações sobre a entrevista, tanto os perfis pessoais, quanto as redes do blog, rs.


               Foi tudo maravilhoso! Terça, (20) fomos entrevistados pela lindíssima e super estilosa Eluza Xavier, que nos recebeu com toda simpatia do mundo. Eu, já havia conhecido a apresentadora em outra ocasião, porém dessa vez papeamos como se nos conhecêssemos há décadas. Até Nathália deixou a timidez de lado e soltou o verbo, afinal falar de literatura é nossa paixão!


(Eluza é muito chique, gente) 

               Eluza conduziu a entrevista de forma tão gostosa, que deixou o clima da gravação descontraído, que até esquecemos que estávamos diante das câmeras. Afinal, você gravar vídeo apenas para o seu celular é tranquilo, já dentro de um estúdio de televisão é bem diferente, meu bem!      


                      ( Ronald Onhas e Nathália Dias posando com a apresentadora Eluza Xavier)

               Se você tá pensando que só porque somos blogueiros literários ficamos só naquilo de “Machado de Assis” ou “Clarice” está enganado, fomos além disso, afinal a Eluza nos deu margem para permeamos por vários contextos. É claro, que comentamos de tudo um pouco, tinha conteúdo para um programa só nosso, mas é claro que precisamos seguir o protocolo. Ah, nós também comentamos sobre nossas paixões por Rubem e Newton Braga, os irmãos Braga – impossível não citá-los.

  


               Falar sobre o blog para um grande público é um sonho. Propagar o nosso trabalho, nossos textos, nossa literatura cachoirense é férvido. E, é claro, mostrar que ser blogueiro não é brincar de jornalista não ( beijos, jornalistas queridos), mas ser um comunicador, que também discute informação, que também propaga notícia, que também gera conteúdo, que também tem seu valor! Tá oks?

 
               ( Nathália se concentrando pra entrevista)           ( Ronald e Nathália desbravando os estúdios da Record News)

               Ah, nós estamos atônito até agora! Sério, a ficha ainda não caiu, rs. Estamos nos sentido realizados. Afinal, esse ano fazemos quatro anos que estamos neste trabalho de formiguinha operária, e graças aos deuses literários ( beijos Adélia Prado) estamos conquistando nosso espaço. Espero que com a matéria surjam novas oportunidades, afinal nós queremos rodar o Espírito Santo debatendo a literatura e as mídias sociais. O programa será exibido hoje, às 19:45 na Record News! Assistam, gente! 

Abraceijos!

               

21 junho, 2017

“Bruxo do Cosme Velho”.


Hoje é uma data muito importante para os amantes da literatura, já parou para pensar de quem é a figura que estamos falando pegando a dica do nosso título? Não? Estamos falando sobre Machado de Assis, figura mais que mais importante para a literatura brasileira. Este epíteto, que usamos no título, tornou-se consagrado a partir do autor Carlos Drummond de Andrade, quando publicou o poema “A um bruxo com amor”, que faz referência a casa (número 18) da Rua Cosme Velho, situada no bairro de mesmo nome, no Rio de Janeiro, onde morou Machado de Assis.
Mas vamos lá, porque Machado de Assis é assim tão importante ao meio literário? Provavelmente, espero que não, você torça a cara ao ouvir falar das obras do autor, entretanto, precisamos entender o motivo de ser tão consagrado. Machado de Assis sempre foi um escritor que foi a frente de seu tempo, conseguiu escrever obras com temas atemporais que são eternas em nosso meio. Além disso, o autor possui uma escrita única e irônica. A ironia, por sinal, é uma das maiores marcas do autor, pense bem, abordar assuntos como traição, loucura, egoísmo, escravidão e tantos outros em um momento histórico em que tudo era proibido e, as leituras que faziam sucesso, eram romances ainda provenientes do Romantismo.


    Machado de Assis chega, então, com escritos em diferentes gêneros literários, mas carregados de uma literariedade e da sua singular maneira de retratar suas histórias. O autor não se enquadrou apenas em um período literário, suas obras correspondem ao Realismo, mas, como disse ASSIS é atemporal. Sua produção literária influenciou vários autores como Olavo Bilac e Lima Barreto.
     Suas obras retratam profundas análises e introspecção de seus personagens, é fantástico ler uma obra do autor, como ele detalha as confusões e desalinhos mentais de seus personagens e das histórias magicamente colocadas nos enredos realistas do autor. Seus escritos dificilmente são escritos de maneira linear, Machado de Assis gosta de brincar com o tempo em suas obras, nada segue os padrões inicio, meio e fim e são essas características que o tornam tão excelente na perspectiva da escrita literária.
      Para quem ainda não teve a oportunidade de conhecer as obras do autor, existe um site, uma biblioteca digital desenvolvida em software livre, de responsabilidade do Governo do Brasil, ou seja, um site com e-books de diversos autores consagrados gratuitamente para que você usufruía sem moderação. É claro que Machado de Assis tem seu acervo grandioso neste site, clique aqui para conhecer, penso que há todos os títulos do autor.

      Trouxe esse post hoje para conhecermos um pouco mais sobre um autor tão importante, para de torcer o nariz que Machado de Assis não é chato, é questão de perspectiva e de saber apresentar o autor. Ficou curioso e que saber mais? Vá bater um papo comigo lá no chat do Instagram que terei o prazer em responder suas dúvidas! 

20 junho, 2017

Felicidades literárias, Abou!

             Genteee, hoje é dia de soprar as velinhas pro nosso querido amigo e também colaborador do nosso blog, Vitor Abou. Vitor que é o caçula do nosso grupo, agora tá ficando mais velhinho, rs. Ah, você não conhece o Vitor? Então deixa eu contar um pouco dele pra vocês. Vitor, mas conhecido por nós do ELEA, de Abou, é dono e criador do “Resenhas do Abou”, quadro este que faz muito sucesso aqui no blog, e agora tá na sua 3ª temporada! Além disso, ele foi o campeão da segunda temporada, do reality  “O roteirista", produzido aqui no blog.


            Vale lembrar que em 2012, nosso colunista entrou no mundo virtual e já escreveu cerca de 9 tramas desde minisséries até web novelas e séries, além de participar como apresentador de alguns programas, colunista e ser diretor geral da rede TV Novelas (TVN). Nesse post AQUI,  Vitor conta um pouco mais sobre a trajetória dele como escritor. 

            Vitor, apesar de tímido, possui uma carpintaria textual muito descontraída. O garoto prodígio consegue se equilibrar entre a literatura clássica e a literatura ficcional.  O niteroiense tá fazendo 17 anos de pura inteligência! E mesmo tão jovem já publicou um livro ( que eu ainda não li) o “‘‘As vozes do Além’’, que retrata uma temática de bruxas!



            Eu, particularmente, lhe desejo só votos literários: que você um dia ganhe muito dinheiro com seu livro, que seu livro esteja na lista dos mais vendidos do The New York Times, que também feche contrato com uma editora grande, quer dizer, precisa ser tão grande não, sendo uma editora já tá bom, rs. E quem sabe um diretor de Hollywood queira comprar os direitos autorais de alguma sinopse sua. Ah, não custa a gente sonhar né?

            Mas, se esses desejos parecerem insanos, desejo-lhe que você seja um jornalista imparcialmente literário, que sempre coloque o olhar literário nas notícias retratadas. Já, se você resolver se juntar ao bonde dos professores de Língua Portuguesa, será totalmente bem vindo, aliás, queremos os bons conosco, uai.


            Continue sempre escrevendo, obrigado por aceitar todos os convites euforicamente. Você é parte essencial do Entrelinhas e Afins e sua participação é muita gratificante para nós. Saiba que você é um dos meus melhores amigos virtuais, e espero que a Literatura sempre preserve essa amizade.

           Feliz aniversário! 



16 junho, 2017

CONTOS DESCOLORIDOS: Filho homem

Sabe, é difícil pra um pai que tem seu primeiro filho homem fazer isso. O momento certo de iniciar a vida sexual do filho. Fiquei todo desajeitado, viado. Eu já tinha levado ele na Vila Rubim umas duas vezes e não tinha tomado coragem de entrar lá com ele, logo eu que passei pelo mesmo. Foi lá que meu pai me levou também. Mas eu, olhando ele comer a coxinha com a graça toda concentrada no mindinho levantado, não tinha como: de hoje não ia escapar! Tinha ou não tinha orgulho do meu filho homem?! Seus braços finos, as unhas impecavelmente feitas, e os cílios arqueados naturalmente.


Ele, Shenisley, tinha acabado de fazer quinze anos - minha Deusa!, como passa rápido pra um pai. Já era hora dele saber a parte boa da vida. Se a gente não interferir vai que cai pro outro lado, né viado? Aí, virei para ele, hoje você vai aprender a ser viado! E ele, ele tirou o foco da coxinha e me olhou com aquela cara de olho brilhante de bicha novinha? Santa Gal! Não tem aquela idade quando os pelos do bigode - misericórdia! - os pelos do sovaco começam a crescer tudo embaixo e lá atrás também? Tudo nele estava assim: adolescenta! Mas viado só aprende a ser viado em sauna. E ele me perguntando com os olhos brilhantes, onde, né? Na sauna, meu filho. 


E ele não pode acreditar. Ficou de olhos arregalando, me perguntou todo com as mãos sacudindo se era sério? Se eu ia deixar ele ir pro quarto escuro com um tipo caminhoneiro de mão grande; se ele podia fazer tudo. Como sabia tantos detalhes? Calma, calma, Shenisley! Foi um alívio. Já pensou você vira pro seu filho e tem um orgulho desse? Esse gosta de homem mesmo! Só de ouvir falar em sauna pra macho, graças a Deusa! Só de ouvir falar em tanga; em pelos fartos no peito; barriga de cerveja; barba arranhada; veias à mostra, saltando, pulsantes, e, e pra reforçar os olhinhos que não acreditavam: vamos na sauna sim! Shenisley me abraçou todo afoito!


É, comigo não foi fácil assim, meu pai teve de forçar, ser vigilante. Admito que quando mais novo eu enveredava pro outro lado dum rabo de saia, mas a Deusa que é justa a tudo transforma e sou o que sou hoje: um viado de classe; casado tem quinze anos; filha lésbica na graças da Deusa e esse agora, pelo fogo de Santa Inês!, com esse não vou ter trabalho na vida, até a chuca ele disse que já tinha feito, acredita? É muito orgulho ter filho viado!


por: Hugo Augusto Estanislau, bancário e formado em Letras, pela UFES. Autor de "Boneca atrás da feição Oca", publicado em 2016. 


14 junho, 2017

Resenhas do Abou: Por lugares incríveis, de Jennifer Niven


Olá, queridos leitores do ELEA.
Eu, Vitor Abou, estou de volta com a terceira temporada do ‘‘Resenhas do Abou’’, com muita felicidade. Gosto muito do Entrelinhas e Afins e resolvi voltar, devido também aos pedidos dos queridos Ronald e Nathalia. Por isso, anuncio que se inicia mais uma temporada de muitas resenhas, dessa vez, apenas de livros. Espero que gostem, pois eu estou adorando essa experiência, agora como colaborador oficial desse blog tão querido, ou seja, não ficarei só com as resenhas.
Abraços,
Vitor Abou



        Nos últimos meses, temas como depressão e suicídio entre jovens passaram a ser bastante debatidos em escolas e nas famílias, principalmente, após o lançamento da série ‘’13 Reasons Why’’ (abordada aqui no Elea já) e após notícias chocantes envolvendo o jogo Baleia Azul. Em meio a tais discussões, outra obra juvenil se destaca por abordar o suicídio entre jovens: Por lugares incríveis, da norte americana Jennifer Niven, uma obra encantadora do início ao fim.
O ditado diz que não devemos julgar um livro pela capa, mas, quando vi a capa de Por lugares incríveis na livraria, logo me interessei e quis saber mais sobre a sua história, que me agradou bastante. Por falar na capa, a representação dos dois protagonistas em um ambiente criado por peças de brinquedo infantil remetem às aventuras vividas por eles e o lugar de encontro deles, o sino da escola. Então, decidi ler o livro e apesar de toda a agitação do meu cotidiano, li muito rápido.
        O livro tem como personagens principais a jovem Violet Markey, uma menina popular, com um belo namorado, planos de fazer faculdade em Nova York; e o depressivo Theodore Finch, um menino visto como o rebelde da escola e que convive com a depressão há bastante tempo. Estudando na mesma escola, os dois se conhecem quando estão prestes a se matar e se aproximam bastante, até fazerem um trabalho de geografia no qual precisam visitar os lugares que consideram mais incríveis do estado onde moram. Nos passeios, os dois vivem grandes aventuras, desde visitas a bibliotecas até a uma lagoa que dizem não ter fundo.


        Durante todo o livro, Niven estimula o leitor a refletir sobre os assuntos mais simples da vida, mas também tão importantes, como a amizade, a família, a cumplicidade, e, sobretudo, a VIDA em si. A autora consegue prender muito bem os leitores, com capítulos narrados pelos protagonistas Finch e Violet, alternadamente. Após ler o livro, não consigo imaginá-lo com outro estilo de narração, pois é necessário que conheçamos os personagens sob as suas visões. Esse estilo de narração foi um dos pontos que mais agradou na obra, pois os protagonistas transmitem seus sentimentos de maneira espontânea e extremamente sentimental, até melancólica. Finch, com sua má reputação na escola e problemas familiares, consegue se abrir com Violet de um jeito tão carinhoso, e ainda com todos esses problemas, deixa a menina mais alegre. Já Violet tem uma vida a princípio perfeita, com boas condições financeiras, popularidade, porém a morte de sua irmã num acidente de carro há quase um ano ainda mexe muito com ela, que retrata em seus depoimentos as saudades da irmã, além dos sentimentos de culpa e solidão.      Com dezessete anos apenas, os protagonistas enfrentam esses problemas em suas vidas e eles os unem, com uma amizade tão fiel e repleta de aventuras.
        A autora Jennifer Niven consegue representar muito bem todos esses sentimentos de adolescentes, que muitas vezes são vistos como difíceis de entender. A vontade de tirar a própria vida acaba ficando em segundo plano para Violet e Finch depois que se encontram. Finch, até então solitário, encontra em Violet uma companhia, e ela encontra nele uma razão para viver melhor os dias e parar de contá-los.
Assuntos como a valorização da vida e o suicídio são constantemente abordados, sob o ponto de vista dos personagens centrais, além de conversas que eles têm com profissionais do colégio, contribuindo para a presença de opiniões mais especializadas. Abordar esses temas não é tarefa fácil por serem muito ‘‘frágeis’’, porém Niven consegue equilibrar muito bem a ficção e a realidade.


   O livro apresenta também materiais adicionais, como telefones e sites de centros sobre a saúde mental, como o Centro de Valorização da Vida e o Disque 100; um mapa e informações sobre todos os mais de vinte lugares visitados por Violet e Finch no estado de Indiana (EUA). Destaco também a arte da obra, que além da capa belíssima, inclui desenhos muito bonitos durante o texto.
    Portanto, achei Por lugares incríveis um livro maravilhoso, INCRÍVEL, muito emocionante. O final é imprevisível, assim como os personagens da obra. Recomendo demais a leitura dele. Com certeza, posso afirmar que é um dos melhores que li na minha vida, e olha que foram vários.

13 junho, 2017

Diário de uma paixão; Nicholas Sparks- O amor está nas paginas!



Título: Diário de uma Paixão
Título original: The Notebook
Tradução: Renato Marques de Oliveira
Autor(a): Nicholas Sparks
Editora: Novo Conceito
Edição: 2010
Páginas: 256
Avaliação: 5/5

Adquiri este livro na Bienal do Rio de Janeiro de 2011, foi o primeiro contato com o autor que tive. Enrolei um pouco para iniciar a leitura, deixei para as férias, como sempre faço (ou pelo menos tento). Assim que comecei a ler me perdi nas páginas que narram o romance entre Noah Calhoun e Allison Nelson. Acredito que quase todos já devem ter ouvido falar do livro, ou do filme que cativou muita gente a ler o romance.
        O casal vive uma história de amor intensa durante o verão de 1940, Noah, o narrador da trama, é um jovem simples que vive no estado da Carolina do Norte, o que já se torna um pouco maçante de dizer, já que, a maior parte das histórias de Nicholas Sparks se passa na Carolina do Norte, estado cujo autor reside.
Noah compra uma das casas mais antigas de Nova Berna, foi construída em 1772 e tinha sido a casa-grande de uma fazenda. Ele se dedica por algum tempo reformando a casa e adaptando-a para acomodá-lo, esta se torna, então, o cenário principal de muitas partes do enredo.
"Você é a resposta para todas as minha orações. Você é uma canção, um sonho, um murmúrio, e não sei como consegui viver sem você durante tanto tempo." p. 126.


   Allie e Noah se entregam em uma paixão avassaladora que, no entanto, tem um impasse inesperado, ela está comprometida a um jovem com futuro promissor, segundo seus pais, advogado e disposto a casar e dar a ela uma vida luxuosa. Então, eis que surge o a primeira ‘dor no coração’ dos leitores: os dois se separam. Noah tenta se comunicar por carta com Allie, mas ele nunca obteve resposta. Ele segue sua vida trabalhando na cidade, num deposito de sucata, trabalhando pesado a fim de esquecer seu amor por Allie, o que não funcionou.
        Depois de alguns anos Allie retorna a casa de Noah promovendo o tão esperado reencontro entre o casal. A partir deste encontro a paixão que havia entre o casal desde o verão retorna desencadeando os melhores e mais românticos momentos entre eles.
        Um dos meus capítulos favoritos são “Águas que se Movem” e “Cisnes e Tempestades”. Noah a leva para um passeio de canoa e uma tempestade se aproxima, durante o passeio, eles conversão sobre o relacionamento que tiveram e o ressentimento por tudo ter acabado tão de repente. O lugar que eles vão é um lago rodeado de cines-da-tundra e gansos-do-Canadá, o que torna uma visão inebriante para Allie, e em poucos minutos uma chuva desaba sobre ambos obrigando-os a retornarem. Estes dois capítulos são decisivos para que o amor, que sempre existiu entre eles renasça.


        A partir daí, a trama se desenvolve e o romance de Allie e Noah sofre algumas oscilações pela entrada da mãe de Allie e de seu noivo, mas no fim os dois continuam tendo suas histórias entrelaçadas e constroem sua felicidade juntos.
        Eis que no capítulo “Inverno Para Dois”, Noah surge fechando o diário onde se encontrava toda a história que foi contada nas páginas anteriores da nossa história. Ele e Allie se encontram na Casa de Repouso e Clinica de Cuidados Especiais de Creekside, Allie ao passar dos anos, adquiriu uma doença degenerativa, Alzheimer.
        Neste momento garanto que as lágrimas já estão na borda, querendo sair, é momento mais nostálgico, pois Noah relembra os momentos mais marcantes, seus 5 filhos, sendo que um faleceu, e os acontecimentos com deles a partir do momento que Allie descobre a doença e começa a esquecer fatos importantes de seu amor.
Entretanto, como Noah é perseverante e acredita que, mesmo depois de mais de 45 anos juntos, seu amor não vai morrer, e assim, ele escreve a história dos dois em um diário, que é lido diariamente para Allie para ela recordar os momentos juntos a ele, mesmo que seja momentaneamente, mas permanece ao lado dela até os últimos suspiros.


"A vida é simplesmente uma coleção de pequenas vidas, cada uma vivida um dia de cada vez. Aprendi que devemos viver cada dia encontrando beleza nas flores e na poesia e conversando com os bichos. Que não há nada melhor do que um dia com sonhos, pores do sol e brisas refrescantes. Mas, acima de tudo, aprendi que a vida é me sentar em bancos junto a riachos antigos com a minha mão sobre o joelho dela, e às vezes, nos dias bons, me apaixonar." p. 180.
É um romance, com uma boa dose de sentimentalismo, capaz de amolecer o coração de qualquer um. No momento que sua esposa é atingida por uma doença que a faz esquecer até mesmo de seu nome, Noah não desiste dela. O que nos faz refletir nos casais de hoje, que qualquer ventinho derruba a relação. 
Há também uma versão em filme dirigido por Nick Cassavetes, e estrelado por Ryan Gosling e Rachel McAdams. O filme obteve uma boa repercução diante das criticas e ganhou prêmios como oito Teen Choice Awards, um Golden Satellite Award e um MTV Movie Award.

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