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28 fevereiro, 2018

Resenhas do Abou: O Ateneu, de Raul Pompeia


Olá, queridos eleanáticos. Tudo bom com vocês? Hoje, eu, Vitor Abou, estou de volta com mais uma resenha. Essa resenha de hoje marca o retorno desse quadro que eu adoro tanto, o Resenhas do Abou, que inicia sua temporada 2018 com um clássico da literatura brasileira. Estou falando do famoso ‘‘O Ateneu’’, de Raul Pompeia, conhecido escritor que transitou entre Realismo e Naturalismo. Li esse livro na escola há uns anos e só agora resolvi fazer essa resenha, em meio a tantas mudanças em nosso sistema educacional. Bora lá!


Título: O Ateneu
Autor: Raul Pompeia
Editora: Zahar
Número de páginas: 264
Ano de publicação: 2015
        
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Sinopse da editora:
"'Vais encontrar o mundo', disse-me meu pai, à porta do Ateneu. 'Coragem para a luta.'"
A luta foi grande para Sérgio, o narrador que revive a traumática experiência do internato e o sofrido rito de passagem da infância para a adolescência. E grande também foi a empreitada de Raul Pompeia, que com esse romance rompeu barreiras temáticas - criticava abertamente a elite brasileira e deu papel central à homossexualidade - e estilísticas, transitando livremente entre a ficção, a poesia e o ensaio. O resultado é um livro surpreendente, um dos primeiros romances modernos da literatura brasileira, repleto de inovações e ousadias.
O Ateneu: edição comentada e ilustrada traz o texto integral e as 44 ilustrações originais de Raul Pompeia, notas explicativas e uma apresentação que recupera as principais linhas interpretativas do romance, desde a época de sua publicação até nossos dias, escrita especialmente para essa edição. A versão impressa apresenta ainda capa dura e acabamento de luxo.

         Esse grande clássico da nossa literatura, resumidamente, conta a história de Sérgio, que entra na adolescência e tem uma grande mudança em sua vida: é mandado para estudar no colégio interno só de homem, o Ateneu, conhecido por seus costumes tradicionais e elitistas. O próprio protagonista é quem narra todas as suas aflições, alegrias, tristezas, fugas, etc. Porém, ele narra tudo isso anos após esse período no internato, onde surgiram muitas reflexões típicas da adolescência, como em relação à sexualidade.

         Publicado originalmente no final do século XIX, a obra, como comum na estética literária do Realismo, tece diversas críticas à sociedade da época, sobretudo, em relação à elite e à educação passada aos jovens dessa classe social, apresentando como esse ensino era crucial na formação dos indivíduos, alguns de forma positiva e outros de forma negativa. Todo o universo criado por Pompeia dentro daquele internato representava a sociedade da época, seja por meio da desigualdade e das injustiças, ou por meio do autoritarismo, com o diretor Aristarco, um homem severo e cruel com os alunos, chegando a humilhar alguns deles.

         ‘‘A primeira impressão é a que fica’’. No caso do personagem Sérgio, essa frase não se aplica tanto. Ele muda completamente a sua opinião a respeito do internato. De início, Sérgio encontrava-se deslumbrado com aquele universo tão diferente do que ele vivia. Adolescente, ele sentia-se mais maduro e independente ao sair da casa dos seus pais. Para quem até então tinha estudado em uma ‘‘escola familiar’’, como é narrado logo no 1° capítulo, o internato era um ambiente desafiador, que, na percepção de Sérgio, consagrava-o como adulto. Entretanto, ele passou a perceber que, na verdade, tudo era bem diferente do que ele tinha imaginado.

         O subtítulo do livro, geralmente esquecido nas resenhas e estudos, é ‘‘crônicas de saudade’’, ou seja, mais uma prova das saudades sentidas pelo narrador daquela rotina que era levada por ele antes do internato. Uma rotina que permitia que ele brincasse, que ele tivesse mais liberdade do que no ambiente ao qual foi levado.

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Imagem do site Vida Literária

         Em relação à linguagem, como é de se imaginar, trata-se de formalidade e rebuscamento. Por esses motivos, muitos leitores acabam tendo dificuldade em entender palavras e até as situações narradas. Há diversas relações de intertextualidade com o Classicismo, a filosofia, a história, as artes, como sobre Robinson Crusoé, Epicuro, Alexandre Dumas. Mas tudo isso é muito bem explicado pelas notas de rodapé, pelo menos na edição da Zahar, que ajuda bastante seus leitores na interpretação.

         Alguns pesquisadores e até leitores acreditam que a obra foi pioneira ao retratar a questão da homossexualidade. Entretanto, essa abordagem, no livro, não é aprofundada.  Isso parte mais da imaginação e da interpretação que cada leitor dá à obra, afinal, um livro pode ter diversas interpretações de acordo com quem o lê.

         Uma história densa e crítica. Assim é possível definir esse grande sucesso de Raul Pompeia. O final da obra não deixa a desejar, muito pelo contrário, é extremamente inesperado e só comprova a vontade de Pompeia de levar seus leitores à reflexão.

         Também não poderia deixar de comentar a respeito da edição da Zahar. Essa editora tão competente tem feito ótimas edições de clássicos da literatura brasileira e mundial, envolvendo desde obras de Jane Austen a clássicos portugueses, como ‘‘Os maias’’. A capa dura da Zahar também é um charme que muito me atrai. As ótimas notas de rodapé, como já citei, também são muito importantes para tornar a leitura mais fácil e prazerosa.

         Encerro agora com uma novidade no Resenhas do Abou de 2018. Em todo final de resenha, avaliarei a obra usando as estrelas, de 1 a 5. As estrelas pintadas correspondem à minha avaliação.


           

         E essa foi a primeira resenha do Abou da temporada 2018. Semana que vem tem mais. Até lá!

21 fevereiro, 2018

Gente como a Gente com Luciana Máximo

Conhecida como Boca do Inferno, a jornalista vomita suas verdades em seus perfis na rede, onde é acompanhada por milhares de leitores assíduos, que a seguem e compartilham seus posts, muitas vezes polêmicos, afinal não seria comparada à Gregório de Mattos à toa. Luciana Máximo é formada em Letras/Literatura, autora do polêmico livro “Rabo de Olho”, lançado em agosto de 2008 e atuou em diversas escolas municipais e estaduais, como professora de Língua Portuguesa, porém foi no ramo do jornalismo que Luciana plantou suas raízes, no qual colhe frutos no seu jornal, o “Espírito Santo Notícias”.


         Luciana está com uma exposição fotográfica no Pronto Atendimento Médico de Presidente Kennedy, Contemplação onde ela exibe belíssimas paisagens do litoral Sul, exposição esta que já esteve no Hospital Evangélico de Cachoeiro de Itapemirim, Hospital Nossa Senhora da Conceição de Piúma, Câmara de Anchieta e Instituto Federal do ES, Piúma.

                                    Relançamento do livro "Rabo de Olho".                             


            Luciana responde a alguns processos por calúnia e difamação, devido ao teor de suas reportagens. Já recebe várias ameaças e também coleciona alguns títulos por sua ousadia, o último foi na Câmara de Anchieta após exibi uma série de reportagens sobre Agroturismo, Agronegócio e Agroindústria. Essa jornalista é mesmo porreta. Recentemente foi ameaçada no Hospital do Mepes, em Anchieta, quando apurava a reportagem que envolve o caso das 27 crianças que passaram mal após comerem merenda na Escola Padre Anchieta. 

1) Conheço um pouco de sua história porque tive a oportunidade de participar de uma mesa redonda junto com você, no curso de Letras, no ano passado. Mas, me conta como foi chegar até aqui com Espírito Santo Notícias, qual foi sua principal dificuldade? É fácil escrever notícia com tanta informação rápida por aí?

            Então, uma trajetória longa, que vou escrever na minha autobiografia. Tudo começa quando eu me descontento com o modelo de jornalismo que estava acostumada a trabalhar. Mas, esquece o passado. Em 2011 aceitei o desafio de lançar um jornal no Litoral. Não tinha grana. Um empresário da região veio com o recurso e eu com o talento editorial. Lançamos, incialmente o jornal se chamava O Estado Notícias. Mas, houve um conflito na região com outro jornal de nome semelhante e cores. Mudamos para Espírito Santo Notícias. Quatro meses depois meu sócio queria usar o veículo para tirar proveitos políticos, ele tinha outros interesses, e eu sai fora.

Recebendo o título das mãos do Vereador Max, de cidadã Piumense. 


            Como a ideia já estava plantada, minha companheira me instigou a lançar o próprio jornal. Arrisquei-me, contratei um contador e abri a empresa. No início apelei para empréstimos para pagar a gráfica. Foi difícil demais. Em seguida vieram os processos, eu tinha muita emoção ao escrever e acabava sofrendo ações judiciais. Depois o jornal ganhou nome e força, e começamos a fechar publicidades com prefeituras e instituições. Ganhamos folego e continuei no mesmo foco, bato se, medo e não sento com ninguém para negociar. Os leitores gostam disso, ousadia, “prafrenteza”. Hoje eu sou convidada para tudo, todas as cenas, homicídio, prisões, festas, eventos, velório. Creio que sou o único veículo que faz especial nas datas de comemoração dos municípios, registramos a história de cada um, desde o surgimento. 

            Desculpe, me empolguei e falei do Jornal Espírito Santo Notícias. Era para falar de como cheguei até ele. Eu cheguei até o jornal por pura teimosia. Eu sou daquelas pessoas que teve tudo na vida para dar tudo errado. Passei por oito reprovações no meu período escolar. Trabalhei 15 anos em padaria, a última padaria eu fui despedida depois de subir em cima da mesa de confeitaria e declamar o Aviso da Lua que Menstrua da Elisa Lucinda aos padeiros. Em seguida fui contratada no extinto Jornal Diário Capixaba.

Recebendo título Mulher Kennedense

            Eu comecei atuando na FOLHA ES, em 1999, como estagiária. Depois me tornei repórter policial e acabei que trabalhei SETE anos escrevendo sobre as mazelas da sociedade. Depois eu resolvi escrever um livro e vomitei em pequenos desabafos os podres que ficam por trás das cortinas da sociedade. Tive de sair de Cachoeiro, denunciei uma corja, o espaço ficou pequeno pra mim.

            Aqui no litoral eu vi a necessidade de um jornal de verdade, e assim, Luciana Maximo apresenta o Espírito Santo Notícias.

2) Quem é a Luciana Máximo de verdade?



            Um ser humano inconformado com as injustiças sociais. Uma pessoa que detesta a mentira, tem pavor de traição, sente ojeriza pela corrupção, passa mal com depois que acompanha fatos envolvendo criança e adolescente (violência, assedio e outros). Luciana Maximo é sonhadora, ama as letras, adora poesia, e tem asco pela hipocrisia. Não sabe bajular e manda tomar no cu na hora que precisa. Luciana é louca para uns e para outros, uma pessoa do bem, que não tem vaidade, gosta de chinelos no pé, convive em todos os meios. Tem uma companheira de muitos anos, “adotou” um casal de crianças lindas, e é completamente apaixonada pela vida...

3) Dentro de um contexto jornalístico como você lida com as “notícias falsas”? Seu trabalho já foi prejudicado devido a notícia falsa?

            Não. Lido com vermes, às vezes que tentam plantar informações que não procedem, mas eu levanto os pormenores. Os boatos eu acabo com eles em dois tempos. Não caio em armadilhas, nem escuto apaixonados políticos, não tem paciência para vitimismo. Quando recebo a ligação eu começo apurando logo, quando descubro a verdade, ligo de volta e como no esporro.

4) O que tem da professora ( formada em Letras)  Luciana Máximo, dentro da jornalista que você é hoje?

            Tudo! Eu faço palestras em várias escolas. Faço questão de manter o vínculo. O ambiente escolar me fascina. Tem mais que isso, eu sou uma eterna e faminta pesquisadora. Adoro buscar novos significados, amo o texto, brinco com as palavras, me debruço muitas das vezes buscando sinônimos para não repetir palavras. Procuro diariamente melhorar cada vez mais. Sou meio insana para dizer a verdade. A jornalista é devoradora de textos...

                                                  Juntamente com alunos em Projeto de Literatura 
                                                    
5) Já pensou em parar de escrever no jornal?

      Sim... Todo dia eu juro que vou lagar essa cachaça. Todo dia eu penso em um sitio longínquo, uma pequeno lago, uma horta e um fogão de lenha. Eu penso em produzir literatura. O jornal me cansa, me estressa, me adoece. Eu fico puta da vida quando vejo omissão, tenho vontade partir pra cima na mão.

      Eu odeio políticos imundos, mentirosos. Odeio ver pessoas doentes e não haver um plano para resolver isso. Odeio saber que alunos estão estudando em escola sucateadas. Odeio ver idosos em asilos, odeio ver crianças em casa de passagens. Odeio registrar essas mazelas toda hora. A sociedade é um lixo doente, e manipulada por outro lixo de sistema falido.

6) Como você lida coma repercussão dos seus posts nas redes? Ainda te assustam alguns tipos de comentários agressivos?

            Hoje eu tiro sarro, debocho na cara dura. Tem casos que a pessoa me chama no zap pra continuar me ofendendo e eu digo, seja feliz querida, tenta dá meia hora de cu pra relaxar.

7) Como eu sou um blogueiro literário, e tenho um blog repleto de textos poéticos, eu preciso lhe fazer uma pergunta especial: você acredita que ainda exista público leitor de texto poético ( crônica e afins) no jornal? Ou as pessoas, infelizmente, só se importam com a notícia crua?

            Muita raça, como dizem os piumenses. A poesia é o que nos salva. Sei que tem os ignorantes incapazes de compreender uma metáfora, mas é bom que eles existam, assim a gente pode esculhambar com eles em um bom texto e eles imaginarem que estão elogiando.... Brincadeirinha.

            Veja, temos leitores que colecionam as páginas de literatura do jornal. A linguagem poética toca a alma. O público é vc quem busca e direciona. Creia, nunca faltara espaço a essa linguagem, se faltar, podemos morrer, não vale mais a pena está no meio de tantos boçais.

8) Me conte Lu, qual foi a pior notícia que você teve que relatar?

            Coleciono lembranças tenebrosas: um acidente com seis pessoas da mesma família que tiveram as cabeças arrancadas depois do Pálio entrar embaixo de uma carreta cegonha carregada de veículos. O teto do Pálio saiu junto com as cabeças dos ocupantes. Essa é uma delas.

9) Para encerrar esse bate papo intimista, nas horas vagas você prefere ler um livro daqueles de cabeceira ou se joga na Netflix? Rs

      Nenhum dos dois. Saio para brincar com as crianças. Minha cabeça não aguenta mais tanta coisa. TV não tem meu tempo e livros, há tempo não tenho na cabeceira, durmo sempre depois das 2h00, já chego morta na cama...


Luciana junto com sua família: Ana Cláudia (companheira), Jorge Henrique e Agatha (filhos).


16 fevereiro, 2018

Resenha Crítica: Quinze Dias, de Vitor Martins

Quinze Dias
Autor: Vitor Martins
Ano: 2017
Editora: Globo Alt

            Quinze Dias é o livro de estreia do autor e também youtuber Vitor Martins, um romance tipicamente açucarado, porém recheado de diálogos construtivos e personagens esféricos. A obra nacional é um romance adolescente LGBT, que nos enlaça com as confidências de Felipe e sua relação de amizade com seu vizinho e crush secreto, Caio.

 ( fotos da internet ) 

            O título sugestivo é por conta dos 15 dias, no qual Caio fica na casa de Felipe, por causa de uma viagem dos pais do bonitão. O livro é narrado por Felipe, o que nos deixa tão íntimo dele, que tem momentos que a vontade é de pegá-lo no colo ou então abraça-lo. Vitor narra a aventura dos meninos contando os dias da hospedagem de seu crush, com o passar dos dias vamos torcendo pelo “casal”.

 ( fotos do perfil do autor ) 


            A obra discute temas incríveis de forma subjetiva, singela e didática, porém sem firulas. Somos apresentados a um protagonista homossexual e gordinho, que nos hipnotiza em suas confissões acerca do seu peso e de sua fragilidade social. A questão do bullying é discutida de forma consciente e madura, nos fazendo refletir sobre as circunstâncias vivenciadas por Felipe. Apesar de se tratar um assunto sério, Vitor Martins constrói tudo de forma humana e às vezes até humorada.

 ( fotos do perfil do autor ) 

            Com certeza, a melhor coisa do livro é o círculo de amigos que o protagonista consegue fazer, por causa de Caio, Felipe conhece Beca e Mel; ( que são namoradas); juntos rendem diálogos contra intolerância e preconceito cortantes. É claro que o livro também fala de preconceito, mas de uma forma sutil, provocando reflexões no leitor.

                            ( fotos do perfil do autor ) 
                                  
            Eu também não poderia deixar de mencionar a capa que é simples, mas tão fofinha. Aliás, assim como o livro. É muito prazeroso acompanhar a relação dos amigos vizinhos, é impossível não torcer pelo casal.  No fim das contas, Quinze Dias trás uma narrativa leve, sensível e reflexiva, que nos faz conhecer de forma íntima uma paixão avassaladora. Vitor Martins teceu de forma bela um romance gay, desviando dos clichês do gênero e consolidando a Literatura Nacional.



            Ah, sabe como eu conheci esse livro?! Estava eu, todo blogueirinho, lá na Saraiva, de um Shopping em Niterói. Pedi a atendente para pesquisar no sistema dela algo sobre temática LGBT, ela que era muito simpática por sinal; não achou. Porém, me chamou até uma prateleira e me apresentou Quinze Dias, na verdade ela conhecia o Vitor Martins, ou algo do tipo. Sei que se não fosse ela eu não teria me aventurado nesse romance – que já virou meu xodozinho, rs. 


Abraceijos! 

12 fevereiro, 2018

Violência: até quando, Brasil?



          Vivemos um caos. Um caos? Sim, um caos. Crianças morrem por causa da violência no Rio de Janeiro. Estrangeiros são assaltados em pleno Carnaval no Rio. Berço de bebês servindo de esconderijo para armas e drogas em Sampa. Bebê é morto no interior de São Paulo. Homem é executado dentro do carro também em Sampa. Bandidos fazem arrastão em Niterói, cidade próxima ao Rio. O Carnaval é utilizado por bandidos como ótima oportunidade para roubar, furtar, assediar.

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          Tristeza. É o que define milhões de brasileiros com essas notícias tão tristes. Essas são apenas uma pequena parte das divulgadas nos últimos dois dias. Sim, em dois dias aconteceram tantas barbaridades, tantas covardias. Inocentes sendo mortos, seja em assalto ou pela cruel bala perdida. E são só de dois estados brasileiros. E nos outros? E no interior, onde as notícias dificilmente chegam à mídia? Quantas Marias e quantos Josés mais precisarão morrer para que nossas autoridades resolvam tomar medidas imediatas e eficazes? Quanto tempo isso vai demorar? Mas será mesmo que isso vai acontecer? Será que um dia a violência vai diminuir? Não sabemos. Só sabemos que, enquanto os políticos discutem planos e projetos, por aí, nas ruas do Brasil, centenas de inocentes morrem. A violência não espera. A violência não tem mais lugar. Não tem horário. Não tem alvo. Qualquer um pode ser o próximo alvo. Pode ser você, posso ser eu, podemos ser todos nós.

          Diante dessas atrocidades todas, o sentimento que cultivamos dentro de nós mesmo acaba sendo o medo. O medo de sair de casa. O medo de usar certa roupa. O medo de ser baleado enquanto volta ou vai ao trabalho. O medo de andar com objetos de valor. O medo, o medo, o medo... Mas será que eles, os engravatados, têm esse mesmo medo? Creio que não, afinal, estão cercados de seguranças e escolta. Enquanto isso, nós, meros cidadãos, vivemos com o medo e a tristeza em nossos corações. A tristeza de ver um país tão rico, tão diverso, tão plural, tão bonito sendo derrubado pela violência, pela brutalidade.

          Nós sofremos e encaramos de perto toda essa crueldade. Já as autoridades resolvem fazer pronunciamentos dizendo para as pessoas não levarem celulares e outros objetos de valor para as ruas. Como assim? Não temos mais nossa liberdade. É, é isso mesmo. Diante dessa situação catastrófica, desse caos que citei acima, nos resta ficar em nossas casas chorando e torcendo por um país melhor? Não sei muito bem se é isso que devemos fazer.

          Culpamos muito as autoridades, afinal, na teoria, elas são as responsáveis pela resolução dos programas públicos. Mas será que nós, cidadãos, podemos fazer algo para deixar nosso país mais pacífico, para torna-lo um lugar melhor para as crianças viverem e não serem assassinadas de forma tão brutal? Sim, podemos fazer muitas coisas. Temos que cobrar, que mostrar nossa reivindicação e pensar muito também antes de votar. Nossa sociedade precisa de união, precisa enxergar todos esses problemas, em especial, a violência, que tira das famílias os inocentes e muitas vezes os policiais, aqueles que estão também lutando pela segurança.

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          Difícil expressar tanta tristeza e tanto medo em algumas palavras. Esse foi meu desabafo. Meu desejo é o de PAZ, apenas ela. O Brasil pede PAZ!!!
         



07 fevereiro, 2018

Acompanhando comentários


           Eu tenho repulsa aos seres “racionais” que ainda perpetuam por esta terra, um dia, chamados de humanos. Qual o prazer de ofender alguém falecido? Qual o prazer de xeretar todos os grupos, páginas e cantos da internet para conseguir descobrir algo do vizinho, do primo, da mãe do já falecido? O que “julgar” vai adiantar? Quem somos nós para julgarmos alguém em “praça online”? Será que eu me coloco no lugar do outro quando direciono comentários ardilosos num grupo em determinada rede social? Já ouviu falar de reciprocidade?



            Vivemos tempos de muitos jornalistas investigativos por aí. E isso assusta! Me assusta assim como também deveria lhe assustar. Então, é assim: eu presencio a cena, registro o fato e posto no mundo da internet. Num mundo, onde não é preciso passaporte para entrar. Eu entro, comento, respondo, acompanho os comentários, dou umas curtidas e jogo um “AC” na esperança que outros “humanos” desavisados me informem a ficha criminal do ser em evidência. Qualquer migalha de informação nos basta, afinal somos ratazanas que farejam de longe o cheiro de sangue.

            Às vezes, eu tenho muito medo do “hoje”. Tenho muito medo da proporção que a falta de limite ético pode chegar. Será que a maior parte da população foi abduzida? Será que a tecnologia chegou para provocar o retrocesso moral? As incógnitas acerca de uma sociedade covarde me consomem, aliás, o coexistir dentro de um contexto alienativo me assusta, me chicoteia e amordaça. Me amordaça com as cordas do medo, juntamente, com ganância humana.


            Ele sonhava em ser cientista ou astrólogo. Ele era sensível, inteligente, educado, leitor .... E até poderia ser filho de um de vocês. Quem sabe? Ele sonhava grandes proporções, não foi coincidência que se atirou ... Se atirou nas estrelas.

             Ninguém sabe de nada para apontar possíveis causas, nem eu, nem você, nem o bombeiro que lacrou o corpo, muito menos o editor desse jornal. Entre “achismos” e teorias secundárias, o “cala a boquinha” cai como uma luva. Aliás, uma dose de “cala a boquinha” poderia ser injetadas nos postinhos de saúde.  No fundo eu apenas sinto que vocês, humanos, andam cada vez mais vazios, e buscam no fundo, uma ascensão social, mesmo que ela dure vinte quatro horas, oitenta e duas curtidas e um “ac” para colecionar.



06 fevereiro, 2018

‘‘O Touro Ferdinando’’: muito além de uma divertida história infantil




            Olá, queridos eleanáticos. Tudo bom com vocês? Eu, Vitor Abou, trago hoje a vocês um post sobre um filme ao qual eu assisti no mês passado e, simplesmente, adorei. Não, dessa vez, não será uma resenha do Abou. Dessa vez, farei uma análise do filme ‘‘O Touro Ferdinando’’, que estará representando o Brasil no Oscar 2018.

            Para quem não sabe, apesar do filme ser americano, ele é dirigido pelo consagrado Carlos Saldanha, que tem em seu currículos filmes famosos como Rio, tanto a primeira versão como a continuação, e os filmes 2 e 3 de A era do gelo. Essa animação da Fox consegue entreter e divertir muito as crianças. Confesso que quase 90% da sala de cinema estava ocupada pelos baixinhos. Porém, interessante foi ver que estavam presentes no filme também adultos e adolescentes que não estavam acompanhando as crianças. Eu fiz parte desse grupo também. (risos) Essa observação comprova o título desse post. Embora tenha o público infantil como a maioria, ‘‘O Touro Ferdinando’’ consegue atrair e encantar outras faixas por ter uma mensagem que não é específica para certa idade. É uma mensagem universal sobre várias questões muito presentes em nosso cotidiano.


            O longa metragem conta a história do touro Ferdinando, muito tranquilo e calmo, que, ainda no início da obra, foge do local onde vivia, após saber que seu pai havia sido morto numa tourada, atividade muito comum na Espanha e que, felizmente, tem sido abolida com o tempo. Ele vai parar numa fazenda, onde é tratado com um animal comum, fazendo parte de exageros que as animações nos apresentam, como o fato de o touro dormir na mesma cama que a sua ‘‘dona’’, uma adorável menina. Acidentalmente, em uma festa popular da cidade, ele leva a picada de uma abelha e, na linguagem popular, ‘‘toca o terror’’, destruindo tudo e aterrorizando todos. Um verdadeiro desastre. Por isso, ele é levado à fazenda onde nasceu e é escolhido para lutar contra um famoso toureiro.

            O filme, de fato, é muito engraçado e divertido. Entretanto, questões contemporâneas não tão infantis assim são citadas de forma superficial. A diversidade, que tem sido tão discutida nos dias de hoje, ganha bastante destaque. Esse assunto pode ser percebido, por exemplo, na própria fazenda a qual Ferdinando retorna. Lá, estão presentes touros de diferentes espécies e diferentes temperamentos, desde um mais marrento até alguns mais atrapalhados. Essa mesma fazenda também abriga outros animais, como uma família de porcos-espinhos extremamente engraçados. Também é retratada, de forma implícita, para aqueles bons observadores, a influência da ciência no comportamento dos animais, por meio de um touro que foi projetado completamente dentro de laboratório, o Máquina.


            A influência dos pais no futuro dos filhos é mais um assunto citado indiretamente. Ferdinando é muito pressionado e criticado quando, logo no começo do filme, afirma que não pretende ser igual seu pai, um touro de touradas. Diferente do pai, Ferdinando possui muita sensibilidade e é apaixonado por flores, o que, já na infância, faz com que ele vire motivo de chacota.

Como já citei, a abordagem a respeito das touradas não é tão profunda, por se tratar de um filme infantil. Mas, mesmo assim, fica claro que esses eventos buscam a criação de uma imagem de herói para o toureiro, no caso do filme, El Primero. Outra situação que percebi foi a disputa entre touros e os exibicionista cavalos. Além de renderem uma cena muito cômica, na batalha de dança, ficou subentendida uma referência ao preconceito também. Ademais, não poderia deixar de destacar uma personagem, mesmo que coadjuvante, que foi uma das principais responsáveis pelo humor, a cabra Lupi, na voz de Thalita Carauta, que dublou muito bem a personagem.


Para quem não assistiu ao filme, fica até parecendo que ele pode se tornar um pouco chato por tantas mensagens maduras. Porém, o que acontece é extremamente o contrário. Ele é tão divertido e envolvente que só quem tem um olhar diferente consegue analisar essas mensagens que ele, de forma simples e espetacular, nos fornece.

Apesar do clássico maniqueísmo (bem x mal) das animações infantis, o filme, por meio de sua simplicidade, nos remete às animações mais antigas, por ter uma história agradável e, ao mesmo tempo, não deixar de trazer recados tão importantes para nós, sobretudo a respeito da diversidade e do respeito aos animais, tão castigados em eventos como as antigas touradas.

Espero que tenham gostado. Até a próxima!
           


03 fevereiro, 2018

Teve “Capitoa” na Avenida


Isso mesmo, teve “Capitoana avenida Capixaba, é que a Escola de samba Independente de São Torquato, de Vilha Velha trouxe o enredo “Mulher independente, capitoa a comandar, Luisa Grinalda a Independentes vai cantar!, reunido em 3 alegorias, 14 alas e 1.200 componentes.


( Fotos: Gazeta Online).


Só para lembrar Luisa Grinalda, viúva de Vasco Fernandes Coutinho foi a primeira governadora do Espírito Santo e serviu de inspiração para Bernadette Lyra escrever “A Capitoa”, lançado em 2014.  Apesar do enredo da obra literária misturar-se com a história do Espírito Santo, o romance é ficcional e pincela historicamente as dificuldades enfrentadas pela donatária no século XVI, aqui nas terras capixabas.


                                            ( Fotos: perfil Bernadette Lyra). 

A escola levou para avenida a réplica da Capitoa, de 2 metros de altura, que foi esculpida por Hippolito Alves. Vale lembrar, que a estátua original fica em exposição na Cada da Memória em Vila Velha, na Prainha.







A Pentacampeã do Carnaval de Vitória compôs um trabalho belíssimo e colorido, levando índios, padres e piratas para avenida; personagens que pincelam o contexto histórico retratado pela escola. Falar de Luísa é catártico, aliás valorizar as figuras femininas capixabas é essencial e mostrar que o empoderamento feminino não é novidade por aqui.






Só para lembrar que Bernadette Lyra já concedeu uma entrevista para o nosso BLOG, aqui.