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21 fevereiro, 2018

Gente como a Gente com Luciana Máximo

Conhecida como Boca do Inferno, a jornalista vomita suas verdades em seus perfis na rede, onde é acompanhada por milhares de leitores assíduos, que a seguem e compartilham seus posts, muitas vezes polêmicos, afinal não seria comparada à Gregório de Mattos à toa. Luciana Máximo é formada em Letras/Literatura, autora do polêmico livro “Rabo de Olho”, lançado em agosto de 2008 e atuou em diversas escolas municipais e estaduais, como professora de Língua Portuguesa, porém foi no ramo do jornalismo que Luciana plantou suas raízes, no qual colhe frutos no seu jornal, o “Espírito Santo Notícias”.


         Luciana está com uma exposição fotográfica no Pronto Atendimento Médico de Presidente Kennedy, Contemplação onde ela exibe belíssimas paisagens do litoral Sul, exposição esta que já esteve no Hospital Evangélico de Cachoeiro de Itapemirim, Hospital Nossa Senhora da Conceição de Piúma, Câmara de Anchieta e Instituto Federal do ES, Piúma.

                                    Relançamento do livro "Rabo de Olho".                             


            Luciana responde a alguns processos por calúnia e difamação, devido ao teor de suas reportagens. Já recebe várias ameaças e também coleciona alguns títulos por sua ousadia, o último foi na Câmara de Anchieta após exibi uma série de reportagens sobre Agroturismo, Agronegócio e Agroindústria. Essa jornalista é mesmo porreta. Recentemente foi ameaçada no Hospital do Mepes, em Anchieta, quando apurava a reportagem que envolve o caso das 27 crianças que passaram mal após comerem merenda na Escola Padre Anchieta. 

1) Conheço um pouco de sua história porque tive a oportunidade de participar de uma mesa redonda junto com você, no curso de Letras, no ano passado. Mas, me conta como foi chegar até aqui com Espírito Santo Notícias, qual foi sua principal dificuldade? É fácil escrever notícia com tanta informação rápida por aí?

            Então, uma trajetória longa, que vou escrever na minha autobiografia. Tudo começa quando eu me descontento com o modelo de jornalismo que estava acostumada a trabalhar. Mas, esquece o passado. Em 2011 aceitei o desafio de lançar um jornal no Litoral. Não tinha grana. Um empresário da região veio com o recurso e eu com o talento editorial. Lançamos, incialmente o jornal se chamava O Estado Notícias. Mas, houve um conflito na região com outro jornal de nome semelhante e cores. Mudamos para Espírito Santo Notícias. Quatro meses depois meu sócio queria usar o veículo para tirar proveitos políticos, ele tinha outros interesses, e eu sai fora.

Recebendo o título das mãos do Vereador Max, de cidadã Piumense. 


            Como a ideia já estava plantada, minha companheira me instigou a lançar o próprio jornal. Arrisquei-me, contratei um contador e abri a empresa. No início apelei para empréstimos para pagar a gráfica. Foi difícil demais. Em seguida vieram os processos, eu tinha muita emoção ao escrever e acabava sofrendo ações judiciais. Depois o jornal ganhou nome e força, e começamos a fechar publicidades com prefeituras e instituições. Ganhamos folego e continuei no mesmo foco, bato se, medo e não sento com ninguém para negociar. Os leitores gostam disso, ousadia, “prafrenteza”. Hoje eu sou convidada para tudo, todas as cenas, homicídio, prisões, festas, eventos, velório. Creio que sou o único veículo que faz especial nas datas de comemoração dos municípios, registramos a história de cada um, desde o surgimento. 

            Desculpe, me empolguei e falei do Jornal Espírito Santo Notícias. Era para falar de como cheguei até ele. Eu cheguei até o jornal por pura teimosia. Eu sou daquelas pessoas que teve tudo na vida para dar tudo errado. Passei por oito reprovações no meu período escolar. Trabalhei 15 anos em padaria, a última padaria eu fui despedida depois de subir em cima da mesa de confeitaria e declamar o Aviso da Lua que Menstrua da Elisa Lucinda aos padeiros. Em seguida fui contratada no extinto Jornal Diário Capixaba.

Recebendo título Mulher Kennedense

            Eu comecei atuando na FOLHA ES, em 1999, como estagiária. Depois me tornei repórter policial e acabei que trabalhei SETE anos escrevendo sobre as mazelas da sociedade. Depois eu resolvi escrever um livro e vomitei em pequenos desabafos os podres que ficam por trás das cortinas da sociedade. Tive de sair de Cachoeiro, denunciei uma corja, o espaço ficou pequeno pra mim.

            Aqui no litoral eu vi a necessidade de um jornal de verdade, e assim, Luciana Maximo apresenta o Espírito Santo Notícias.

2) Quem é a Luciana Máximo de verdade?



            Um ser humano inconformado com as injustiças sociais. Uma pessoa que detesta a mentira, tem pavor de traição, sente ojeriza pela corrupção, passa mal com depois que acompanha fatos envolvendo criança e adolescente (violência, assedio e outros). Luciana Maximo é sonhadora, ama as letras, adora poesia, e tem asco pela hipocrisia. Não sabe bajular e manda tomar no cu na hora que precisa. Luciana é louca para uns e para outros, uma pessoa do bem, que não tem vaidade, gosta de chinelos no pé, convive em todos os meios. Tem uma companheira de muitos anos, “adotou” um casal de crianças lindas, e é completamente apaixonada pela vida...

3) Dentro de um contexto jornalístico como você lida com as “notícias falsas”? Seu trabalho já foi prejudicado devido a notícia falsa?

            Não. Lido com vermes, às vezes que tentam plantar informações que não procedem, mas eu levanto os pormenores. Os boatos eu acabo com eles em dois tempos. Não caio em armadilhas, nem escuto apaixonados políticos, não tem paciência para vitimismo. Quando recebo a ligação eu começo apurando logo, quando descubro a verdade, ligo de volta e como no esporro.

4) O que tem da professora ( formada em Letras)  Luciana Máximo, dentro da jornalista que você é hoje?

            Tudo! Eu faço palestras em várias escolas. Faço questão de manter o vínculo. O ambiente escolar me fascina. Tem mais que isso, eu sou uma eterna e faminta pesquisadora. Adoro buscar novos significados, amo o texto, brinco com as palavras, me debruço muitas das vezes buscando sinônimos para não repetir palavras. Procuro diariamente melhorar cada vez mais. Sou meio insana para dizer a verdade. A jornalista é devoradora de textos...

                                                  Juntamente com alunos em Projeto de Literatura 
                                                    
5) Já pensou em parar de escrever no jornal?

      Sim... Todo dia eu juro que vou lagar essa cachaça. Todo dia eu penso em um sitio longínquo, uma pequeno lago, uma horta e um fogão de lenha. Eu penso em produzir literatura. O jornal me cansa, me estressa, me adoece. Eu fico puta da vida quando vejo omissão, tenho vontade partir pra cima na mão.

      Eu odeio políticos imundos, mentirosos. Odeio ver pessoas doentes e não haver um plano para resolver isso. Odeio saber que alunos estão estudando em escola sucateadas. Odeio ver idosos em asilos, odeio ver crianças em casa de passagens. Odeio registrar essas mazelas toda hora. A sociedade é um lixo doente, e manipulada por outro lixo de sistema falido.

6) Como você lida coma repercussão dos seus posts nas redes? Ainda te assustam alguns tipos de comentários agressivos?

            Hoje eu tiro sarro, debocho na cara dura. Tem casos que a pessoa me chama no zap pra continuar me ofendendo e eu digo, seja feliz querida, tenta dá meia hora de cu pra relaxar.

7) Como eu sou um blogueiro literário, e tenho um blog repleto de textos poéticos, eu preciso lhe fazer uma pergunta especial: você acredita que ainda exista público leitor de texto poético ( crônica e afins) no jornal? Ou as pessoas, infelizmente, só se importam com a notícia crua?

            Muita raça, como dizem os piumenses. A poesia é o que nos salva. Sei que tem os ignorantes incapazes de compreender uma metáfora, mas é bom que eles existam, assim a gente pode esculhambar com eles em um bom texto e eles imaginarem que estão elogiando.... Brincadeirinha.

            Veja, temos leitores que colecionam as páginas de literatura do jornal. A linguagem poética toca a alma. O público é vc quem busca e direciona. Creia, nunca faltara espaço a essa linguagem, se faltar, podemos morrer, não vale mais a pena está no meio de tantos boçais.

8) Me conte Lu, qual foi a pior notícia que você teve que relatar?

            Coleciono lembranças tenebrosas: um acidente com seis pessoas da mesma família que tiveram as cabeças arrancadas depois do Pálio entrar embaixo de uma carreta cegonha carregada de veículos. O teto do Pálio saiu junto com as cabeças dos ocupantes. Essa é uma delas.

9) Para encerrar esse bate papo intimista, nas horas vagas você prefere ler um livro daqueles de cabeceira ou se joga na Netflix? Rs

      Nenhum dos dois. Saio para brincar com as crianças. Minha cabeça não aguenta mais tanta coisa. TV não tem meu tempo e livros, há tempo não tenho na cabeceira, durmo sempre depois das 2h00, já chego morta na cama...


Luciana junto com sua família: Ana Cláudia (companheira), Jorge Henrique e Agatha (filhos).


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