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06 fevereiro, 2018

‘‘O Touro Ferdinando’’: muito além de uma divertida história infantil




            Olá, queridos eleanáticos. Tudo bom com vocês? Eu, Vitor Abou, trago hoje a vocês um post sobre um filme ao qual eu assisti no mês passado e, simplesmente, adorei. Não, dessa vez, não será uma resenha do Abou. Dessa vez, farei uma análise do filme ‘‘O Touro Ferdinando’’, que estará representando o Brasil no Oscar 2018.

            Para quem não sabe, apesar do filme ser americano, ele é dirigido pelo consagrado Carlos Saldanha, que tem em seu currículos filmes famosos como Rio, tanto a primeira versão como a continuação, e os filmes 2 e 3 de A era do gelo. Essa animação da Fox consegue entreter e divertir muito as crianças. Confesso que quase 90% da sala de cinema estava ocupada pelos baixinhos. Porém, interessante foi ver que estavam presentes no filme também adultos e adolescentes que não estavam acompanhando as crianças. Eu fiz parte desse grupo também. (risos) Essa observação comprova o título desse post. Embora tenha o público infantil como a maioria, ‘‘O Touro Ferdinando’’ consegue atrair e encantar outras faixas por ter uma mensagem que não é específica para certa idade. É uma mensagem universal sobre várias questões muito presentes em nosso cotidiano.


            O longa metragem conta a história do touro Ferdinando, muito tranquilo e calmo, que, ainda no início da obra, foge do local onde vivia, após saber que seu pai havia sido morto numa tourada, atividade muito comum na Espanha e que, felizmente, tem sido abolida com o tempo. Ele vai parar numa fazenda, onde é tratado com um animal comum, fazendo parte de exageros que as animações nos apresentam, como o fato de o touro dormir na mesma cama que a sua ‘‘dona’’, uma adorável menina. Acidentalmente, em uma festa popular da cidade, ele leva a picada de uma abelha e, na linguagem popular, ‘‘toca o terror’’, destruindo tudo e aterrorizando todos. Um verdadeiro desastre. Por isso, ele é levado à fazenda onde nasceu e é escolhido para lutar contra um famoso toureiro.

            O filme, de fato, é muito engraçado e divertido. Entretanto, questões contemporâneas não tão infantis assim são citadas de forma superficial. A diversidade, que tem sido tão discutida nos dias de hoje, ganha bastante destaque. Esse assunto pode ser percebido, por exemplo, na própria fazenda a qual Ferdinando retorna. Lá, estão presentes touros de diferentes espécies e diferentes temperamentos, desde um mais marrento até alguns mais atrapalhados. Essa mesma fazenda também abriga outros animais, como uma família de porcos-espinhos extremamente engraçados. Também é retratada, de forma implícita, para aqueles bons observadores, a influência da ciência no comportamento dos animais, por meio de um touro que foi projetado completamente dentro de laboratório, o Máquina.


            A influência dos pais no futuro dos filhos é mais um assunto citado indiretamente. Ferdinando é muito pressionado e criticado quando, logo no começo do filme, afirma que não pretende ser igual seu pai, um touro de touradas. Diferente do pai, Ferdinando possui muita sensibilidade e é apaixonado por flores, o que, já na infância, faz com que ele vire motivo de chacota.

Como já citei, a abordagem a respeito das touradas não é tão profunda, por se tratar de um filme infantil. Mas, mesmo assim, fica claro que esses eventos buscam a criação de uma imagem de herói para o toureiro, no caso do filme, El Primero. Outra situação que percebi foi a disputa entre touros e os exibicionista cavalos. Além de renderem uma cena muito cômica, na batalha de dança, ficou subentendida uma referência ao preconceito também. Ademais, não poderia deixar de destacar uma personagem, mesmo que coadjuvante, que foi uma das principais responsáveis pelo humor, a cabra Lupi, na voz de Thalita Carauta, que dublou muito bem a personagem.


Para quem não assistiu ao filme, fica até parecendo que ele pode se tornar um pouco chato por tantas mensagens maduras. Porém, o que acontece é extremamente o contrário. Ele é tão divertido e envolvente que só quem tem um olhar diferente consegue analisar essas mensagens que ele, de forma simples e espetacular, nos fornece.

Apesar do clássico maniqueísmo (bem x mal) das animações infantis, o filme, por meio de sua simplicidade, nos remete às animações mais antigas, por ter uma história agradável e, ao mesmo tempo, não deixar de trazer recados tão importantes para nós, sobretudo a respeito da diversidade e do respeito aos animais, tão castigados em eventos como as antigas touradas.

Espero que tenham gostado. Até a próxima!
           


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