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28 fevereiro, 2018

Resenhas do Abou: O Ateneu, de Raul Pompeia


Olá, queridos eleanáticos. Tudo bom com vocês? Hoje, eu, Vitor Abou, estou de volta com mais uma resenha. Essa resenha de hoje marca o retorno desse quadro que eu adoro tanto, o Resenhas do Abou, que inicia sua temporada 2018 com um clássico da literatura brasileira. Estou falando do famoso ‘‘O Ateneu’’, de Raul Pompeia, conhecido escritor que transitou entre Realismo e Naturalismo. Li esse livro na escola há uns anos e só agora resolvi fazer essa resenha, em meio a tantas mudanças em nosso sistema educacional. Bora lá!


Título: O Ateneu
Autor: Raul Pompeia
Editora: Zahar
Número de páginas: 264
Ano de publicação: 2015
        
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Sinopse da editora:
"'Vais encontrar o mundo', disse-me meu pai, à porta do Ateneu. 'Coragem para a luta.'"
A luta foi grande para Sérgio, o narrador que revive a traumática experiência do internato e o sofrido rito de passagem da infância para a adolescência. E grande também foi a empreitada de Raul Pompeia, que com esse romance rompeu barreiras temáticas - criticava abertamente a elite brasileira e deu papel central à homossexualidade - e estilísticas, transitando livremente entre a ficção, a poesia e o ensaio. O resultado é um livro surpreendente, um dos primeiros romances modernos da literatura brasileira, repleto de inovações e ousadias.
O Ateneu: edição comentada e ilustrada traz o texto integral e as 44 ilustrações originais de Raul Pompeia, notas explicativas e uma apresentação que recupera as principais linhas interpretativas do romance, desde a época de sua publicação até nossos dias, escrita especialmente para essa edição. A versão impressa apresenta ainda capa dura e acabamento de luxo.

         Esse grande clássico da nossa literatura, resumidamente, conta a história de Sérgio, que entra na adolescência e tem uma grande mudança em sua vida: é mandado para estudar no colégio interno só de homem, o Ateneu, conhecido por seus costumes tradicionais e elitistas. O próprio protagonista é quem narra todas as suas aflições, alegrias, tristezas, fugas, etc. Porém, ele narra tudo isso anos após esse período no internato, onde surgiram muitas reflexões típicas da adolescência, como em relação à sexualidade.

         Publicado originalmente no final do século XIX, a obra, como comum na estética literária do Realismo, tece diversas críticas à sociedade da época, sobretudo, em relação à elite e à educação passada aos jovens dessa classe social, apresentando como esse ensino era crucial na formação dos indivíduos, alguns de forma positiva e outros de forma negativa. Todo o universo criado por Pompeia dentro daquele internato representava a sociedade da época, seja por meio da desigualdade e das injustiças, ou por meio do autoritarismo, com o diretor Aristarco, um homem severo e cruel com os alunos, chegando a humilhar alguns deles.

         ‘‘A primeira impressão é a que fica’’. No caso do personagem Sérgio, essa frase não se aplica tanto. Ele muda completamente a sua opinião a respeito do internato. De início, Sérgio encontrava-se deslumbrado com aquele universo tão diferente do que ele vivia. Adolescente, ele sentia-se mais maduro e independente ao sair da casa dos seus pais. Para quem até então tinha estudado em uma ‘‘escola familiar’’, como é narrado logo no 1° capítulo, o internato era um ambiente desafiador, que, na percepção de Sérgio, consagrava-o como adulto. Entretanto, ele passou a perceber que, na verdade, tudo era bem diferente do que ele tinha imaginado.

         O subtítulo do livro, geralmente esquecido nas resenhas e estudos, é ‘‘crônicas de saudade’’, ou seja, mais uma prova das saudades sentidas pelo narrador daquela rotina que era levada por ele antes do internato. Uma rotina que permitia que ele brincasse, que ele tivesse mais liberdade do que no ambiente ao qual foi levado.

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Imagem do site Vida Literária

         Em relação à linguagem, como é de se imaginar, trata-se de formalidade e rebuscamento. Por esses motivos, muitos leitores acabam tendo dificuldade em entender palavras e até as situações narradas. Há diversas relações de intertextualidade com o Classicismo, a filosofia, a história, as artes, como sobre Robinson Crusoé, Epicuro, Alexandre Dumas. Mas tudo isso é muito bem explicado pelas notas de rodapé, pelo menos na edição da Zahar, que ajuda bastante seus leitores na interpretação.

         Alguns pesquisadores e até leitores acreditam que a obra foi pioneira ao retratar a questão da homossexualidade. Entretanto, essa abordagem, no livro, não é aprofundada.  Isso parte mais da imaginação e da interpretação que cada leitor dá à obra, afinal, um livro pode ter diversas interpretações de acordo com quem o lê.

         Uma história densa e crítica. Assim é possível definir esse grande sucesso de Raul Pompeia. O final da obra não deixa a desejar, muito pelo contrário, é extremamente inesperado e só comprova a vontade de Pompeia de levar seus leitores à reflexão.

         Também não poderia deixar de comentar a respeito da edição da Zahar. Essa editora tão competente tem feito ótimas edições de clássicos da literatura brasileira e mundial, envolvendo desde obras de Jane Austen a clássicos portugueses, como ‘‘Os maias’’. A capa dura da Zahar também é um charme que muito me atrai. As ótimas notas de rodapé, como já citei, também são muito importantes para tornar a leitura mais fácil e prazerosa.

         Encerro agora com uma novidade no Resenhas do Abou de 2018. Em todo final de resenha, avaliarei a obra usando as estrelas, de 1 a 5. As estrelas pintadas correspondem à minha avaliação.


           

         E essa foi a primeira resenha do Abou da temporada 2018. Semana que vem tem mais. Até lá!

Um comentário:

  1. Acho que todos aqueles que já tiveram literatura no colegial já tiveram a oportunidade de ler a obra de Raul Pompeia, que pe muito boa por sinal, Infelizmente não consegui consumi-la por completo. O meu contato com "O Ateneu" foi a sua versão ilustrada (em quadrinhos) distribuída por uma editora que não me recordo o nome. Gostei da resenha. Esperando a próxima :D

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