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14 maio, 2018

A bienal é de todos


       É com muita euforia que esperamos pela 7ª Bienal Rubem Braga, um evento literário de tamanha grandiosidade, que coloca Cachoeiro no mapa literário capixaba, sendo referência estadual. O que esperar de uma Bienal em Cachoeiro? Eu, como professor de Língua Portuguesa, espero ver a presença de inúmeras pessoas na Praça de Fátima, principalmente, os não leitores afinal o grande objetivo de uma bienal de livros é mostrar a importância dos livros em nossas vidas. 


   É claro, que a maioria não gosta de ler, escuto isso sempre! Fazer com que esses não leitores se aproximem dos livros é um desafio, mas para isso temos inúmeras formas de tornar o evento atrativo, seja por meio das atrações ou pelo programação do evento. Nem sempre um famoso é um convidado melhor do que um desconhecido local, precisamos valorizar o nosso – e graças aos deuses literários, isso tem acontecido. 



            É preciso, que os próprios professores, estimulem os alunos a participarem das oficinas e mesa redondas. Porém, muitos dos professores nem sequer se interessam pelo evento; por falta de interesse ou ignorância gratuita. Uma lástima porque esses sim deveriam arrebanhar inúmeros alunos com a intenção de mostrar aos adolescentes não leitores, o quanto a leitura é transformadora e prazerosa. Se nem mesmo os professores se interessam, como os alunos irão querer participar do evento? Tenho ranço desses prepotentes literários.

            Olhando como blogueiro, fico extremamente feliz com o nível de estrutura que os eventos veem proporcionando para os cachoeirenses nos últimos anos. É claro, que eu não vou para Bienal comprar livro, afinal à maioria dos estandes possuem valor de livraria comercial e não suavizam no preço do livro. Não me julguem! Bienal serve como garimpo para achar um lançamento, reencontrar aquele livro antigo que você leu há décadas ou até mesmo achar livro em promoção – logicamente, no último dia de evento. Se formos levar em conta que Cachoeiro só tem uma livraria (oficial) e que essa cobra preços exorbitantes, os livros da bienal estão à preço de Sebo.



            Falando em Sebo, uma pena Cachoeiro não ter um, eu mesmo já tive vontade de abrir um “negócio literário”, mas infelizmente em tempos de redes sociais a literatura é cada vez menos consumida. Falando nisso, é uma lamúria os organizadores das bienais não utilizarem a tecnologia a seu favor. Cachoeiro possui vários youtubers, sabiam? O porquê de não utilizar a voz desses profissionais da internet para disseminar um pouco de cultura por aí? Acredito que o incentivo a leitura pode vir de diversas formas desde os canais no youtube até os perfis no instagram. O problema não está nos jovens que odeiam ler, está na maneira de como é propagado “a coisa”.

            A bienal é de todos: homens e mulheres; jovens e idosos; héteros e gays; pobres e ricos – todos são ilustres convidados dessa festa literária tão bacana. Conhecer autores, ouvir relatos, aprender técnicas de escrita, assistir peças de teatro é tudo catártico, nos resignifica como seres humanos. O saber literário não deve ser elitizado; tomado por uma seleta merda de dominadores, a literatura precisa ser do povo, subir os morros, entrar nos presídios, perpassar por hospitais e asilos. Afinal, literatura é vida, nem só de pão vive o homem, mas também de dignidade cultural.




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