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02 maio, 2018

Resenhas do Abou: O sol na cabeça, de Geovani Martins



Olá, queridos leitores do Entrelinhas & Afins. Tudo bom? Hoje, em pleno feriado, é dia de mais uma Resenha do Abou. O livro a ser comentado hoje foi lançado em março desse ano e que já está fazendo bastante sucesso. Seu autor, Geovani Martins, foi parar em programas como ‘‘Encontro’’ e ‘‘Conversa com Bial’’, tendo nesse último um programa inteiro dedicado a ele. Estou falando do livro ‘‘O sol na cabeça’’, que traz mensagens fundamentais sobre nossa atual situação.


Título: O sol na cabeça
Autor: Geovani Martins
Editora: Companhia das Letras
Número de páginas: 120
Ano de publicação: 2018

Resumo da editora:
‘‘O sol carioca esquenta a prosa destes treze contos que retratam a infância e a adolescência de moradores de favelas como jamais foram retratados. O prazer dos banhos de mar, as brincadeiras de rua, a adrenalina da pichação, as paqueras e o barato do baseado são modulados tanto pela violência da polícia e do tráfico quanto pela discriminação racial indisfarçável no olhar da classe média amedrontada. Com a estreia de Geovani Martins, a literatura brasileira encontra a voz de seu novo realismo.’’
           
            De forma bem resumida, o livro traz 13 contos que têm em comum a descrição da realidade das favelas cariocas, abordando desde a ida dos jovens à praia até a dura situação com a UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) e o abuso policial.

            Sempre gosto de contar como eu conheci os livros que leio. Esse foi um pouco diferente dos demais. Faço faculdade de Letras e uma professora solicitou a leitura do conto ‘‘Espiral’’, presente nesse livro, para uma aula, junto com um conto muito bom da escritora Conceição Evaristo. O debate foi em torno do retrato feito pelos dois autores a respeito da violência e das camadas marginalizadas. Logo na primeira leitura, fiquei muito impactado com esse conto do Geovani Martins e, após a discussão em sala, que foi extremamente produtiva e interessante, resolvi comprar o livro e ler os demais doze contos.


            Confesso que não costumo ler livros de contos, mas esse me agradou e me conquistou de uma forma que estou pensando em ler mais desse gênero. Uma grande vantagem do livro de contos é que você pode ler fora de ordem, como eu fiz. De acordo com o tempo e com o lugar onde eu estava, eu escolhia um e lia, depois outro, e outro… Assim, acabei o livro bem rápido, em pouquíssimos dias. Por ser um livro de contos tão diversos, talvez não seja tão fácil fazer uma resenha, como as demais, analisando enredo, personagens, linguagem, etc. Entretanto, há alguns aspectos que eu gostaria de destacar.

            A linguagem dos contos é algo que merece bastante destaque. Geovani expõe realmente o falar do povo que mora nas favelas, mas também utiliza o português mais formal em outras situações. No livro, são muito comuns gírias, desvios do português padrão, palavrões, etc. Tudo isso contribui bastante para que o leitor imagine a situação narrada ali, criando um universo ainda mais próximo da realidade.

            O assunto dos contos varia, tendo em comum a favela, o morro. O autor aborda temas importantes e delicados, como vício e tráfico de drogas, abuso policial, intolerância religiosa. Para muitos (como eu), essa realidade é mais afastada, porém a forma como ela é abordada é crucial para o envolvimento e a identificação com o leitor, independente da classe social dele.



            Outro destaque é a capa do livro. Sempre gosto de falar das capas, pois elas chamam os leitores nas livrarias também. E a capa da Companhia das Letras é simplesmente incrível, dando a ideia do sol que está no título.

            Quem ficou interessado em saber um pouco sobre o autor, nascido e criado na favela, clique AQUI para conferir o vídeo na íntegra da entrevista dele ao apresentador Pedro Bial. Ao lado, para quem não for assinante da plataforma Globoplay, há trechos da entrevista, gratuitamente. 

            Despeço-me dessa resenha hoje, recomendando esse livro a todos vocês, pois ele é, simplesmente, fantástico, reflexivo e, como está na própria capa, ‘‘o novo fenômeno literário brasileiro vendido para 8 países’’. E, abaixo, está a  minha avaliação para esse livro. Impossível não dar menos. Até mais, eleanáticos.

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Um comentário:

  1. Nossa Vitor fiquei morrendo de vontade de ler esse livro! Super atual e me parece ser super palpável. Já quero!!

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