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08 junho, 2018

Resenhas do Abou: Por parte de pai, de Bartolomeu Campos de Queirós



Olá, queridos eleanáticos. Tudo certo com vocês? Eu, Vitor Abou, estou de volta hoje com mais uma resenha desse quadro que eu adoro escrever. O livro a ser resenhado dessa vez é Por parte de pai, de Bartolomeu Campos de Queirós, autor falecido em 2012 e muito famoso na literatura infantojuvenil. O meu contato com ele foi devido à faculdade. Tive que lê-lo para uma aula e gostei bastante. Por isso, resolvi comentar um pouco sobre essa obra, que é uma das menos conhecidas do autor e até um pouco difícil de se achar à venda. Vamos lá!

Título: Por parte de pai
Autor: Bartolomeu Campos de Queirós
Editora: RHJ Livros
Número de páginas: 73
Ano: 1995



Sinopse da editora:
‘‘Da recriação de cenários da infância no interior, emerge a cumplicidade avô/neto, num poético exorcismo de saudade. As paredes da casa do avô tornam-se o primeiro livro do menino, mas sua primeira leitura é o olhar do pai. Um mútuo amor calado, imenso, perpassa pelas páginas deste livro em que o avô reina e o neto é o seu súdito encantado.’’

Como disse, li esse pequeno romance para uma aula da faculdade faço Letras, para quem não sabe —, mas tive alguns probleminhas em encontrar o livro. Ele não é tão atual e não teve novas tiragens recentemente. Porém, não é difícil achá-lo em sebos, sobretudo virtuais, como a Estante Virtual. Algumas livrarias ainda possuem ele, mas é necessário encomendar ou comprar online. Em lojas físicas é bem mais complicado de achar.

Resumidamente, o livro é narrado em primeira pessoa por um menino, que conto o seu convívio com seu avô, numa região no interior de Minas Gerais. Mas a narrativa não se restringe a isso. O menino conta como é o seu cotidiano, o que costuma fazer quando vai para a casa dos avós, etc. Esse avô é muito especial por ser um escritor um pouco diferente. Ele não usa papel ou qualquer material parecido para escrever. Usa as paredes de sua casa. Isso mesmo! As paredes são o local de sua escrita.


Um elemento muito importante para dar o tom sensível e poético do livro é a linguagem. Ela é extremamente simples, até porque se trata de uma obra destinada ao público infantojuvenil. Mas essa leveza da linguagem também é fundamental para um ar mais metafórico, optando por descrever todas as minúcias desse ambiente rural, o que aproxima o leitor. Provavelmente, todo mundo já foi em algum lugar no interior e a forma única de narrar, escolhida por Bartolomeu Campos de Queirós, reúne elementos comuns em todos esses ambientes rurais, principalmente a simplicidade e o acolhimento, características muito marcantes do avô do narrador também.

O motivo para esse convívio tão intenso entre o menino e o avô é uma doença da mãe, que está no hospital, já o pai vê o filho de vez em quando. Essa questão mexe muito com o menino, que também possui outras indagações típicas da infância. Ele é extremamente curioso, inquieto e, sobretudo, um admirador de seu avô, que registra tudo o que vê ou ouve pela região.

A passagem do tempo é outro aspecto a ser observado nessa obra. Não há marcações tão específicas dessa passagem, apesar de sabermos que o tempo está mudando, devido à ocorrência de diversos fatos, como a morte de um galo, que mexe muito com o narrador. Campos de Queirós deixa isso bem presente nesse trecho:

‘‘O tempo tem uma boca imensa. Com sua boca do tamanho da eternidade ele vai devorando tudo, sem piedade. O tempo não tem pena. Mastiga rios, árvores, crepúsculos. Tritura os dias, as noites, o sol, a lua, as estrelas. Ele é o dono de tudo. (...) Ele consome as histórias e saboreia os amores.’’ (p. 71)

Esse trecho é falado pelo avô. Um avô durão, que praticamente não chora, mas também um avô sensível, uma espécie de professor para esse neto, conversando e aconselhando-o sempre que possível. Por esse motivo, a leitura desse livro é extremamente nostálgica, pois reacende, em nós, leitores, memórias e lembranças dos nossos avós ou outros parentes queridos.

Em relação à diagramação e ao trabalho artístico dele, gostei bastante também. Como já falei, é um livro bem curtinho. Eu mesmo li bastante rápido. A letra também é grande, mais um artifício bom para atrair o público infantil. A capa é muito bonita. Não sei se essas pessoas são parentes do autor ou de algum membro da editora, mas achei super essas fotografias muito interessantes e relacionadas à proposta do livro, que é trazer memórias sobre o avô.


Finalizando: ‘‘Por parte de pai’’, apesar de ser considerado como infantojuvenil, agrada vários outros públicos, por ser uma narrativa simples e bem próxima da nossa vivência, ainda mais por se passar no interior de um estado brasileiro. Recomendo que você, querido leitor do ELEA, procure esse livro no sebo ou até em alguma biblioteca em sua cidade.

Espero que leiam essa preciosidade da nossa literatura nacional infantojuvenil e que curtam muito, assim como eu curti. Até a próxima, eleanáticos!



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