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22 julho, 2018

Resenhas do Abou: Por que a criança cozinha na polenta, de Aglaja Veteranyi


          Olá, queridos eleanáticos. Tudo bom com vocês? Já estava morrendo de saudades desse quadro tão querido, o Resenhas do Abou. Para a nossa resenha de hoje, escolhi um livro que li há pouco tempo para uma disciplina da minha faculdade (de Letras). Nunca tinha ouvido falar no nome dessa autora nem do livro. Mas pude conhecer muito mais sobre ela com ‘‘Por que a criança cozinha na polenta’’, uma obra surpreendente. Porém, infelizmente, o acesso a essa obra não é tão fácil. Ela possui venda em alguns sites online, apenas. Mas vale muito a pena!


 ‘‘Talvez nossos pais tenham nos vendido. Isso acontece na Romênia’’. (p. 89)

‘‘O tempo congela.’’ (p. 98)

Esses dois trechos fazem parte do livro de hoje, que traz uma realidade bem única, de uma menina romena de família circense que está refugiada em outro país. A história é bem cruel, já que ela e sua irmã mais velha são enviadas para um internato. Neste momento, os pais, em um lugar distante, se divorciam e, um tempo depois, a irmã da protagonista é levada para morar com um pai, com o qual possui uma relação, no mínimo, ‘‘estranha’’, já que é dito que ele chegou a quebrar uma das pernas da filha para que ela não ficasse com outro homem.

Mas, falando do internato, é nele que essa irmã conta para a protagonista a história na qual se cozinha a criança na polenta. Sim, é isso mesmo! A criança cozinha na polenta, não a polenta! Estranho? Talvez. Mas essas meninas levantam diversas hipóteses para tentar entender essa barbárie. E é exatamente essa questão que é o título da obra. Retomando a primeira frase que eu citei, eu mesmo tive essa dúvida, se aquele internato era uma farsa. Entretanto, parece que não era uma mentira não…

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Adaptação para o teatro pela Cia. Mugunzá (SP)

A infelicidade da protagonista, que também é a narradora, aumenta quando ela é separada da irmã, que passa a morar com o pai. Um tempo depois, ela volta para a mãe e as duas conseguem um novo emprego, numa espécie de boate, na qual a menina faz danças e participa de truques de mágica. Esse novo trabalho a deixa numa situação ainda maior de exposição.

Um aspecto que eu sempre destaco nas resenhas e hoje não poderia ser diferente é a linguagem. Apesar de ser um livro sobre infância, ele não é infanto-juvenil, pois a trama é bem pesada, como eu já disse. Mas a linguagem é de fácil entendimento, por ser uma narrativa infantil. Outra curiosidade é a diagramação. Os parágrafos não são ordenados da maneira tradicional. Essa é uma característica bem marcante e singular do livro de Aglaja Veteranyi.

Voltando ao título ‘‘Por que a criança cozinha na polenta’’, questionei-me bastante sobre ele. O que essa história tem a ver com a história da menina? O que seria ‘‘cozinhar na polenta’’? Será que é uma metáfora ou será que se cozinha, literalmente, uma criança junto da polenta, numa grande panela?

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Tais dúvidas me deixaram com uma pulga atrás da orelha e resolvi pesquisar sobre a autora e sua vida. Descobri que sua infância também foi viajando, já que os pais eram do circo. Eles saíram da Romênia, devido à ditadura. Até aí, tudo muito parecido com o livro, afinal, nele, há várias referências ao regime ditatorial. Diante dessas informações e das minhas impressões, ainda me pergunto: será que a narradora é a própria Aglaja Veteranyi?

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